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Abraão: Viver de esperança

O Mestre está cá, e chama-te. Bíblia e Vocação
Manuel João Pereira Correia

Vocação de Abraão.jpg

Vocação de Abraão
Viver de esperança

O cristão é chamado hoje a «dar razão da sua esperança» (1 Pedro 3,15). Só uma vida vivida na perspectiva da promessa, como Abraão, pode ser testemunha da grande esperança e acendê-la no coração dos demais! (Génesis, capítulos 12-20)

A vocação de Abraão é narrada no capítulo 12 do livro do Génesis. Trata-se de um novo capítulo da criação, o início do «Povo de Deus». Tudo começa com uma palavra dirigida a Abrão: Lek leka, «sai!». Uma palavra que é um imperativo e a condição de uma tríplice promessa: o dom de um povo, de uma terra e de uma bênção.

No princípio, a promessa

Tal palavra, Lek leka, faz sair Abrão da sombra do anonimato em que vivia. Não se diz porque Deus o escolhe. Abrão era um pagão, um homem qualquer. Mas era uma pessoa disponível. Obedece sem pronunciar uma palavra. Noutras vocações reconhece-se ao chamado o direito a hesitar e perguntar. Abrão, porém, não hesita nem faz perguntas. Parte, mesmo antes de saber aonde ir. Deus revelará a meta. É andando que o crente vai descortinando o caminho. Arrancado à família e à terra, inicia uma vida nova, aos 75 anos. Embora os números bíblicos sejam frequentemente simbólicos, este significa de todos os modos que Abrão era um homem avançado em idade.

Lek leka poderia significar literalmente «vai por ti», ou «parte em direcção a ti mesmo». Alguns Padres da Igreja interpretam esta «saída» como itinerário de fé, um «sair de si mesmo». Para conhecer a própria intimidade mas também a de Deus.

Abrão – como todo homem – tinha as suas aspirações, um sonho a realizar: ser pai. Um sonho que ele levava no nome que lhe fora dado pelos pais: Abrão, ou seja «pai de um povo». A vida, porém, é cruel por vezes e ri-se dos nossos sonhos. Abrão casou-se com Sarai, a «Princesa», muito bonita (Génesis 12,10) mas estéril. Um sonho frustrado significa uma existência fracassada. Uma vida sem um sonho é uma vida sem valor e sem sabor.

Deus intervém na vida de Abrão com uma promessa concreta: realizarei eu o teu sonho! Embora todas as condições pareçam adversas. Porque nada é impossível a Deus (Génesis 18,14). É a força desta promessa a lançar Abrão ao caminho.

Deus encontra todo homem em situação de necessidade. Na origem de toda vocação, de uma maneira ou de outra, existe sempre uma promessa. É ela que dá um sentido à vida! O Senhor revela-se antes de mais como «o Deus das promessas»!

Viver de esperança

Abrão passa a viver de esperança. Dia após dia, um mês atrás do outro, por anos a fio! Toda a sua vida, depois de ter recebido a promessa de Deus.

Todos sentimos necessidade de esperar. Vivemos de esperança! É uma das maiores motivações da vida. Dizemos até que é a última a morrer.

Há três tipos de esperança

Há a esperança «microscópica», que tem que ver com as pequenas coisas da nossa vida, motivação das decisões do dia-a-dia.

Há também a esperança «macroscópica», que pode nortear toda uma vida, levando-nos a lutar por grandes ideais, como o de um mundo mais justo e fraterno.

E existe a esperança «telescópica». Esta perscruta os céus para contemplar as estrelas. É a grande Esperança, capaz de olhar para o alto e de ver ao longe. Ela conduz-nos «fora» de nós mesmos e rasga os nossos horizontes estreitos. É a essa a esperança que é chamado Abrão: «Depois Javé conduziu Abrão para fora, e disse-lhe: Ergue os olhos ao céu e conta as estrelas, se puderes. E acrescentou: Assim será a tua descendência» (Génesis 15,5). A esta esperança somos chamados também nós.

Hoje sente-se a falta de grandes esperanças, que sejam janelas abertas aos vastos e infinitos espaços. É que a esperança tornou-se objecto de mercado no mundo hodierno. Oferecida pelos spots publicitários. Vendida por gurus e curandeiros. Prometida pela miragem de uma ciência capaz de resolver todos os males.

Uma esperança diferente

Mas hoje, talvez mais do que nunca, a gente, desiludida, experimenta a necessidade de uma esperança diferente, que não engane. O problema é que faltam pessoas capazes de viver e de transmitir tal esperança.

Não há esperança para os que «nasceram cansados». Aqueles que procuram o conforto, fogem da canseira, que se queixam de tudo e de todos, arrastam o passo e acabam por cair numa profunda apatia pela vida. Para estes a esperança é uma ilusão.

Não há esperança para os folgazões. A quem interessa só o divertimento, gozar da vida, desfrutar das suas oportunidades para dela tirar todo o prazer. Estes não estão interessados na esperança porque não querem investir nada no futuro. Pretendem tudo no imediato. Vivem alienados no presente.

