COMBONIANUM – Spiritualità e Missione

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O presépio do mosteiro


O presépio do mosteiro

Natividade C. 1400Chegou o dia em que a irmã Maria foi ao lugar onde guardam as caixas para construir o presépio do mosteiro. Como não podia trazer as caixas sozinha, pediu ajuda à irmã Maria da Graça.

Estavam com aquele pó, próprio de quem passa um ano sem precisar de ser mexido… guardado à espera do ano seguinte. E logo cuidaram de fazer uma limpeza leve nas caixas… até para não sujarem o hábito. E abriram-nas, conferindo se todas as figuras normais que se colocam num presépio estavam lá… Deviam estar todas – afinal, quem se lembraria de esconder alguma?

De repente, sentiram que uma das caixas estava bastante pesada… era justamente a que tinha a figura do menino Jesus. E a irmã Maria quase não conseguia carregá-la. Mas porque está tão pesada a caixa… com uma figura tão pequena?

Não disse nada! Mas lembrou-se de que aquele menino pequeno a tinha carregado tantas vezes ao colo, aos ombros, e de tantas outras maneiras, que certamente esse peso tinha passado para a figura frágil daquele menino de barro… e sorriu baixinho. E lembrou-se igualmente de que aquele menino não tinha carregado somente o peso da sua vida, da sua alma, das suas desventuras, mas também o das outras irmãs… de todas as do mosteiro que faziam comunidade com ela… e de todas as que já tinham passado por lá… e de todas as que um dia lhe tinham entregue a sua vida e o desejo de se consagrarem a Ele… e de repente, a caixa com o menino Jesus ficou mais leve, e o coração também.

E lá foram as duas irmãs, escadas abaixo, carregadas de caixas com figuras do presépio.

Onde vamos montá-lo? – perguntaram uma à outra.

– No mesmo lugar de sempre? Ali onde já costuma estar todos os anos… é um lugar comum, onde todas passamos nas idas e vindas do nosso quotidiano… e assim temos oportunidade de ver o presépio todos os dias – disse a irmã Maria.

E se o fizéssemos num lugar diferente…? – perguntou a outra irmã. Naquele lugar onde poucas vezes vamos, onde não gostamos de ir tanto… onde até nos esquecemos de ir? E olhando uma para a outra, ficaram a pensar em que espaço poderia ser… em silêncio alguns momentos. Mas não vislumbraram nenhum lugar em especial… afinal, o mosteiro era ele mesmo um espaço onde todas as irmãs estavam… ora aqui, ora ali, desde a cela do silêncio e do descanso à capela da oração e do canto melodioso da liturgia das horas, passando pelo refeitório, lugar da partilha e da refeição agradecida.

Estava difícil escolherem um lugar onde não costumavam ir. De repente, a irmã Maria lembrou-se.

– Sim, já sei. Este ano vamos montar o presépio na hospedaria. Afinal, é na hospedaria, lugar do acolhimento, dos hóspedes recebidos e cuidados, onde a maioria de nós não costuma ir.

A irmã Maria da Graça concordou imediatamente, e o olhar disse-o sem que fosse necessário dizer alguma coisa. Porque lembrou-se de que há dois mil anos aquele primeiro presépio de Belém tinha sido montado num curral de animais porque não havia lugar para eles na hospedaria… e ficou contente… pelo menos este ano Jesus teria o seu lugar na hospedaria do mosteiro.

E lá foram até ao canto da hospedaria onde o presépio ficaria montado. Carregando as caixas com as figuras do presépio.

Figuras temos. Falta-nos um arranjo onde as colocarmos… umas pedras cobertas de musgo, de folhas secas e outras verdes… lembraram-se… Afinal, não temos tudo. E foram pedir ao senhor Fernando, que trabalha na quinta, que lhes arranjasse umas pedras, e que também trouxesse musgo… e que não se esquecesse de uns galhos secos…  E ele lá foi, todo contente, para realizar a tarefa que as irmãs pediram… E viram nele um olhar diferente… um brilho nos olhos… e perguntaram-se, sem dizer nada: o que se passa com o senhor Fernando, que hoje está mais feliz? E logo que ele voltou, perguntaram o motivo da alegria… E ele disse-lhes que um vizinho de quem era muito amigo tinha tido um filho no dia anterior… um menino.

E as irmãs ficaram igualmente felizes porque se lembraram que naquele presépio que estavam prestes a montar naquele canto da hospedaria iriam colocar um menino pequeno, uma simples figura de barro… mas também colocariam o menino recém-nascido filho do vizinho do senhor Fernando e todos os outros… E tantos outros que nascem todos os dias… em tantos lugares do mundo. Escondidos entre lugares de luxo, hospitais e maternidades de topo, e os casebres mais recônditos de países pobres… e colocariam especialmente aquelas crianças a quem retiram o direito de nascer em algum lugar… nem no conforto que o dinheiro proporciona nem na pobreza escondida ou assumida.

