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FP.pt 4/2016 Conhecer Jesus a partir dos não cristãos: um desafio teológico

FP Português 4/2016
Conhecer Jesus a partir dos não cristãos: um desafio teológico
Peter C. Phan
PDF   FP.pt 2016-4 Conhecer Jesus a partir dos não cristãos
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Budistas

A pessoa e a natureza de Jesus como uma forma concreta de viver uma vida verdadeira e plenamente humana.

Nesta entrevista, concedida por e-mail à IHU On-Line, o teólogo vietnamita Peter C. Phan aborda a “pessoa e a natureza” de Jesus como “uma forma concreta de viver uma vida verdadeira e plenamente humana”. Se mais de 2 bilhões de pessoas na Terra se declaram “cristãs”, defende, não é por causa do apelo da Igreja como instituição, “com suas estruturas de poder e seu sistema jurídico”, mas sim por causa da própria “figura de Jesus”. Ou seja, “porque nele encontram um florescimento pleno da vida humana”.

Por isso, além dos Evangelhos, como fonte para conhecer Jesus, e da Tradição, Phan sugere duas outras fontes. A primeira é mais conhecida, mas pouco lembrada: é aquilo que os teólogos asiáticos chamam de “magisterium dos pobres”. Ou seja, os economicamente pobres, mas também aqueles que são “marginalizados por quaisquer motivos, tais como raça, etnia, gênero e orientação sexual, cultura, tradição religiosa”.

Já a segunda fonte chega a parecer paradoxal, mas é justamente sobre ela que grande parte de seus estudos e obras versam profundamente: “as experiências dos crentes em Deus não cristãos (e dos não crentes)” também nos falam de Jesus. Por isso, para Phan, “ser religioso hoje é ser inter-religioso”. Nesse intercâmbio, “nossa fé permanece firme e será intensificada, mas nossa compreensão e as práticas da nossa fé serão desafiadas, corrigidas, complementadas, enriquecidas”.

Peter C. Phan é doutor em teologia pela Pontifícia Universidade Salesiana de Roma e doutor em filosofia pela também pela Universidade de Londres, instituição na qual também obteve outro doutorado em teologia pastoral. Publicou diversas obras sobre vários aspectos da teologia, traduzidos em italiano, alemão, francês, espanhol, polonês, chinês, japonês e vietnamita. É o atual titular da Cátedra Ignacio Ellacuría de Pensamento Social Católico da Universidade de Georgetown. Além disso, já lecionou na Universidade de Dallas, na Catholic University of America de Washington e no Union Theological Seminary de Nova York, dentre outros. Foi homenageado com o prêmio John Murray Courtney, a mais alta honraria concedida pela Sociedade Teológica Católica da América, por seu “extraordinário e distinto êxito em Teologia”.

Em que consiste a unicidade da intimidade filial de Jesus com Deus?

Os quatro evangelhos sempre usam o título “Filho de Deus” ou “o Filho” para descrever quem é Jesus. Essa expressão é usada no Antigo Testamento para se referir aos anjos, ao rei e ao povo de Israel como um todo. Os Evangelhos Sinóticos relatam que Jesus se refere a si mesmo como o Filho (Marcos 13, 32; 12, 6; Mateus 11, 27; e Lucas 10, 22). Também se relata que, em sua oração a Deus, Jesus dirige-se a Deus como “Abba” (meu Pai). De acordo com o estudioso alemão Joachim Jeremias, Jesus foi o primeiro judeu a usar esse termo de familiaridade e intimidade com o qual as crianças chamam seus pais para se dirigir a Deus (Marcos 14, 36), em contraste com o termo mais formal Abbi usado nas orações judaicas públicas. Essa prática de Jesus foi posteriormente evocada para enfatizar a unicidade da relação de Jesus com Deus, exclusiva dele e não disponível a qualquer outra pessoa, e indicativa de sua natureza divina.

Esse argumento para a unicidade da relação filial de Jesus com Deus, baseado em seu uso do “Abba”, não deve, contudo, ser exagerado. O fato de que o relacionamento de Jesus com Deus e de chamar a Deus como seu “Abba” é único, dificilmente pode ser negado. No entanto, mesmo admitindo a verdade da afirmação de Jeremias, não significa que nenhum outro judeu, antes de Jesus e durante a sua vida, nunca tenha usado esse termo familiar para se dirigir a Deus em sua oração privada.