A esperança acende-se nos corações «insatisfeitos», que desejam «mais e melhor», capazes de entusiasmar-se e de lutar por um ideal e que por isso decidem investir no futuro. Por vezes são considerados um pouco loucos. Mas são estes os que acendem a chama da esperança nos corações. Uma chama resistente às intempéries. Diz S. Agostinho: a esperança é como a chama de uma tocha acesa… Se a mantivermos erguida, a chama sobe para o céu; se a inclinamos, a chama continua a subir para o céu. Se a viramos para baixo, acaso a chama se voltará para o chão? Seja qual for a posição da tocha, a chama não conhece outra orientação senão a de virar-se para o céu.

O desafio da esperança

A esperança, porém, é um grande desafio. Caminha por carreiros pedregosos. Depara com dificuldades e navega frequentemente entre escolhos. Exige coragem. Muita coragem até, às vezes.

Veja-se o que aconteceu com Abrão. Os anos passavam e a promessa tardava a cumprir-se. Depois de dez anos de espera, já com 85 anos, decide «dar uma mão» a Deus, acolhendo a proposta de Sarai, segundo os costumes da época, de ter um filho da escrava Agar. Nasce assim Ismael, «o filho da escrava» (Génesis 16).

Deus «espera» 14 anos mais, antes de se manifestar de novo e renovar a sua promessa a Abrão, agora com 99 anos. Já conformado com a sua sorte, Abrão contentar-se-ia com Ismael mas Deus insiste e aumenta até a aposta: «Serás pai de muitas nações. E já não te chamarás Abrão, mas o teu nome será Abraão, pois farei de ti o pai de muitas nações. Eu tornar-te-ei extremamente fecundo. De ti farei surgir nações, e de ti nascerão reis» (17,4-6).

A reacção de Abrão, com um certo traço de decepção e amargura, é bem compreensível: «Abraão caiu com o rosto por terra e começou a rir, pensando: “Será que um homem com cem anos vai ter um filho, e Sara, que tem noventa anos, vai dar à luz?” Abraão disse a Deus: “Ficarei contente se conservares Ismael vivo”. Deus porém respondeu: “Não! É Sara quem vai dar-te um filho: dar-lhe-ás o nome de Isaac”» (17,17-19).

Os escolhos da esperança

Deus põe a nossa esperança à prova. Através do tempo, do silêncio e da cruz. Estes podem tornar-se os grandes escolhos onde a esperança pode vir a naufragar.

O primeiro escolho a vencer é o tempo. Deus avança por vezes a passo de caracol, sem pressa. Não é de admirar, dado que para o Senhor «mil anos são como um dia e um dia como mil anos» (2 Pedro 3,8). Mas não é assim para o homem! No nosso frenesim, desejaríamos ver realizadas as promessas de Deus sem demora. A promessa requer que se aprenda também a esperá-la. Na realidade, não é Deus que necessita do tempo mas nós próprios, devido à dureza do nosso coração, «tardo a crer na palavra dos profetas» (Lucas 24,25).

O segundo escolho é o pesado silêncio de Deus. Basta pensar nos longos anos em que Deus permanece silencioso com Abrão, quase como se o tivesse esquecido. Abrão continua a sua vida nómada guiado simplesmente por uma promessa. A fé não é uma opção feita uma vez por todas mas a renovar cada dia. Deus educa e purifica a fé do crente não só pelos sinais da sua presença mas também através da sua aparente «ausência».

Mas o maior obstáculo é sem dúvida a prova da cruz e a morte. No caso de Abraão trata-se do convite a «sacrificar» Isaac, o filho da promessa (Génesis 22). Para outros, poderia ser o desmoronar-se de quanto dava sentido à existência. Na vida de um missionário, talvez a destruição do fruto do esforço de toda a sua vida apostólica. Por outras palavras, o Senhor convida o crente a «renunciar» à promessa para encontrar só em Deus o sentido da própria vida!

É este o momento da maturidade da esperança. Se Abraão no começo da sua caminhada vocacional tinha sido convidado a sacrificar o seu passado em virtude de uma promessa, agora é chamado a sacrificar o futuro, e sem promessa alguma. No fim, Abraão receberá Isaac de volta mas como puro dom de Deus. A promessa do Senhor será sempre gratuita. É o estranho, imprevisível e incompreensível agir de Deus, «o escândalo da esperança» (Davide Turoldo).

De uma vida de projecto a uma de esperança

Todo homem gosta de projectar a sua vida. «Projectar» (do latim [pro] diante [jacere] deitar) significa tomar nas mãos a própria vida e lançá-la (jectar) diante de si (pro). Edificar a própria existência segundo um «projecto» por nós concebido.

Viver de uma promessa significa algo completamente diferente. A «pro-messa» é algo que me é posto diante («pro-meter», do latim promittere). Viver segundo uma promessa é viver em resposta ao que alguém coloca diante de nós. Atrás do projecto há o desejo do homem de gerir a sua vida segundo os seus sonhos e contando com as próprias forças. A promessa invés é o projecto que Deus me põe diante e que eu acolho como uma vocação, renunciando ao meu projecto pessoal.

O cristão é chamado hoje a «dar razão da sua esperança» (1 Pedro 3,15). Só uma vida vivida na perspectiva da promessa, como Abraão, pode ser testemunha da grande esperança e acendê-la no coração dos demais!


 

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Questa voce è stata pubblicata il 03/02/2017 da in PORTUGUÊS, Vocação e Missão con tag , .

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