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FP.pt 6/2015 – O undécimo mandamento.

Giuliano Mauri, Cattedrale vegetale, Arte Sella, Borgo Valsugana (TN)

A mensagem de Francisco é urgente e clara: para nos salvar, nós, humanos, devemos nos salvar junto com a terra. Há anos eu repito a mim mesmo um mandamento que eu coloco ao lado dos mandamentos bíblicos: “Ama a terra como a ti mesmo”.
A opinião é do monge e teólogo italiano Enzo Bianchi, prior e fundador da Comunidade de Bose, em artigo publicado no jornal La Repubblica, 19-06-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

File Word FP.pt 2015-6 Enzo Bianchi – o undécimo mandamento
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Laudato si’ é a primeira encíclica inteiramente ligada à paternidade do Papa Francisco, uma encíclica dedicada à ecologia ou, melhor, como diz o subtítulo, ao “cuidado da casa comum”. Sobre esse tema, o papa pretende “entrar em diálogo com todos”, não só com os membros da Igreja Católica: Francisco se dirige a todos, como fez João XXIII, papa santo e profeta, com a Pacem in Terris, quando a emitiu dedicando-a “a todos os homens de boa vontade”.

Assim, ele delineia um paralelo entre a trágica ameaça da guerra no início dos anos 1960, “quando o mundo estava oscilando sobre o fio de uma crise nuclear”, e a “deterioração global do ambiente” que estamos provocando, “degradação” já denunciada como “dramática” e anunciadora de uma possível “catástrofe ecológica” por Paulo VI na sua carta apostólica Octogesima adveniens, de 1971.

Isto é, encontramo-nos diante – sugere-nos o Papa Francisco – de uma ameaça para a humanidade comparável à catástrofe nuclear: por isso, a sua advertência ressoa particularmente sincera e urgente.

A reflexão do Papa Francisco prossegue com referências e retomadas de argumentos, com um emaranhado de perspectivas e de questões levantadas que, no entanto, se concentram constantemente em torno de “alguns eixos importantes” que o próprio papa tem o cuidado de elencar, temas que “nunca se dão por encerrados nem se abandonam, mas são constantemente retomados e enriquecidos”: “a relação íntima entre os pobres e a fragilidade do planeta, a convicção de que tudo está estreitamente interligado no mundo, a crítica do novo paradigma e das formas de poder que derivam da tecnologia, o convite a procurar outras maneiras de entender a economia e o progresso, o valor próprio de cada criatura, o sentido humano da ecologia, a necessidade de debates sinceros e honestos, a grave responsabilidade da política internacional e local, a cultura do descarte e a proposta de um novo estilo de vida” marcado por uma sobriedade não deprimente.

Se o ser humano é relação e se a qualidade de vida e da convivência depende da qualidade das relações, hoje estamos cada vez mais conscientes de que o mundo que habitamos também é feito de relações, conexões, diálogos, e que a saúde da Terra depende da sustentabilidade dessas relações.

A modalidade com que o Papa Francisco construiu a encíclica e o estilo assumido fazem parte do próprio ensinamento. Francisco não é um papa autorreferencial que cita apenas o seu magistério ou o dos papas anteriores: certamente, como em todos os documentos pontifícios, há, acima de tudo, a Sagrada Escritura, que é inspiradora, há os Padres da Igreja e o magistério anterior, do Concílio aos papas do último século, mas, às vezes, com escolhas e discriminação eloquentes.

Mas, na Laudato si’, também encontramos citados documentos dos episcopados de todo o mundo: das Américas à Oceania, da África do Sul à Ásia, até a Europa. O papa, portanto, também recorre ao magistério episcopal, como cabeça do colégio ao qual cabe o discernimento e a confirmação na fé.

Esse método de “collecta” das vozes episcopais de diversas Igrejas permite um magistério universal dos bispos unidos ao sucessor de Pedro: esse é um estilo conciliar e, nessa ocasião, revela-se “sinodal”, isto é, justamente um “caminhar juntos”.

Ao lado desse fôlego colegial, também há dados absolutamente novos e surpreendentes. É a primeira vez que, em uma encíclica papal, são citados textos de cristãos pertencentes a outras Igrejas: dois parágrafos apresentam o pensamento e a ação incansável do Patriarca Ecumênico Bartolomeu, chamado no mundo de “patriarca verde” pela sua constante atenção à ecologia. Bartolomeu é um grande amigo e irmão de Francisco, que compartilha com ele uma forte convergência de sensibilidade e “a esperança da plena comunhão eclesial”.

Mas, entre os autores citados na encíclica, deve-se lembrar a presença de um filósofo, aliás, protestante, Paul Ricoeur e as inúmeras referências a pensadores católicos como Romano Guardini e o “suspeito” Teilhard de Chardin. Uma surpresa ainda maior, nesse sentido, é encontrar a referência a “um mestre espiritual, Ali-Khawwas“, místico muçulmano sufi do século XV.