O fato de que Jesus é lembrado por ter usado esse termo em sua oração a Deus não elimina, por si só, a possibilidade de que outros também usaram esse termo em suas orações privadas, mas não registradas. Com efeito, dada a inevitável prática de aplicar a Deus a nossa língua comum sobre as realidades humanas, é muito provável que palavras como “Abba” tenham sido usadas pelos judeus para se referirem a Deus. Além disso, a ocasião em que se relata que Jesus usou essa expressão foi na sua oração privada no Jardim do Getsêmani, a qual ninguém ouviu ou testemunhou e, portanto, o uso do “Abba” por Jesus, nesse caso, é uma reconstrução histórica de Marcos ou de seus informantes de fontes outras que não o conhecimento pessoal, baseado em uma testemunha real do evento.

Além disso, deve-se notar que a maneira como cada pessoa se refere a Deus e O nomeia é inescapavelmente “única” e “exclusiva” dela, mesmo quando as mesmas palavras são usadas. Deus como Mistério infinito e amoroso não pode ser experimentado a não ser de maneiras diversas e únicas por cada indivíduo. Em outras palavras, minha forma de experimentar Deus é tão “única” e “exclusiva” quanto a de Jesus. O ponto aqui não é negar a originalidade e a unicidade da relação filial de Jesus com Deus, mas colocá-la dentro do contexto da experiência humana de Deus e relacioná-la (“relativizá-la”) com esse contexto mais amplo.

Em que, então, consiste a unicidade da relação filial de Jesus com Deus? De acordo com os evangelhos, a intimidade dessa relação repousa na total obediência de Jesus à vontade de Deus. Jesus é o “Filho de Deus”, porque ele obedeceu à vontade de seu Pai, assumindo o papel do “Servo Sofredor”. Como mencionei acima, o título de “Filho de Deus” é dado, no Antigo Testamento, aos anjos, ao rei e ao povo de Israel. No caso de Jesus, esse título está relacionado com o seu papel como Servo Sofredor, para realizar o plano de Deus de estabelecer o reino de Deus e salvar a humanidade.

Em outras palavras, a filiação divina de Jesus – sua relação filial com o Pai – é definida em termos de sua obediência a Deus e de seu papel como Servo Sofredor, e não em termos de sua pré-existência eterna em Deus como o Logos. Esse ponto fica especialmente claro no evangelho de Marcos, embora também esteja presente em Mateus e Lucas. É só no Quarto Evangelho que a filiação divina de Jesus consiste explicitamente em sua eterna coexistência com o Pai e sua geração pelo Pai. Diz-se que Jesus é o único (monogenēs) Filho (Jo 1, 4.18; 3, 16) e que fez uma clara distinção (Jo 20, 17) entre Deus como seu Pai (“meu Pai”) e Deus como nosso Pai (“vosso Pai”).

Por que Jesus é atraente para as pessoas?

O fato de Jesus ter atraído todos os tipos de pessoas ao longo dos últimos 2 mil anos não necessita de ênfase. Atualmente, mais de 2 dos 6 bilhões de pessoas na Terra se declaram “cristãs” – isto é, seguidoras de Jesus. As razões pelas quais esses dois bilhões de pessoas aceitaram Jesus como seu “Senhor e Salvador” são tão variadas e tantas quanto as próprias pessoas. Por mais diferentes que essas motivações sejam, podemos estar razoavelmente certos de que não residem no apelo da Igreja como instituição, com suas estruturas de poder e seu sistema jurídico. (A Igreja tem sido a razão pela qual algumas pessoas se recusam a se tornar ou a permanecer cristãs! Crimes recentes de vários tipos perpetrados pela hierarquia são mais do que uma prova disso.) Pelo contrário, o apelo encontra-se na figura de Jesus mesmo.

Qual é, então, a atratividade de Jesus? Raramente é o Jesus tal como apresentado pelos dogmas cristãos, nas categorias filosóficas greco-romanas abstratas. É, ao invés, o Jesus como narrado nos evangelhos, com seus ensinamentos sobre como viver uma vida plena e verdadeiramente humana, o exemplo de sua vida dedicada ao serviço dos pobres e dos marginalizados até a morte, e seu amor e obediência profundos e incondicionais a Deus. Em outras palavras, as pessoas são atraídas por Jesus, porque nele encontram um florescimento pleno da vida humana. Notemos que não é “felicidade” tal como definida pela modernidade – satisfação autocentrada nas necessidades materiais, psicológicas e até mesmo espirituais – à qual Jesus se refere quando diz que dá “vida abundante”. Muitos dos ensinamentos de Jesus são, na verdade, “palavras duras” que afirmam que uma renúncia total de si mesmo é necessária para sermos seus discípulos. Apesar desse ideal ético altamente exigente, muitas pessoas são atraídas a Jesus, precisamente porque encontram nele uma forma concreta de viver uma vida verdadeira e plenamente humana.

