COMBONIANUM – Spiritualità e Missione

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José, palavra vinda do silêncio

JOSÉ, UMA PALAVRA
vinda do Silêncio profundo

 Manuel João Pereira

No coração da Quaresma, a 19 de Março, a Igreja celebra a festa de São José. Como a de Maria no período do Advento (8 de Dezembro, festa da Imaculada Conceição). Representado frequentemente como um venerando ancião de barbas e cabelos brancas ou calvo, de olhar triste e distante, de semblante preocupado, curvado sob o peso do seu destino… dir-se-ia que espelha o humor dum certo “espírito quaresmal” doutros tempos!

San Giuseppe4Os valores que o caracterizam, silêncio, obediência e serviço, também não estão de moda. Não é de admirar pois que a devoção a este santo tenha vindo a declinar desde há um certo tempo. E isto não obstante a exortação apostólica de João Paulo II “Redemptoris Custos” (1989), considerada a “magna carta” da teologia de São José.

De todas as maneiras, São José é uma figura-chave para compreender algumas das dimensões essenciais da vocação cristã. Eis quatro delas: proteger a vida; praticar a justiça; deixar que Deus seja o protagonista da nossa vida; cultivar a dimensão mística.

 1. Modelo de PATERNIDADE – Servidor da Vida

Em hebraico o nome José significa “Deus acrescente”, “Deus te aumente”. Uma vocação à fecundidade, à sobreabundância de vida, por conseguinte!

José é descendente de David (“filho de David”), originário de Nazaré, “carpinteiro” (tékton), uma profissão ligada à construção. Nos evangelhos é apresentado, por vezes, como o “esposo de Maria”, coisa insólita porque geralmente era a esposa que pertencia ao marido. Mas também se diz de Maria que era “esposa de José” (Mateus 1,18) e que Jesus era o “filho do carpinteiro” (Mateus 13,55).

José antecipa e vive a palavra de Jesus que “um só é o nosso Pai” (Mateus 23,9). Encarna duma maneira singular esta única paternidade divina (cf. Efésios 3,15). É pai sem exercer a paternidade carnal. Mas é pai para todos os efeitos, porque “ser pai é antes de mais ser servidor da vida e do seu crescimento” (Papa Bento XVI).

Como os antigos patriarcas, também ele recebe as comunicações de Deus através de sonhos (por bem três vezes). Sinal duma vocação singular e duma particular relação com Deus.
José é o último dos antigos patriarcas, mas o primeiro duma nova progénie, daqueles que “não nasceram do sangue, nem do impulso da carne, nem do desejo do homem, mas nasceram de Deus” (João 1,13).

Esta ‘paternidade’ é uma dimensão da vocação cristã. Somos chamados, como José, a adoptar e proteger a vida. Ser fecundos, viver ao serviço da vida, sem apossear-se dela, desprendidos. José nos ensina como se pode amar sem “possuir” as pessoas.
A paternidade/maternidade é um valor que urge descobrir hoje, numa sociedade de “vagabundagem de experiências”, rica em “filhos pródigos” mas pobre de ‘pais’ e ‘mães’ capazes de esperar pacientemente em casa para abraçar tais filhos quando eles regressarem, desiludidos da vida e famintos de amor. Tantas vezes encontram a casa vazia, sem ninguém à espera deles!…

 2. Modelo de JUSTIÇA – Saber “ajustar-se”

O evangelho define José um “homem justo” (Mateus 1,19). Justo porque, sendo “fiel”, “ajusta” a sua vida de acordo com a Palavra do seu Senhor. Mas também porque, sendo “sábio”, é capaz de “ajustar-se” à realidade. Com efeito, quando se dá conta que Maria está grávida, a sua primeira reacção é a de cumprir a Lei (repudiando Maria) mas decide fazê-lo em segredo. Introduz assim um elemento novo, de prudência e sabedoria. Mantém a sua confiança em Maria. Não se deixa levar pela “suspeita”. Porquê? Porque há nele “uma longa frequentação da escuta duma outra palavra que o toca e penetra” (Frédérique Oltra, carmelita).

Sendo “justo”, ele é o “administrador sábio e fiel que o Senhor coloca à frente do pessoal de sua casa” (Lucas 12, 42). José sabe que é “servo” e que deve servir bem. Não basta a boa vontade. Por isso o texto bíblico fala dum homem “sábio e fiel” (Mateus 24, 45). “A inteligência sem a fidelidade e a fidelidade sem inteligência são insuficientes” para assumir a responsabilidade que Deus nos confia (Bento XVI).

