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“Fátima – Lugar sagrado global”

“Fátima – Lugar sagrado global”: Quem pensa que fé é irrelevante não está atento ao mundo, afirmam autores

Capa | D.R.

Quem mantém a «crença na irrelevância das fés religiosas não tem prestado atenção ao que se tem passado no mundo nas últimas décadas», consideram José Eduardo Franco e Bruno Cardoso Reis, que assinam o livro “Fátima – Lugar sagrado global”, lançado  pelo Círculo de Leitores.

«A relevância de estudar Fátima vem da riqueza do fenómeno em múltiplas dimensões. Vem do facto de ser um dos principais centros de peregrinação católica a nível mundial e um dos mais importantes e reconhecidos santuários marianos a nível global. Vem tam­bém do impacto real que teve na transformação da geografia do catolicismo português, afirmando‑se como a sua verdadeira capital», sublinha a introdução do volume, enviada ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

A opção dos historiadores «foi conjugar uma análise mais histórica e outra mais teológica, abordando o tema a partir da dimensão antropológica dos estudos da religiosidade e da análise do seu forte impacto na vida nacional e internacional. É a conjugação destes vários elementos que faz de Fátima um lugar sagrado nacional, mas também global e, portanto, um objeto de estudo rico e controverso».

«Não queremos deixar de dizer algo a respeito dos que defendem que em Fátima nada há para analisar, mas sim para denunciar, pois ter‑se‑ia tratado de um embus­te clerical. Esta não é uma obra apologética, mas também não é um libelo acusatório. Procura perceber Fátima, e inclusive o discurso contra Fátima, em toda a sua complexi­dade. Há contradições e limitações nos testemunhos dos jovens camponeses», assinalam os autores.

Se a vontade de adulterar os testemunhos tivesse prevalecido, «porque não se teriam simplificado as coisas? Para quê arrastar a questão durante meses aumentando o risco de que algo corresse mal? Sobretudo, que sentido faria escolher três crianças e não apenas uma que fosse facilmente industriada, criando a possibilidade de surgirem contradições entre elas?»

José Eduardo Franco e Bruno Cardoso Reis recordam que «é o insuspeito cónego Formigão, um dos mais importantes defensores e divulgadores de Fátima, que nota, nos seus interrogatórios aos jovens camponeses a partir de outubro de 1917, que, embora lhe pareçam sinceros, eles têm uma formação religiosa muito básica. Por exemplo, Lúcia chega a afirmar que Nossa Senhora é mais poderosa do que Deus».

«Mas de nada disto retiramos que Fátima seja uma fabricação ou uma fraude delibera­da, até porque não podemos presumir tal sem provas. O que vemos aqui são sinais de que os documentos primários da época e a ação dos jovens camponeses e dos padres que começaram a recolher os seus testemunhos na altura dos eventos são genuínos. Se hou­vesse manipulação, esses documentos dos primeiros interrogatórios, que estão no arqui­vo do Santuário de Fátima, teriam sido conteúdo fácil de alterar ou eliminar», apontam os investigadores.

Se a vontade de adulterar os testemunhos tivesse prevalecido, «porque não se teriam simplificado as coisas? Para quê arrastar a questão durante meses aumentando o risco de que algo corresse mal? Para quê escolher pobres campo­neses analfabetos com as limitações de formação religiosa que apontámos? Sobretudo, que sentido faria escolher três crianças e não apenas uma que fosse facilmente industria­da, criando a possibilidade de surgirem contradições entre elas?».

«Se os nossos leitores têm fé no que se passou em 1917 ou depois, essa é outra questão», embora seja «fácil de perceber que, para um descrente, ou para aqueles crentes com uma fé mais intelectualizada, seja impossível ou difícil acreditar no que se passou em Fátima», referem os autores.

Fátima está longe de ser uma simples fraude. Se o fosse, já há muito teria sido provada. É uma complexa questão de fé que merece ser estudada sob vários ângulos

Um dos objetivos do volume é ajudar os leitores a perceber, apesar das «reservas» eventuais, «que Fátima é indispensável para perceber o catolicismo em Portugal e no mundo, sendo muito importante para compreender a história de Portugal e mesmo a história global do sécu­lo que passou» e, portanto, do mundo de hoje.

«Não se trata nesta obra de se ser de uma forma consistente a favor ou contra Fátima nas suas múltiplas configurações», mas «oferecer uma análise honesta e diversificada de Fátima, em alguns aspetos dessa multiplicidade», explica a introdução.

Os textos que compõem o livro partem de dois princípios orientadores: «O pri­meiro é que Fátima está longe de ser uma simples fraude. Se o fosse, já há muito teria sido provada. É uma complexa questão de fé que merece ser estudada sob vários ângulos. O segundo é a rejeição do preconceito de que as religiões são uma superstição irrele­vante na época contemporânea e que, portanto, não se justifica o seu estudo sério».

«Quem ainda mantém essa crença na irrelevância das fés religiosas não tem prestado atenção ao que se tem passado no mundo nas últimas décadas. Estaline terá perguntado aos seus congéneres aliados, que se mostravam preocupados em manter uma posição favorável ao papado durante a II Guerra Mundial, quantas divisões militares tinha o papa. Ora, o papado continua de pé hoje e foi a URSS de Estaline que entrou em colapso», lembram José Eduardo Franco e Bruno Cardoso Reis.

«A religião, não só no passado mais ou menos distante, mas no presente e no futuro, é demasiado importante para ser deixada de lado pela história contemporânea ou pelo estudo político e das relações internacionais e, por maioria de razão, pelas chamadas ciências da religião»

Este exemplo demonstra que «subestimar o poder das ideias e das convicções e olhar apenas para o poder na sua dimensão pura­mente militar é algo que cada vez tem menos defensores, até no campo da estratégia política e militar. Foi este erro que Fátima tornou manifesto com a sua inesperada apa­rição no palco da história nacional e mundial numa era de guerras globais, mas também de choques entre convicções religiosas e convicções laicas».

Para os investigadores, «a religião, não só no passado mais ou menos distante, mas no presente e no futuro, é demasiado importante para ser deixada de lado pela história contemporânea ou pelo estudo políti­co e das relações internacionais e, por maioria de razão, pelas chamadas ciências da religião».

Repleto de imagens, o livro, que para o historiador António Matos Ferreira é um «repositório» que se poder tornar uma fonte de consulta dos factos e do contexto histórico associado a Fátima, divide-se em três capítulos: “Contexto e (re)conhecimento”, “Afirmação e globalização” e “Aparições e perceções”.

Bruno Cardoso Reis é investigador no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e no Centro de Estudos de História Religiosa, da Universidade Católica Portuguesa, sendo autor de publicações sobre temáticas de história e relações internacionais, nomeadamente “Salazar e o Vaticano”, que lhe valeu os prémios Vítor de Sá de História Contemporânea e Aristides de Sousa Mendes de Relações Internacionais.

José Eduardo Franco, doutorado pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, de Paris, coordenou vários projetos de investigação, entre os quais o Arquivo Secreto do Vaticano. Publicou estudos sobre os jesuítas e o marquês de Pombal, tendo sido um dos coordenadores da edição da obra completa do padre António Vieira, editada também pelo Círculo de Leitores. Foi distinguido em 2015 com a medalha de Mérito Cultural, atribuída pela Secretaria de Estado da Cultura.

SNPC
Publicado em 20.04.2017
http://www.snpcultura.org

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Questa voce è stata pubblicata il 10/05/2017 da in Fé e Espiritualidade, PORTUGUÊS con tag .

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