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Noé, construir uma arca: vocação urgente!

O Mestre está cá, e chama-te. Bíblia e Vocação
Manuel João Pereira Correia

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Vocação de Noé
Construir uma arca: vocação urgente!

O dilúvio universal, com Noé e a sua Arca, é uma das páginas mais populares da Bíblia. Trata-se de um texto bíblico rico de mensagem, que continua a alimentar a imaginação, uma imagem particularmente significativa para os tempos actuais, às voltas com a urgência ecológica. (Génesis, capítulos 6-9)

Estamos diante de uma lenda vinda da noite dos tempos? Ou de um facto realmente ocorrido, verosimilmente uma extrapolação a nível universal de um acontecimento local? Seja como for, trata-se de um texto particularmente significativo para os tempos que vivemos, a braços com a devastação ambiental.

Noé e a sua arca…

É também um tema que apaixona pesquisadores e aventureiros à Indiana Jones que se lançam periodicamente em dispendiosas e aventurosas explorações «à procura da arca de Noé». De vez em quando chega a ocupar os grandes títulos de primeira página, sobre uma sua (hipotética) descoberta, algures no cimo do monte Ararat (Turquia) ou nas profundidades obscuras do Mar Negro. Argumento de filmes como «A volta do Todo-Poderoso» (Evan Almighty de Tom Shadyac, 2007, uma das comédias mais caras da história do cinema).

Não faltam até Noés modernos, como um empreendedor holandês que, tendo sonhado com uma Holanda submersa pelas águas, construiu uma réplica exacta da famosa embarcação bíblica. Embora não tenha servido para uma emergência diluviana, veio no entanto a tornar-se um pólo de atracção turística, com um pequeno zoo no interior (senão que arca de Noé seria?), delícia das crianças. Do outro lado do mundo, em Hong Kong, um outro empreendedor construiu um hotel que reproduz a arca de Noé com as dimensões descritas na Bíblia. Ao fim e ao cabo, ambos acabaram por beneficiar do «dilúvio» económico que lhes trouxe a empresa!…

Hoje, como nos dias de Noé…

Na realidade, Noé e a sua arca é uma história que fala de nós e dos nossos tempos! Aliás Jesus utiliza o episódio como paradigmático já para a sua época: «A vinda do Filho do Homem será como no tempo de Noé. Porque, nos dias antes do dilúvio, todos comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca. E eles nada perceberam, até que veio o dilúvio e arrastou a todos. Assim acontecerá também na vinda do Filho do Homem» (Mateus 24,37-39).

Quando Noé saiu da arca, Deus comprometeu-se, em modo solene (disso é testemunha o arco-íris no Céu!), que a humanidade não seria nunca mais destruída: «Como no tempo de Noé, agora faço a mesma coisa: jurei que as águas do dilúvio nunca mais iriam cobrir a Terra; da mesma forma, agora juro que não deixarei inflamar-se a minha ira contra ti e nunca mais te vou castigar )Isaías 54,9). Mas o risco hoje é que seja o próprio homem a destruí-la.

A maldade trouxera o caos sobre a terra, forçando Deus a recriar o mundo. Mas a ameaça do regresso do caos não cessou com o fim do Dilúvio. Deus mesmo comprova que «os projectos do coração do homem são maus desde a sua juventude» (Génese 8,21). Para resgatar a humanidade do tsunami do pecado, Deus enviou Cristo como novo Noé que, com a madeira da cruz, construiu a nova arca da Igreja. Através da Palavra dos seus enviados, Ele convida a todos a encontrar nela refúgio.

Noé empregou cem anos a construir a arca mas ninguém se interrogou porque o fazia. Aos habitantes de Nínive bastaram três dias para advertir a eminência do perigo. Para nós são bem mais de cem, comenta S. Agostinho: «Se calculamos os anos desde quando Cristo começou a cortar, desde a floresta que eram povos pagãos, as árvores… para construir a nossa arca, a igreja, verifica-se que são mais de cem, duzentos, trezentos e muito mais. Sim realmente: muitos anos se passaram e a arca ainda está em construção; Noé grita, a construção grita também. Nada pode enviar homens à perdição, excepto a incredulidade!» (Discurso 114b).

Uma terra ameaçada por tantos dilúvios!

Hoje, talvez mais do que nunca, a terra e a vida são ameaçadas por novos e cada vez mais assustadores dilúvios, devido a uma manipulação perversa da criação que Deus nos confiou. As possíveis proporções de tais catástrofes são cada vez maiores e ameaçam arrastar na avalancha tudo e todos. E não se trata só de catástrofes naturais ou do perigo atómico.

