COMBONIANUM – Formazione Permanente

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Adão e Eva: Aprender a viver

O Mestre está cá, e chama-te. Bíblia e Vocação
Manuel João Pereira Correia

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Vocação de Adão e de Eva
Aprender a viver

«O mistério do homem só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente… Cristo, novo Adão, revela o homem a si mesmo e descobre-lhe a sua vocação sublime». (Gaudium et Spes, 22. Ver Génesis, capítulos 1-3)

A vocação é a chave do universo. Tudo existe graças ao chamamento de Deus: “Ele envia a luz, e ela vai; chama-a, e ela obedece com tremor. As estrelas brilham alegres, cada uma no seu lugar; Ele chama-as, e elas respondem: «Presente!» E brilham de alegria para Aquele que as criou” (Baruc 3,33-35).

A vida nasce por ‘vocação’. O homem existe por vocação. Viver é responder. Mas na pessoa humana a resposta torna-se consciente e livre. Como aparece claramente na ‘história’ de Adão e Eva. Para reflectir sobre a vocação é preciso partir dali, voltar ao projecto das origens. Mas à luz da nova criação, à luz da Páscoa, do Novo Adão, Cristo Ressuscitado.

A Páscoa é a celebração da vida, a ressurreição da humanidade. É um novo início, uma nova génese, uma nova primavera! O Novo Adão, Jesus Cristo, cujo corpo morto fora deposto na gruta de um jardim, regressa vivo das entranhas obscuras da terra. E aquele jardim de flores murchas embalsamando a morte floresce agora numa explosão de vida, de eterna primavera!

Renasce o Homem, inicia uma nova era! Agora não somos inexoravelmente destinados a percorrer a estrada da morte. Pela primeira vez, deparamo-nos com uma encruzilhada e podemos fazer uma escolha nova e radical: enveredar por um caminho novo, a vereda da Vida, traçada por Cristo, ou «continuar» pela estrada antiga, seguindo como autómatos os traços ancestrais deixados pelas gerações que nos ligam à noite dos tempos, numa cadeia de resignada solidariedade no comum e fatal destino.

«Acorda, ó tu que dormes!» É o grito que ressoa na noite de Páscoa! É a primordial e radical vocação de todo homem e mulher: a Vocação à Vida. Cristo chama-te a assumires nas tuas mãos o teu destino, o de uma vida plena, adulta, responsável! Toma gosto pela vida. Descobre a alegria profunda e duradoura do amor e da amizade. Goza dos sabores autênticos ocultos nas coisas simples e genuínas da vida. Aventura-te por veredas inéditas, traça o teu próprio caminho. Ergue a tua fronte ao vento fresco e puro das alturas. Espaceia o olhar por novos e mais vastos horizontes. Aprende a viver!…

Eis o Homem

«Façamos o homem à nossa imagem e semelhança… Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus Ele o criou; e criou-os homem e mulher». (Génesis 1,26-27)

O homem foi feito segundo o «ícone» de Deus. Esta palavra (eikóna, ícone, imagem) aparece 42 vezes na Bíblia. Mas encontramos apenas três vezes a expressão «imagem de Deus»: aqui e na 2 Coríntios 4,4 e Colossenses 1,15, onde se diz que Cristo é «imagem de Deus». Segundo os antigos Padres da Igreja, Deus modelou o homem olhando para o seu Filho. O Filho é o Modelo: Ecce Homo! É este «ícone» que levamos dentro, desfigurado pelas sucessivas incrustações. Como os dois famosos bronzes de Riace, descobertos há uns quarenta anos no fundo marinho e que, libertados das incrustações de mais de dois milénios, são hoje das esculturas mais admiradas.

Mas por que motivo Deus sublinha «à nossa imagem e semelhança», como que repetindo o mesmo conceito? São Basílio diz que «a primeira (imagem) temo-la pela criação, a segunda (semelhança) obtemo-la por livre escolha». Somos ícone de Cristo, espelho da sua glória. Contemplando-a ou reflectindo-a tornamo-nos a Ele semelhantes. «E nós que, com a face descoberta, reflectimos como num espelho a glória do Senhor, somos transfigurados nessa mesma imagem, cada vez mais resplandecente pela acção do Senhor, que é Espírito». (2 Coríntios 3,18)

Crescer

«Crescei e multiplicai-vos…» (Génese 1,28)

Crescer é a primeira vocação de toda pessoa. Hoje predomina, porém, o complexo de Peter Pan (a personagem literária criada pelo escritor James Barrie em 1902, uma criança que se recusava crescer, refugiando-se numa «ilha» irreal de perene e aventurosa infância).

Hoje difunde-se o infantilismo. Aconchegados no comodismo, embebidos de burguesismo, embriagados pelo consumismo, a droga do nosso tempo, acabamos por renunciar à vida autêntica. Para adoptar uma existência artificial, cibernética, programada e imposta pelos meios de comunicação, verdadeiros patrões do mundo. A nossa sociedade corre o risco de tornar-se semelhante à retratada no famoso filme Matrix (1999), onde o Big Brother transformara o mundo num universo virtual, graças ao gigantesco computador Matrix, ligado ao cérebro dos seres humanos. Ou então como aquela imaginada noutro filme mais recente em que as pessoas renunciam à vida real para escolher e adoptar uma «ideal», escondendo-se atrás da máscara de um robô que vive e actua em lugar deles.