E quando pegaram no menino Jesus pequeno e o retiraram da caixa do presépio, frágil, lembraram-se igualmente de todos os frágeis que carregam vidas difíceis. Marcados por doenças terminais. Por situações dramáticas, por faltas de sentido… naquele menino frágil que iria ser colocado no presépio iria também a humanidade de cada pessoa, frágil, ferida, tantas vezes não aceite… incompreendida, não dignificada, crucificada.

A base do presépio ficara pronta… e aquelas pedras toscas, e os galhos secos, e o musgo verde davam um toque especial onde certamente todas as figuras se sentiriam muito bem, mesmo que não o dissessem.

De repente, as duas irmãs, de tão distraídas e compenetradas com a montagem do presépio, nem deram conta de que a restante comunidade tinha vindo assistir à cena. Estavam ali, silenciosas, expectantes, desejosas de dar uma ideia… preocupadas para que não faltasse nenhuma das figuras… que amontoadas nas caixas esperavam que a delicadeza de uma mão as colocasse no seu lugar no presépio.

– Por onde começar? – perguntaram as duas irmãs, uma à outra.

Foi então que a irmã Catarino não se conteve… e saiu do silêncio. E as duas descobriram que, afinal, não estavam sozinhas.

– Acho que devemos colocar em primeiro lugar o burro e a vaquinha.

– Porquê? – perguntou a Irmã Bertila.

– Ora, porque são os únicos que não falam nesta cena do presépio… estão ali em silêncio. Não dizem nada. E devemos pô-los em primeiro lugar para nos lembrarmos de não dizermos muitas palavras durante este tempo de Advento. Nem durante o Natal… e ficarmos mais silenciosas. E contemplarmos mais este mistério tão grande… e sermos mais recetivas a esta contemplação do silêncio de Deus, que neste menino também não diz nada. Apenas chora. E deseja ser cuidado. E amado, acolhido por uma mãe que o deu à luz.

E além disso, porque os silenciosos, os humildes, os que não tem oportunidade de falar, os que passam pela vida mais em silêncio do que no alarido, são os preferidos de Deus. São os pobres sempre à escuta, são os necessitados da escuta da Palavra que se diz e escuta quando a boca se cala e o coração silencia.

O burro e a vaquinha tiveram então as honras de serem colocados no presépio em primeiro lugar.

E agora, qual das figuras vamos colocar? – perguntou a irmã Maria da Graça.

– Olha,  eu acho que deve ser o José – disse, pronta, a irmã Alice Maria.

– Não! Discordou a irmã Lutegarda. Não acho! Devemos colocar agora Nossa Senhora.

– Não concordo. Eu não desisto do S. José… depois do burro e da vaquinha tem de ser ele.

– A irmã Maria do Carmo, temendo que a confusão se instalasse no mosteiro, perguntou à irmã Lutegarda.

– Diga-nos, irmã, porque prefere que o S. José entre agora no presépio?

E a irmã, devagarinho, explicou:

– Porque se trata de um sonhador. E de um justo. Porque o seu coração bom me encanta. Porque a sua figura singela fala-me de tanta proximidade, da escuta de Deus, do cuidado que teve com Maria e Jesus… e porque sonhando, acreditou.

E porque hoje este mesmo José faz-me lembrar todos os sonhadores. De todos os que acreditam mesmo sem saberem como tudo acontece. Lembra-me de todos os “Josés” esquecidos e outros lembrados, que mesmo no sono e no sonho deixam a porta aberta para que Deus fale. Para que se faça compreender. Para serem capazes de perceber os sinais.

Este José de que eu gosto tanto… também sou eu e cada uma de nós… que não perdeu a capacidade de sonhar, de acreditar no mistério da vida. Que assume a vida com todas as consequências e dá tudo de si. Este José cuja figura vamos colocar no presépio é um destemido. Não se intimida quando o obrigam a uma viagem a Belém, com a mulher grávida, para se recensear. Não se intimida quando novamente em sonhos desperta para a urgência de se refugiar no Egito e aí procurar a segurança que a prepotência dos grandes não lhe oferecia.

E todas concordaram.

Claro que a figura de José não poderia ficar sem a sua companheira fiel. Maria. E a irmã Maria da Graça apressou-se a retirá-la da caixa onde estava aconchegada para a colocar ao lado de José. E enquanto se preparava para esse gesto, umas das irmãs, meio escondida entre as outras, Imelda, disse apressadamente.

– Espera um pouco, irmã. Antes de colocarmos a imagem de Maria no presépio, deixa que cada uma de nós a segure por alguns instantes.