Então, quem é Jesus?

Se quisermos fornecer uma resposta completa e definitiva para essa questão, teríamos que penetrar nos recessos secretos do coração e da alma de Jesus. Essa tarefa não é somente impossível, mas também idólatra. Isto é verdade para Jesus, assim como para qualquer pessoa humana. Nós nunca podemos “definir” uma pessoa, uma vez que, ao fazê-lo, inevitavelmente reduzimos essa pessoa ao status de um objeto.

É interessante que o próprio Jesus pediu certa vez que seus discípulos lhe dissessem o que as pessoas e eles próprios diziam que ele era. Quando Pedro disse que ele era “o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mateus 16, 16), Jesus acrescentou que ele tinha que sofrer, morrer e ressuscitar novamente. Pedro repreendeu-o, ao que Jesus lhe disse: “Afasta-te de mim, Satanás” (Mateus 16, 23). Assim, ao dizer quem Jesus é, devemos estar bem conscientes da inadequação de nossas próprias respostas, incluindo a da Igreja, para que não sejamos chamados de “Satanás” por Jesus!

Tradicionalmente, há duas maneiras de explicar quem é Jesus, uma dizendo o que Jesus é por natureza; e a outra, dizendo o que ele faz. Muitos de nós estamos familiarizados com o modo como o ensinamento oficial da Igreja, especialmente no Concílio Ecumênico de Calcedônia (451), costuma explicar a identidade de Jesus, isto é, empregando as categorias filosóficas de “pessoa” e “natureza “. Então, diz-se que Jesus é uma pessoa (isto é, o Logos ou Palavra de Deus, uma das “pessoas” da Trindade) em duas naturezas, divina e humana, e as duas naturezas estão unidas na pessoa do Logos, nas palavras de Calcedônia, “sem confusão ou mudança, sem divisão ou separação”. Assim, como “pessoa”, Jesus é o Filho de Deus, nascido do Pai e “consubstancial” a ele. Em suas “naturezas”, Jesus é totalmente divino e totalmente humano.

Obviamente, não há nada de errado em fazer uso das categorias metafísicas para afirmar quem é Jesus. De fato, elas nos ajudam a obter uma compreensão mais precisa e ortodoxa de Jesus. No entanto, essas categorias cobram um preço alto, especialmente para a evangelização. Por um lado, elas estão limitadas a uma determinada cultura, isto é, a grega e, portanto, não são facilmente compreensíveis em outras culturas, com sistemas filosóficos diferentes. Existem outras filosofias além da filosofia grega, por exemplo, indiana e chinesa. Elas também são abstratas e a-históricas e, portanto, não movem os corações para seguir Jesus. Por último, elas não são o modo pelo qual os evangelhos costumam nos contar quem é Jesus.

Os evangelhos nos dizem quem é Jesus não por meio da filosofia, nem mesmo por meio da “história” como a entendemos hoje, isto é, como uma reconstrução objetiva do que realmente aconteceu. Em vez disso, eles o fazem contando-nos histórias sobre Jesus, isto é, o que ele fez e disse, e como ele viveu e morreu, para que possamos crer nele e segui-lo. Em outras palavras, se quisermos descobrir a identidade de Jesus, temos que olhar para o que Jesus disse e fez durante seu ministério. Lá encontramos que o centro da mente, do coração e do ministério de Jesus é a regra ou o reino de Deus. Podemos dizer, então, que Jesus é a pessoa que viveu e morreu pelo reino de Deus, e que nos convidou a segui-lo nessa forma de viver e morrer. Assim, dizer quem e o que Jesus é (Cristologia) serve para fazer discípulos. O que esse discipulado implica aqui e agora e para esse indivíduo não pode ser decidido de antemão, mas deve ser descoberto por ouvir a voz do Espírito Santo no indivíduo e na comunidade.

Sem dúvida, essas duas formas de descrever a identidade de Jesus, tecnicamente chamadas de “Cristologia ontológica” e “Cristologia funcional”, respectivamente, não contradizem uma à outra. Não é uma questão de que uma é falsa, e a outra, verdadeira. Pelo contrário, é a questão de qual das duas é mais fiel aos evangelhos e mais apropriada para a pregação da Boa Nova sobre Jesus, e, por causa disso, não há dúvida de que a Cristologia funcional leva vantagem.

Essa forma de afirmar a identidade de Jesus não o reduz a ser simplesmente um “homem”, em detrimento da sua divindade, e de ser simplesmente um “homem para os outros”?