Não há vida autêntica se nos recusamos a crescer, a arriscar, a sair fora de nós mesmos para enfrentar os desafios da vida. O refúgio de uma existência egoísta e acomodada transforma-se facilmente num túmulo. A vida é para ser dada, semeada, sacrificada, senão acaba por murchar nas nossas mãos.

São Francisco, reproposto pelo papa como modelo para o nosso tempo, aos 23 ou 24 anos assumira já sobre os seus ombros a grande tarefa de «reparar a Igreja de Deus em ruínas». À mesma idade, Einstein elaborou a teoria da relatividade… Não podemos esperar a vida inteira para crescer e frutificar. Como dizia um promotor vocacional: «se me perguntas aos quarenta anos qual é a tua vocação, poderia responder-te no máximo qual era!…»

Ser Homem, ser Mulher

«Crescei, multiplicai-vos, enchei e dominai a terra!» (Génese 1,28)

O Novo Adão (de cujo peito aberto nasce a Nova Eva) convida-nos a ser Homens e Mulheres. O crescimento conduz à maturidade e fecundidade. Ser homem, ser mulher comporta acolher, multiplicar e proteger a vida. Ou seja, cuidar da vida em todas as suas formas. A vocação da humanidade, como recordava o Papa Francisco recentemente a propósito de São José, é ser custos (guardião, protector) do Jardim da vida.

«Guardar a criação inteira, a beleza da criação, como se diz no livro de Génesis e nos mostrou São Francisco de Assis: é ter respeito por toda a criatura de Deus e pelo ambiente onde vivemos. É guardar as pessoas, cuidar carinhosamente de todas elas e cada uma, especialmente das crianças, dos idosos, daqueles que são mais frágeis e que muitas vezes estão na periferia do nosso coração. É cuidar uns dos outros na família: os esposos guardam-se reciprocamente, depois, como pais, cuidam dos filhos, e, com o passar do tempo, os próprios filhos tornam-se guardiões dos pais… Fundamentalmente tudo está confiado à guarda do homem, e é uma responsabilidade que nos diz respeito a todos. Sede guardiões dos dons de Deus!»

Infelizmente estamos a tornar-nos uma geração sem mães e sem pais. Faltam mulheres que digam sim à vida, a acolham, sejam mães. Os homens são sempre menos capazes de iniciar os próprios filhos no caminho da vida. Há crise de feminilidade, mas sobretudo de virilidade, nesta época pós-moderna. A tentativa de eliminar o Pai (Deus) está a levar à «morte» a paternidade.

A crise da paternidade acarreta a da virilidade, a perda progressiva da identidade viril, considerada quase como um vírus a debelar. A «filosofia» de um certo feminismo radical e agressivo interpreta a igualdade dos sexos como homologação e a dignidade paritária como permutabilidade. As diferenças seriam artificiais e culturais e, por conseguinte, a eliminar. Nascem assim novas «imagens» de homem, como o metrossexual (o Narciso contemporâneo), o ubersexual e agora heteropolitano, última moda na definição do homem «politicamente correcto»… Assim como outras «figuras» de mulher, como a flexissexual da última moda…

A cultura dominante ataca o acto criador de Deus, que teria criado uma natureza sexuada, homem e mulher, para impor a «ideologia do género», por vezes despótica e agressivamente, através de uma legislação cada vez mais intolerante. A diversidade sexual seria uma simples questão cultural. Para alguns analistas, este será o grande terramoto cultural e sociológico dos próximos trinta anos (Roberto Marchesini, O que os homens não dizem. A crise da virilidade).

Ser responsável

«Então o homem e a mulher esconderam-se da presença de Javé Deus, entre as árvores do jardim». (Génese 3, 8)

Dizem os entendidos nas etapas evolutivas da vida que um adolescente depois dos 12 anos deveria deixar de dizer «não é culpa minha» e assumir a própria responsabilidade. Infelizmente, todos conhecemos muita gente que, adultos de idade, continuam a repetir infantilmente «não é culpa minha».

Esta tendência, na realidade, vem de longe, dos nossos primeiros «pais». «Adão esconde-se para não ter de dar contas da sua vida, para escapar à responsabilidade. Assim se esconde todo homem, porque cada homem é Adão, vive a situação de Adão. Para escapar à responsabilidade dos próprios actos, a sua existência transforma-se num mecanismo de escondimento. Escondendo-se assim e persistindo em ocultar-se “da face de Deus”, o homem desliza sempre e cada vez mais profundamente na falsidade». (Martin Buber)

Foi nesse esconderijo, criado pelo «pai da mentira», que o Novo Adão foi procurar o homem. Agora diante do «túmulo» da nossa falsidade, Cristo Luz, Verdade e Vida, grita como diante do sepulcro de Lázaro: Vem cá para fora!

«Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará.» (Efésios 5.14).


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Questa voce è stata pubblicata il 19/01/2017 da in PORTUGUÊS, Vocação e Missão con tag , .

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