COMBONIANUM – Spiritualità e Missione

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Martin Descalzo: a cara cheia de Sol…

a cara cheia de Sol

Recordava há poucos dias Julián Marias aquele verso do poeta Tennyson em que nos convida a escolher “o lado soalheiro da vida”. A frase encheu-me de luz e pensei que, de facto, a nossa vida, como as ruas da cidade, tem uma face de soalheiro e outra de sombra. Recordei como os homens, instintivamente, sem necessidade de que ninguém os empurre para lá, escolhem sem hesitar o lado do sol nos meses de inverno, e o da sombra nos de verão. Quem é o masoquista que, em plena canícula, escolhe o lado em que o sol bate como fogo?

Em troca, pensei depois, há um número enorme de pessoas que parecem ter escolhido sempre a sombra em pleno inverno. Passam horas a ruminar as próprias dores ou fracassos, em lugar de saborearem as alegrias ou alimentos da esperança; dedicam mais tempo a queixar-se e lamentar-se do que a proclamar a alegria de viver.

Eu sei que há circunstâncias que nos obrigam a andar pela sombra: quando chegam as dores que são inevitáveis. Nesses casos, porém, um homem deveria recordar que, assim como no lado da sombra o sol mete por vezes o seu raio luminoso entre uma casa e outra, também em todas as dores há misteriosos raios de alegria, ou, pelo menos, de consolação.

Se, por exemplo, eu estou doente, é evidente que sofro e que dificilmente posso escapar a dor. Mas a dor não deve levar-me a esquecer que, por exemplo, nesse momento eu tenho sempre algumas ou muitas pessoas que me querem bem e que me querem mais no meu sofrimento, precisamente porque estou doente. Posso então, diante dessa doença, assumir duas atitudes: uma, entregar-me ao meu sofrimento, e assim o consigo duplicar; outra, pensar no carinho com que me acompanham os amigos, e assim reduzo a minha dor a metade.

Quando é que aprenderemos que, até nos momentos mais amargos da vida, temos na nossa coragem possibilidade de diminuir a amargura?

Aconteceu-me há dias uma coisa curiosa, que quero contar aos meus amigos. Estava a ver na televisão a serie Ludwig, e chamou-me a atenção a frase de um dos personagens que explicava que “não conseguia dormir, e inclusivamente, quando adormecia, sonhava que não podia dormir”. Pareceu-me um símbolo perfeitíssimo dos pessimistas. Mas, ao acabar o filme, pus-me a ler um fabuloso livro de Catarina de Hueck, e lá encontrei um parágrafo que dizia exactamente o contrário:

“Uma vez, durante a oração, estava tão fatigada que caía de sono. Nem sequer conseguia ler a Bíblia. Disse então ao Senhor: Já que me deste o dom do sono, dá-me também o dom de ter sonhos bonitos. Tive um sono reparador, admirável, e no dia seguinte pude rezar, pois estava tranquila e podia concentrar-me”.

Achei isto magnífico: uma puritana, uma neurótica, ter-se-ia enfurecido consigo mesma pelo terrível pecado de sentir sono. Teria pensado que ofendia a Deus pelo pecado de dormir na oração. Catarina, porém, sabia que se o sono da preguiça é um mal, o sono do cansaço é também um dom de Deus. Não se irritou pelo inoportuno daquela dormideira, pediu a Deus uns sonhos bonitos. Com Deus, pensava, não é preciso dissimular. Conhece-nos bem, das unhas dos pés aos cabelos da cabeça. Melhor é então colocar-se em suas mãos, dormir e voltar à oração quando tiver regressado o equilíbrio.

Porque não fazer assim na vida toda? Como seria mais agradável a nossa vida (e a dos que nos rodeiam!) se nos atrevêssemos a apostar descaradamente na alegria, se descobríssemos que de cada cem dos nossos ataques de nervos, noventa, pelo menos, vem do nosso egoísmo, do nosso orgulho ou da nossa teimosia.

Todas as coisas do mundo – e a nossa vida também – têm uma face cheia de sol, mas julgamos frívolo confessá-lo, e sentimo-nos mais heróicos dando a impressão de que caminhamos carregados de dores e de problemas espantosos. A tristeza não é certamente um pecado. Por vezes é inevitável. O que, porém, é inevitável e seguramente um pecado é a tristeza voluntária. Não sem razão Dante coloca no mais fundo do seu inferno os que vivem voluntariamente tristes, os que não se sabe por que complexo têm a tendência (ou mania) de ir no verão pelo lado do sol e no inverno pelo lado da sombra.

José Luis Martin Descalzo
Do livro “Razões para a alegria”

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Questa voce è stata pubblicata il 08/11/2015 da in Fé e Espiritualidade, PORTUGUÊS con tag , .

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Combonianum è stata una pubblicazione interna nata tra gli studenti comboniani nel 1935. Ho voluto far rivivere questo titolo, ricco di storia e di patrimonio carismatico.
Sono un comboniano affetto da Sla. Ho aperto e continuo a curare questo blog (tramite il puntatore oculare), animato dal desiderio di rimanere in contatto con la vita del mondo e della Chiesa, e di proseguire così il mio piccolo servizio alla missione.
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