COMBONIANUM – Formazione e Missione

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O Pão do Domingo da Santíssima Trindade (B)

Domingo da Santíssima Trindade (B)
Homilia do Pe. José Tolentino Mendonça

s. Angelo in Formis, Affreschi del XII secolo, Capua (CE)

A forma perfeita da comunhão

Queridos irmãs e irmãos
Celebramos hoje a grande solenidade da Santíssima Trindade. Muitas vezes, o mistério da Santíssima Trindade é expresso numa linguagem filosófica que mais parece um daqueles problemas insolúveis da matemática. Como é que Deus é único e ao mesmo tempo é trino? Como é que Deus é uma única natureza em três pessoas distintas? Como é que se articula a singularidade e a unicidade de Deus com esta tripartição de Deus pela pessoa do Pai, pela pessoa do Filho e pela pessoa do Espírito Santo?

É sem dúvida um mistério. E nós temos de aceitar que o mistério é mistério. Sentimos isso muitas vezes na nossa vida: que a nossa razão toca apenas a fímbria, a borda do manto de um mistério que é muito maior do que a nossa razão e do que a nossa própria existência. O mistério de Deus está para lá daquilo que podemos pensar, dizer, medir, calcular, compreender. Deus é também incompreensível, Deus é também incognoscível, Deus também é secreto, é segredo, é silêncio.

É importante abraçarmos isso, sem medo e sem suspeita. É importante abraçarmos isso com amor e com confiança, abraçarmos o que não entendemos, mas abraçarmos. Porque, o homem não é a medida de todas as coisas e a nossa pequena razão não é a chave de entendimento para o Universo. Nós somos apenas fragmentos, partículas, pequenas existências. Aquilo a que somos chamados é a contemplar, a aceitar, a buscar uma relação. Porque uma coisa é compreender, outra coisa é conseguir uma relação.

Nós temos isso até porque o mistério vem ao nosso encontro. Temos a possibilidade de construir uma relação de confiança, de fé, de amor com uma realidade, uma verdade que é tão maior do que nós e que nós nunca conseguiremos abarcar, esgotar completamente nos nossos conceitos, nas nossas definições. Deus é, por isso, incognoscível, está para lá, por detrás, tão para lá das nossas imagens e das nossas palavras.

Porventura, o discurso verdadeiro sobre Deus é um discurso negativo. Negativo no sentido de: sem atributos, sem imagens. É, como diz a tradição cristã, um discurso despido de qualquer imagem ou sinalização. A teologia negativa é a teologia dos místicos, é dizer: “Deus é o que eu não sei. Deus é um não sei quê. Deus é um silêncio. Deus é uma presença que eu não consigo descrever.”

A aceitação disso acaba por ser uma coisa muito grande na nossa vida, dá-nos também um sentido muito grande da nossa própria realidade e faz-nos aceitar a nossa pobreza com uma grande liberdade, com um grande desprendimento.

Mas Deus, sendo difícil de entender, é muito fácil de entender. Há que dizer, também nesta solenidade da Santíssima Trindade, que o mistério da Santíssima Trindade é fácil, é fácil. Qualquer um de nós pode chegar lá, qualquer um de nós pode entendê-lo. Porque se Deus é amor, Deus não pode ser uma solidão, tem de ser uma comunhão. Se Deus é amor, Deus não pode estar sozinho, porque se nós dizemos que a nossa vida é amor, não podemos estar sós. Temos de ser nós, tem de haver o eu, e tem de haver outras coisas, outras pessoas, outras existências, outras formas na nossa própria vida.

E quantas formas há de haver? A forma perfeita da comunhão, aquela que é o símbolo de toda a comunhão é o ‘três’. Porque nós podemos amar-nos a nós próprios e é um dever, e é uma arte que temos de aprender a vida inteira, amarmo-nos a nós mesmos, mas o amor que dedicamos a nós próprios é um amor incompleto, é um amor que precisa de outro amor, precisa de outra complementaridade.

E encontramos isso no ‘dois’, quando amamos o outro. Quando o amante, o amigo realizam essa forma de amor, de amizade. Isso é uma forma de encontro, é uma forma de amor, é uma forma de plenitude que é fundamental. Porque todo o coração aspira por esse lugar que há no coração do outro. E essa busca do amor, a busca da amizade, a busca de uma relação privilegiada faz parte das ânsias mais profundas do nosso coração. De maneira que é muito natural que o ‘um’ anseie pelo ‘dois’. Mas, ao amor do ‘dois’ é sempre um amor especular, é um amor que é uma espécie de espelho, é o amor onde me revejo, é o amor onde eu procuro uma retribuição, onde eu procuro uma equivalência, uma reciprocidade, uma paridade. Essas são as características do amor do ‘dois’.