Quiserem saber a razão e perguntaram quase em coro. Todos sabiam, mas porque estavam com pressa para fazer doces e bolachas, preferiam acabar logo com a montagem do presépio. Mas a irmã Imelda não desarmou.

– Não. Temos tempo para os doces. Vamos acolher esta Maria que a partir de hoje estará no presépio do nosso mosteiro. E acrescentou:

– Deixemos que esta imagem de Maria nos fale ao coração. Que a sua simplicidade nos toque. Que o toque deste barro frio e já meio gasto nos recorde a sua fidelidade e a graça com que o Senhor a presenteou. Lembremos nesta imagem de Maria que também nós fomos tocadas pela presença do mistério que nos chamou para uma vida de entrega e de fidelidade à Palavra do Senhor, e que essa fidelidade hoje sustenta a nossa consagração. E a irmã continuava:

– A sua presença no nosso presépio não pode ainda deixar de nos recordar que somos mulheres de Deus, que constantemente Ele nos cobre com a sua sombra, que nos pede para permanecermos grávidas da sua Palavra e que de uma forma orante testemunhemos, no silêncio destas paredes e ao toque do sino, a força deste mistério que atravessa os séculos e que continua a sustentar o mundo e a preencher o coração das pessoas.

As irmãs ficaram comovidas com as palavras da irmã Imelda; e em silêncio sentiram-se colocadas também elas, juntamente com a figura de Maria, no presépio do mosteiro.

– Está quase pronto – sorriu, dizendo, a irmã Josefa. Falta a manjedoura para colocarmos o menino. Rebuscaram as caixas à procura da manjedoura mas não a encontraram.

A irmã Bernadette lembrou-se então de um molho de espigas e palha que guardava na sua cela para, em algum momento de criatividade, oferecer mais uma peça de artesanato. E foi buscar… feliz por oferecer o que guardava com tanto carinho para as palhinhas do menino Jesus do presépio do mosteiro.

Entretanto, os pastores ficariam esquecidos numa das caixas, não fosse a irmã Otília a perguntar por eles. Oportunidade para a irmã Rosa se lembrar dos seus tempos de menina, andando pelos campos, vigiando as ovelhas da família. E enquanto se lembrava desses idos felizes da infância, recordou-se também da simplicidade dos pastores do presépio de Belém. Daqueles homens, certamente rudes e mal vistos, que partilhavam a rejeição de todos, mas a quem a música do céu presenteou, como primeiros a receber a grande notícia de que a alegria de Deus estava no meio do mundo, escondida na nudez de um menino aquecido pelo bafo de uns poucos animais.

E do seu coração de simplicidade recordou ainda que as mesmas notas anunciadoras da presença de Deus no hoje da vida continuam a ser oferecidas especialmente aos simples, aos esquecidos e rejeitados pela sociedade, aos proscritos do mundo, aos que sem voz e tantas vezes injustamente julgados recebem dos anjos de hoje a notícia de que Deus os ama preferencialmente.

Estava a irmã Rosa nesta reflexão quando a irmã Bernardete chegou com a manjedoura já pronta… e o menino Jesus descansaria suave e aconchegado entre palhas e sementes de centeio.

Finalmente… podiam colocar o presépio da hospedaria. Até que a irmã Nuno teve uma ideia:

– Olhem, irmãs: antes de colocarmos o menino, vamos fazer uma pequena oração.

E todas, em silêncio, ajoelharam diante do presépio já pronto como quem ajoelha diante do mundo, diante de todas as vidas e de todos os sonhos. Como quem venera todas as profecias e se encanta com todos os mistérios ainda não revelados, nem percebidos, mas já sonhados dentro do peito. E naquele silêncio de joelhos diante do presépio da hospedaria escutavam-se também as hossanas de todos os hóspedes que passaram por aquele lugar, escutavam-se os silêncios de todos os corações aflitos que quiserem procurar refúgio no meio do silêncio, ouvia-se um suave sussurro de tantos orantes que ousaram abrir a porta do coração ao mistério de Deus e se deixaram tocar por esse suave odor da proximidade e da ternura do Absoluto na vida.

A vida do mosteiro regressou ao seu quotidiano. E ninguém se apercebeu de que ainda faltavam os magos, que propositadamente a irmã Maria do Carmo escondera na sua cela. Talvez, no devido tempo, fossem colocados no presépio. A estrela que outrora os guiara desde o Oriente permanecia ali no meio do presépio para ser adorada, já não por aqueles homens buscadores, mas pelos corações silenciosos de umas tantas irmãs que se deixaram iluminar por esse luzeiro maior e lhe consagraram o ser inteiro.

P. Manuel Afonso de Sousa, CSh

http://www.snpcultura.org 12.12.2014

 

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Questa voce è stata pubblicata il 24/12/2014 da in Fé e Espiritualidade, PORTUGUÊS con tag , .

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