Praticar a justiça faz parte da nossa vocação. Ser “justos”, como José. Uma justiça que nos leva a adoptar um comportamento “justo” e a ocupar o lugar “justo” na vida, o do serviço. Uma justiça iluminada pelo amor, “o cumprimento perfeito da Lei” (Romanos 13,10). Um bem que também escarceia hoje. Fala-se muito de justiça mas faltam “homens justos”.

 3.  Modelo de DISCRIÇÃO – Ficar fora da fotografia

José é um homem discreto, uma pessoa reservada. Sempre “fora da fotografia”, como comenta, com certa graça, um autor: “Duas irmãs desfolhavam o novo livro de religião, quando vêem uma pintura da Virgem Maria com o Menino Jesus. – Olha, diz a maior: este é Jesus, e esta é sua mãe. – E onde está o pai? Pergunta a mais pequenina. A irmã pensou por um momento e então exclamou: – Ah, ele tira a fotografia”.

Homem do silencio, os factos falam por ele. Homem da obediência, o evangelho sublinha o perfeito cumprimento das disposições que lhe são comunicadas pelo anjo em sonho (Mateus 1,24). Como diz o Cântico dos Cânticos: enquanto dorme, o seu coração permanece vigilante (5,2).

Esquecido de si mesmo, vive para “o menino e sua mãe” (Mateus 2,13.19). Como João Baptista, considera que é bom que ele mesmo diminua e que eles cresçam. A sua vida pertence-lhes totalmente. E assim, a certo ponto “desaparece”… para não fazer sombra ao filho!

Cada um de nós é chamado a seguir este testemunho. Discretos como José, colocando a nossa vida ao serviço da missão de Cristo. Saber pôr-se de lado, retirar-se atrás dos bastidores. Não é coisa fácil nem evidente. Vivemos numa sociedade que privilegia a “realização pessoal” e o protagonismo. Desde pequenos, concebemos o nosso próprio projecto de vida, o que queremos ser “quando formos grandes”. A vocação implica renunciar a tal sonho humano (como José com Maria) para abraçar o divino. Saber eclipsar-se para que o projecto de Deus se realize em nós!

 4. Modelo de CONTEMPLAÇÃO – Habitar dentro do mistério

José é o santo do silencio, um que não fala nunca. Mas um silencio rico e profundo, que nos desafia. Porquê este silencio? Porque José vive no mistério! Não se trata duma questão de palavras mas de atitude de vida, de toda a sua pessoa.

Diante do facto inesperado – para ele incompreensível e “misterioso”-  de Maria gravida, José pensa de retirar-se, silenciosamente. É a palavra do anjo: “não tenhas medo de receber Maria como esposa, porque ela concebeu pela acção do Espírito Santo” (Mateus 1,20) que introduz José no mistério, como Gabriel fizera com Maria.

“Esta palavra não elimina o mistério, não explica o que realmente aconteceu, nem como. Esta palavra introduz José no mistério que já absorvera Maria. José não está mais na frente do mistério mas dentro. Não é como o povo de Israel em frente da nuvem no deserto, entra dentro da Nuvem, como Moisés ou como os três apóstolos no monte Tabor” (teólogo Borel).

Antes estava “fora” do mistério, de frente a ele, e por isso duvidava e tinha medo. Depois deixa-se conduzir por ele, como Maria após o seu “fiat”. Agora, “dentro” do mistério, mesmo sem compreendê-lo, não pode duvidar dele.

“Entrar” no mistério de Deus é a dimensão essencial de toda vocação. Esta requer a disponibilidade a deixar-se “introduzir” nele. Sem isso, o vocacionado fica “fora” e não encontrará as motivações para viver à altura da sua vocação. Será, na melhor das hipóteses, um bom “funcionário” ou um “mercenário”, e no pior dos casos um “parasitário” ou “servo infiel” (Lucas 12, 46).

 Em conclusão, José não é certamente o homem retratado por uma certa iconografia. Envolvido pelo mistério, no seio duma família que amou e o amava, identificado com a sua vocação de protector do Autor da Vida, exercendo com competência a sua profissão… foi e é UM HOMEM FELIZ!

 P. Manuel João P. Correia (comboniano)

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Questa voce è stata pubblicata il 18/03/2014 da in Fé e Espiritualidade, PORTUGUÊS con tag , .

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Sono un comboniano affetto da Sla. Ho aperto e continuo a curare questo blog (tramite il puntatore oculare), animato dal desiderio di rimanere in contatto con la vita del mondo e della Chiesa, e di proseguire così il mio piccolo servizio alla missione.
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