Assim, a encíclica tem um autêntico fôlego católico, ecumênico e capaz de reconhecer a busca e a sabedoria das gentes da terra. Francisco certamente não podia citar todas as “sabedorias” plurais e diversas do Extremo Oriente, mas a inédita abertura a vozes não católicas no magistério alto de uma encíclica ocorreu, sinal de como hoje a Igreja de Francisco põem em prática aquela busca comum e aquela escuta que o Concílio havia indicado como um dos “sinais dos tempos”.

A encíclica é muito ampla, e aqui vou me limitar a ressaltar algumas novidades bastante significativas e não imediatamente perceptíveis, começando pelo seu fundamento teológico.

O Papa Francisco não apenas relê as páginas do Gênesis que narram a criação de todo o cosmos por obra de Deus, mas também o faz como cristão, através do Novo Testamento, e compreende a criação como obra trinitária, ou seja, como obra de Deus cumprida através do Filho, a Palavra, na força do seu companheiro inseparável, o sopro, o Espírito.

O universo não é apenas obra de Deus, mas também é habitado pela presença de Deus, está destinado à salvação, à divinização. Só nesse “sobreconhecimento” da realidade da criação em Cristo, através de Cristo e em vista de Cristo, é possível compreender a vocação humana e a vocação de todo o cosmos que espera a redenção e a transfiguração.

Essa retomada cristão de uma teologia da criação é bastante rara, praticamente desconhecida pelos fiéis, porém decisiva para poder, como diz Agostinho, “adorar a terra” como trono do senhorio de Deus. Certamente, o judaísmo e o cristianismo libertaram o homem da idolatria, da alienação aos elementos celestes e terrestres, desmistificaram a natureza, mas nunca deixaram de olhar para ela não como um simples cenário para o homem, mas como para uma comunidade de criaturas que Deus tinha julgado como realidade “boa e bela”, criaturas que o homem deve guardar, ordenar, proteger, para que a vida floresça e a convivência seja anunciadora de paz e de felicidade, criaturas à espera da redenção em um novo céu e uma nova terra.

Mas sobre esse fundamento teológico o Papa Francisco faz surgir duas exigências que eu considero como eixos sustentadores da encíclica: consciência e responsabilidade.

Consciência da situação-limite a que os nossos comportamentos – individuais, coletivos, políticos, econômicos – levaram a “nossa mãe Terra”; consciência da irreversibilidade de certos processos já desencadeados, da urgência de uma mudança de mentalidade e de ação, da necessidade de fazer frente comum para frear a degradação e inverter a rota. Consciência, também, da espiral perversa iniciada pela “tecnologia, que, ligada à finança, pretende ser a única solução dos problemas” (§ 20).

E responsabilidade: pelo bem comum, acima de tudo. Pela criação que foi confiada ao ser humano “para que a cultivasse e a guardasse”. Não, portanto, para que a dominasse como patrão absoluto, mas a gerisse como “administrador responsável”.

Sim, lendo a Laudato si’ e convergência de testemunhos cristãos de todas as épocas e latitudes, chegamos a sorrir diante das acusações que certos ambientes dirigem à tradição judaico-cristã e à Igreja, considerando-as insensíveis às problemáticas ecológicas ou até mesmo como fomentadoras da barbárie ambiental.

No plano de Deus, como a Bíblia o revela, há como fim a se buscar a harmonia entre humanidade, animais, vegetais e cosmos inteiro: só assim estamos também em harmonia, reconciliados com Deus.

A encíclica não tem medo nem de denunciar fortemente a degradação que se estendeu das relações humanas à relação com a natureza. Assim, mesmo sem propor soluções técnicas, ela oferece intuições de inspiração muito concretas para a política e a economia.

Uma novidade dessa mensagem papal é o fato de ter sabido conjugar o tema da justiça social com o tema da ecologia, até agora tratados de modo separado. Essa conversão de abordagem operada por Francisco mostra como o cuidado da humanidade que precisa de libertação da opressão, da injustiça, da violência, cruza-se sempre com o respeito pela terra, pelo trabalho do homem e pela sua “cultura”, pela salvaguarda da criação.

E paciência se tudo isso pode incomodar aqueles para os quais, como diz o Papa Francisco, “a vida humana pesa menos do que petróleo e armas”.

O texto de Francisco é rico em temáticas e em inspirações, é um grande dom feito à Igreja e à humanidade toda, um dom que relança o anseio de igualdade e de fraternidade, obscurecidas pela predominância de um conceito individualista de liberdade. Mas também é um dom feito à terra, uma resposta à sincera súplica que Alan de Lille, monge do século XII, tinha colocado na boca da terra: “Homem, escuta! Por que ofendes a mim, tua mãe? Por que fazes violência contra mim que te dei à luz das minhas vísceras? Por que me violentas com o arado, para me fazer render o cêntuplo? Não te bastam as coisas que eu te dou, sem que tu as arranques com a violência?”.

A mensagem de Francisco é urgente e clara: para nos salvar, nós, humanos, devemos nos salvar junto com a terra. Há anos eu repito a mim mesmo um mandamento que eu coloco ao lado dos mandamentos bíblicos: “Ama a terra como a ti mesmo”.

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Questa voce è stata pubblicata il 03/08/2015 da in Artigo mensal, Atualidade social, PORTUGUÊS con tag , , .
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