Em virtude da mudança do ecossistema, do inquinamento, do desenvolvimento selvagem, etc., calcula-se que dezenas de milhares de espécies animais e vegetais estão em risco de extinção. Uma extinção que se verifica a um ritmo 1000 vezes superior com respeito ao passado, pondo em perigo a biodiversidade. Com amplas e desastrosas consequências. Tal empobrecimento acarreta, entre outras coisas, um aumento dos agentes patológicos responsáveis pela aparição de diversas doenças.

Hoje fala-se muito (e pouco se faz, infelizmente!) a propósito do aquecimento global do planeta, por causa do efeito estufa, provocado principalmente pelas emissões de anidrido carbónico da nossa industrialização e progresso desregrado que lançam na atmosfera anualmente 27 biliões de toneladas, ou seja, 50 000 toneladas por minuto.

Nos últimos anos, a perda anual de zona florestal tem sido de 52 mil km2, o que equivale a mais de metade da extensão de Portugal. Além disso, a tendência à uniformidade na exploração de culturas empobrece progressivamente a variedade da flora do planeta. Dois exemplos: desde o início do século passado, passámos de 287 variedades de cenouras a apenas 21; de cerca de 500 variedades de alface a apenas 36.

Mas não se trata somente de flores, plantas e animais em perigo de extinção. Povos inteiros estão ameaçados de desaparecer. Calculam-se que sejam uns 300 milhões de pessoas. Como os pigmeus, os boximanes, os índios de América, aborígenes… cerca de 5000 comunidades indígenas, em 75 países, e que constituem os 90 por cento da «diversidade» cultural e linguística do planeta. A «ecologia» antropológica está em risco, ameaçada pela homologação provocada pela modernidade e pelo imperialismo linguístico. Diz-se que pelo menos 3000 línguas das 6000-7000 actualmente existentes desaparecerão até 2100. Alguns falam inclusive de 90 por cento delas, nos próximos 100 anos. A morte de uma língua equivale à morte de um modo de vida, de um sistema cultural, um empobrecimento do património mundial!

Deus à procura de novos Noés!

No fundo, estes dilúvios que ameaçam o futuro da humanidade são desencadeados pelo egoísmo, o interesse, a avidez. Um exemplo eloquente é a crise económica mundial destes últimos anos que está dizimando populações inteiras. Tudo isso devido a uma especulação sem escrúpulos. Dizem os entendidos que a riqueza real (produto interno bruto) mundial chega a 60 000 biliões de dólares, enquanto a nominal (virtual, especulativa, fictícia!) é dez vezes superior!

A terra é a arca, navegando no infinito universo, criada por Deus para acolher a vida. Porque a vida é frágil! Desde a sua concepção precisa de uma «arca» que a proteja e lhe ofereça as condições necessárias para o seu crescimento. Especialmente a vida humana. Acolhida na «arca» do ventre materno, continua na da família e da sociedade. Necessita de um ecossistema que a favoreça: o amor!

Perante o crescimento ameaçador das ondas diluvianas do egoísmo que ameaçam de submergir a nossa sociedade, cada um de nós é chamado a ser Noé, a construir uma arca dentro de si, no próprio coração, para acolher e proteger a vida nas suas diversas acepções.

Segundo a tradição hebraica, o dilúvio é uma figura dos tempos messiânicos, quando se realizará a profecia de Isaías (11,6-9): «O lobo será hóspede do cordeiro, a pantera deitar-se-á ao lado do cabrito; o bezerro e o leãozinho pastarão juntos, e um menino os guiará; pastarão juntos o urso e a vaca, e as suas crias ficarão deitadas lado a lado, e o leão comerá feno como o boi. O bebé brincará no buraco da cobra venenosa, a criancinha enfiará a mão no esconderijo da serpente. Ninguém agirá mal nem provocará destruição no meu monte santo, pois a Terra estará cheia do conhecimento de Javé, tal como as águas enchem o mar» (ou seja, o dilúvio da graça messiânica!). Precisamente o que ocorreu na arca de Noé.

Não é casual certamente que, fazendo as contas, o tempo passado na arca durou cerca de nove meses, o tempo de gestação de uma criança, uma vida nova. Fala-se de águas, abre-se a arca, que é como uma placenta, há um parto e nasce uma nova humanidade.

Hoje deparamos frequentemente com a tentação de fazer do nosso coração uma fortaleza, ou até um bunker impenetrável, de donde partem eventualmente balas para matar ou o abutre para se alimentar das carcaças dos mortos. Sê como Noé! Faz do teu coração uma arca para acolher e promover a vida, e dela enviares a pomba da Paz!


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Questa voce è stata pubblicata il 27/01/2017 da in PORTUGUÊS, Vocação e Missão con tag , .

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