Dizer que Jesus é a pessoa que viveu e morreu pelo reino de Deus não é, de forma alguma, equivalente a dizer que ele é meramente e apenas um homem, em detrimento da sua divindade. Como mencionado acima, Jesus demonstra que ele é o “Filho de Deus” precisamente por ser perfeitamente obediente à vontade de Deus e no cumprimento de seu papel como o Servo Sofredor. Isso é o como ele é divino. E ele é humano não adotando uma natureza humana em abstrato, uma “essência” chamada humanidade, mas por viver sua obediência à vontade de Deus, isto é, cumprindo seu serviço ao Reino de Deus por meio de um corpo e uma alma e um espírito particulares, e dentro de um tempo e espaço circunscritos, dentro de uma história limitada. Isso é o que a humanidade de Jesus, bem como a nossa, significa.

Mais uma vez, dizer que Jesus é um “homem para os outros” não é, de forma alguma, equivalente a negar sua divindade. Pelo contrário, serve para tornar concreta a sua divindade. Os “outros” aqui não se referem apenas aos seres humanos, mas também a Deus. Ser absolutamente obediente à vontade de Deus, ou “ser para Deus” era, para Jesus, ser o “Filho de Deus”.

Como conhecemos esse Jesus, “homem para os outros”?

Para muitos católicos, a resposta tradicional a essa questão é que nós conhecemos Jesus por meio dos ensinamentos do magistério oficial da Igreja, isto é, dos Concílios, dos papas e bispos, que foram resumidos no catecismo, por exemplo, o Catecismo da Igreja Católica. Outras fontes para conhecer Jesus incluem a liturgia, as devoções e as orações, o magisterium dos teólogos, a música e as canções sacras, a arte e a arquitetura sacras, e assim por diante. Em geral, os católicos diriam que nós conhecemos Jesus por meio da Tradição.

Além disso, para todos os cristãos, as fontes normativas para conhecer Jesus são a Bíblia, tanto o Antigo quanto o Novo Testamento, e, em particular, os quatro evangelhos. Os estudiosos da Bíblia têm aplicado vários métodos para determinar, com razoável certeza, o que Jesus disse e fez. Embora os métodos literários e históricos sejam necessários e úteis para estudar a Bíblia, eles só podem fornecer informações sobre o “Jesus histórico” ou, mais precisamente, o Jesus como lembrado e registrado pelos quatro evangelhos, e não o “Jesus da história”, isto é, o Jesus real, que viveu na Palestina há mais de 2 mil anos, e sobre o qual os evangelhos só nos dão um relato parcial e incompleto. Esses métodos podem revelar apenas o mundo por trás e no texto bíblico, mas não podem revelar o mundo diante do texto, que nos chama a entrar para que nos tornemos discípulos de Jesus.

Para descobrir Jesus e o seu significado como “homem para os outros” para as nossas vidas hoje, precisamos combinar a Escritura e a Tradição com uma terceira fonte para conhecer Jesus. Alguns teólogos asiáticos chamam-na de “o magisterium dos pobres”. Por “pobres”, eles se referem, em primeiro lugar, aos economicamente pobres, mas também àqueles que são marginalizados por quaisquer motivos, tais como raça, etnia, gênero e orientação sexual, cultura, tradição religiosa e assim por diante. Todos esses “pobres” são os destinatários preferenciais do amor de Deus, com os quais Jesus permaneceu em solidariedade durante seu ministério. Eles nos ensinam o que Jesus diria e faria hoje ou qual seria o real significado do que Jesus uma vez disse e fez. Na sua pobreza, eles nos ensinam sobre Deus e Jesus aquilo que papas, bispos, padres e teólogos não ensinam e não podem ensinar, porque esses professores comumente não são pobres, segundo qualquer padrão, mas geralmente vivem em conforto, senão no luxo.

Como essa forma de conhecer Jesus esclarece o significado do último grito de Jesus na cruz?

No contexto do magisterium do pobre, podemos entender melhor o grito de Jesus na cruz: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?” (Mateus 27, 46; Marcos 15, 34). Não há necessidade de especular, como alguns teólogos ocidentais fizeram, sobre como, na cruz, o Pai e o Filho, dentro da vida íntima da Trindade, são distanciados um do outro e são reconciliados pelo Espírito Santo. Embora essa teoria possa satisfazer a nossa curiosidade sobre como Deus é um e ainda três (a Trindade), ela deixa escapar a situação concreta e histórica da morte de Jesus. O grito final de Jesus, desesperado e ainda confiante em Deus, deu voz tanto ao mais escuro desespero de bilhões de seres humanos que vivem na pobreza e na opressão, quanto à sua mais profunda confiança de que Deus permanecerá fiel à Sua promessa de libertação e de salvação a eles.