Então, o amor do ‘dois’ ainda é incompleto. O amor do ‘dois’ só se completa quando é capaz de integrar o ‘três’. E o ‘três’ traz outras coisas para dentro do amor e torna a comunidade do amor uma comunidade perfeita, uma comunidade parecida à Trindade. Porque o outro é o estranho, é o diferente, é aquele que não entra na relação de reciprocidade ou de paridade, mas que eu acolho numa forma de radical hospitalidade, de radical amor. E quando nós somos capazes de integrar o terceiro, então nós sabemos o que é o amor.
Hoje as nossas sociedades vivem a recusar o terceiro. Nós vemos, por exemplo, com os imigrantes. Nós somos cidadãos, temos os nossos papéis, os nossos impostos, está tudo bem. Mas quem não tem papéis, e é mulher, e é homem, e está sobre esta terra, como é que faz? O que é que vai ser dele? Nós temos uma dificuldade muito grande de integrar o ‘três’, aquilo que outro mais outro significa. Temos essa dificuldade na nossa vida concreta.

Por exemplo: muitas vezes reduzimos a família a um clube de egoísmo. Esgotamos o nosso amor na nossa família. Isso é tão pobre, tão pobre. Porque uma mãe que é só mãe dos seus filhos é tão pouco mãe. E um pai que é só pai dos seus filhos é tão pouco pai. E um irmão que é só irmãos dos seus irmãos é tão pouco irmão.

Se nós não somos capazes de aliar terceiros, três, nós não sabemos o que é o amor trinitário. Sabemos o que é o amor a dois, não sabemos o que é o amor trinitário. E o amor trinitário é este amor misterioso, este amor maior, este amor que me leva para lá das minhas fronteiras, para lá até daquilo que eu preciso, deste dar e deste receber. O ‘três’ faz do amor um jogo completamente diferente, que é um jogo de hospitalidade gratuita. Amar por amar, ponto final.

E esse é o amor de Deus, é o amor de Deus. Este amor que nós temos de contemplar, adorar e fazer dele a chave da nossa vida. Um cristão tem de ter o número ‘três’ como o número sagrado.

S. Cecília (há uma escultura belíssima dela, é uma das grandes peças do barroco) foi degolada e ela está vendada. Naquele momento da degolação ela está a fazer a confissão de fé. E a confissão de fé é fazer ‘três’, ‘três’.

Se nós não somos capazes de fazer ‘três’, de dizer: “A minha fé é ‘três’, a minha vida é ‘três’.”… Porque a fé não é uma coisa e a nossa vida é outra. A nossa vida é ‘três’. Para nós o número ‘três’ é o objetivo, é aquilo por que nós temos de lutar. A nossa vida fica uma vida pobre e inacabada se nós não experimentamos o amor do ‘três’: a capacidade do amar por amar, da hospitalidade gratuita, ir além do amor (que é a nossa obrigação e a nossa felicidade e tudo) mas buscar um outro amor. Aquele amor que nos obriga a andar pelas ruas e a acolher os pobres, aquele amor que nos ajuda a acolher mais um, a integrar mais um na nossa vida, na nossa mesa, no nosso trabalho, no nosso dinheiro, no nosso tempo.

Esse é o amor de Deus. Todos são o amor de Deus. Mas esse ‘três’ dá-nos uma medida muito exata daquilo que é a Santíssima Trindade.

Queridos irmãos, a Santíssima Trindade não é um conceito filosófico que lembramos uma vez por ano, a Trindade é a nossa forma de viver, é o nosso estilo de viver. Um cristão, se tem de morrer por alguma coisa tem de morrer por ‘três’, por ‘três’, por este amor que é um amor trinitário, e que representa aquilo que a nossa vida pode ser na sua plenitude.

Hoje vamos celebrar com a Leonor os ritos de iniciação cristã. Ela vai receber o sacramento do Batismo, o sacramento da Confirmação e o sacramento da Eucaristia. É um momento de graça para a nossa comunidade. Eu estava ali a acolhe-la à porta e a fazer-lhe estas perguntas, e confesso que as lágrimas vieram-me aos olhos porque aquilo que se diz à entrada é: “Esta vida eterna e o batismo, tu não os pedirias hoje se não conhecesses já a Cristo e não quisesses tornar-te sua discípula. Diz-me pois: Já ouviste a Palavra de Cristo? Já te decidiste a guardar os seus mandamentos? Já tomaste parte na vida da comunidade dos cristãos e na sua oração? Já fizeste tudo isto para te tornares cristã?”
Queridos irmãs e irmãos, isto que nós fazemos todos os dias é nisto que a Leonor vai ser batizada. Vamo-nos unir, vamos rezar por ela, vamos rezar por nós próprios, rezar por esta experiência que fazemos aqui, na comunidade do Rato, onde procuramos viver este amor trinitário de Deus domingo a domingo.

Pe. José Tolentino Mendonça, Domingo da Santíssima Trindade

http://www.capeladorato.org


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Questa voce è stata pubblicata il 25/05/2018 da in O Pão do Domingo, PORTUGUÊS con tag .

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