O que essa compreensão de Jesus tem a ver com as outras religiões?

Além das três fontes para conhecer Jesus acima referidas, eu acrescentaria uma quarta: as experiências dos crentes em Deus não cristãos (e dos não crentes). Aqui, vou me limitar aos crentes não cristãos. A razão para a necessidade de entrar em diálogo com os crentes não cristãos é que ser religioso hoje é ser inter-religioso. Assim, ser cristão hoje exige viver, trabalhar, teologizar e partilhar experiências espirituais com os não cristãos. Em termos de Cristologia, podemos descobrir a verdadeira identidade de Jesus somente por meio do diálogo inter-religioso, no aspecto quádruplo recém mencionado. Quem Jesus é para nós ainda permanece como algo a ser descoberto, e consequentemente a Cristologia continua sendo um projeto inacabado e permanente. Essa Cristologia, feita no contexto do diálogo inter-religioso, vai ser muito diferente, embora não necessariamente contraditória, à Cristologia clássica de uma-pessoa-duas-naturezas acima referida.

O diálogo inter-religioso não leva à “ditadura do relativismo”. Por causa desse medo do relativismo, tem sido sugerido que o diálogo inter-religioso deve ser limitado ao diálogo intercultural, isto é, o diálogo sobre o impacto cultural e social de várias religiões e não sobre a sua fé e suas crenças. Porém, os parceiros no diálogo inter-religioso não precisam e não devem delimitar a sua fé nas suas tradições religiosas (no caso dos cristãos, sua fé em Deus, em Jesus e no Espírito, por exemplo). No diálogo inter-religioso, nossa fé permanece firme e será intensificada, mas nossa compreensão e as práticas da nossa fé serão desafiadas, corrigidas, complementadas, enriquecidas pelo aprendizado a partir da compreensão e das práticas dos crentes de outras religiões (e, esperamos, vice-versa).

Pode ser bom lembrar que os cristãos não são os únicos a reivindicar “unicidade” e “universalidade” para o seu fundador, Jesus. O livro hindu “Bhagavad Gita” também reivindica que Krishna é adorado sempre que os outros deuses são adorados, e que o seu ensinamento é a melhor e a única forma de obter a libertação do ciclo de morte e do renascimento. Os budistas estão convencidos de que o Buda mostrou-lhes a melhor e a única forma de alcançar o nirvana, e, embora o próprio Buda não tenha reivindicado ser o “caminho”, mas apenas o dedo que aponta o caminho, e, é claro, não afirmou ser divino, ele não se tornou, com isso, menos atraente para os bilhões de seres humanos, tanto os do passado, quanto os do futuro previsível, como um guia certo para o pleno florescimento humano. Confúcio raramente fala sobre Deus ou o Céu, mas seu ensinamento alimentou a vida espiritual de bilhões de seres humanos em sua busca para alcançar a humanidade completa. Os muçulmanos acreditam que a Palavra de Deus foi revelada ao profeta Maomé, e que, portanto, o Alcorão deve ser a única norma verdadeira e absoluta para todos os seres humanos.

No diálogo inter-religioso essas reivindicações de exclusividade, unicidade e universalidade para a própria religião colidem umas com as outras, mas não devem ser abandonadas. O que se espera que aconteça é que a compreensão dessas reivindicações sejam reavaliadas, refinadas e modificadas, e que talvez as palavras “universalidade”, “unicidade” e “exclusividade”, por causa de sua bagagem colonialista e imperialista, sejam percebidas como não mais apropriadas e úteis para expressar a nossa fé em Jesus, Krishna, o Buda, em Confúcio e no Alcorão. Nesse sentido, uma Cristologia inter-religiosa está ainda para ser feita e emergirá somente do fogo purificador do diálogo inter-religioso.

Nascido no Vietnã, Peter C. Phan emigrou aos Estados Unidos em 1975, como refugiado. Por isso, ele é, por sua própria trajetória, um teólogo que compreende o atual período histórico e também religioso, buscando unir as reflexões orientais e ocidentais. Como exemplo disso, ele foi o primeiro presidente nascido fora dos EUA da Catholic Theological Society of America.

Por IHU OnLine

 

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Questa voce è stata pubblicata il 06/05/2016 da in Artigo mensal, PORTUGUÊS, Vocação e Missão con tag , , , .

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Sono un comboniano affetto da Sla. Ho aperto e continuo a curare questo blog (tramite il puntatore oculare), animato dal desiderio di rimanere in contatto con la vita del mondo e della Chiesa, e di proseguire così il mio piccolo servizio alla missione.
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