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Martini – O Evangelizador em São Lucas (2)


Curso de Exercícios do cardeal Martini a um grupo de Sacerdotes da diocese de Milão.

Texto word Martini – O Evangelizador em S. Lucas (2)
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O EVANGELIZADOR EM SÃO LUCAS (2)
Carlo Maria Martini


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Segunda Reflexão
DIFICULDADE NA COMPREENSÃO DO QUERIGMA

Tomemos agora o segundo episódio, que serve de algum modo de alternativa ao primeiro e que é, também ele, um dos pontos focais da construção do Evangelho segundo Lucas. A narração dos dois discípulos de Emaús: Lc 24,13-35. Aqui, proponho-me meditar sobre “Jesus, evangelizador realizado”, para depois estabelecer o paralelo entre a cena inicial e a cena final deste Evangelho.

Trazemos connosco algumas das perguntas suscitadas pela meditação anterior, sobre Jesus não acolhido em Nazaré. Se houve um “curso de Exercícios” bem preparado, sem dúvida foi o de Nazaré: um óptimo pregador, um auditório naturalmente disponível, uma sintonia, uma unidade de linguagem. Mas sem êxito. Procuramos examinar alguma coisa partindo do ânimo interno dos nazarenos e comparando-o um pouco com algumas das nossas disposições; na realidade, há algo mais a compreender.

É precisamente uma dificuldade inerente ao querigma que, aos poucos, o Evangelho nos deve desvendar, para que este carisma se torne nas nossas mãos, não um bastão nodoso que só machuca as costas daqueles que são as suas vítimas, mas antes a espada de dois gumes da Escritura que penetra de maneira certeira e chega onde deve chegar. Devemos reconhecer atentamente o querigma na sua verdade e na sua distinção de todas as outras coisas que parecem anúncio evangélico e que, ao contrário, não passam de imitação, macaquice, aproximações e, por isso, criam dificuldades e mal-estar.

Na realidade, o povo de Nazaré não compreendeu o querigma: não captou mais do que imitações ou aproximações e transformou-as no próprio modo de receber, não se abriu verdadeiramente à palavra de Jesus.

Para aprofundar este tema, examinaremos passagem por passagem, o episódio de Emaús segundo alguns pontos sucessivos. Antes de mais nada, vamos focalizar estes dois discípulos: quem são, o que representam, que experiência vivem os dois que andam pela estrada que leva a Emaús. Depois, focalizaremos Jesus: que faz Jesus em relação a eles, como age.

Num terceiro momento, perguntar-nos-emos como os dois reagem, qual é a sua reacção quando Jesus se aproxima.

Finalmente, num quarto momento, o que Jesus propõe e qual é o resultado da proposta. Toda palavra tem um profundo significado porque tem atrás de si uma experiência de conversão e de acolhimento do querigma por parte da primitiva comunidade, experiência que vale a pena ponderar também na sua expressão filológica. São aqueles casos em que as palavras não são pedras, mas, diamantes, que devem ser lapidados de modo a realizar toda a sua obra iluminadora.

A crise do evangelizador

Examinemos estes momentos sucessivos:

1 – Quem são os dois? Naquele dia, dois deles (por enquanto não se diz o nome) viajavam para um povoado chamado Emaús, a sessenta estádios de Jerusalém”. Portanto, são dois deles, dois ex autón – diz-se em grego – dois do grupo dos “privilegiados”; não são dois discípulos ocasionais; são os que nós chamaríamos precisamente os “nossos”, isto é, gente que cultivamos, que seguimos, na qual pusemos certas esperanças, dois “supercultivados” da comunidade primitiva. E vão caminhando – como aparecerá sempre mais – num momento de crise, de desgosto: mas, que esperamos ainda, fomos iludidos, não acontece nada, as palavras já não bastam mais e os factos não vêm… Estão vivendo aquele ponto de crise que é uma das provas normais do evangelizador, e o vivem de maneira um pouco exemplar para toda a comunidade; vivem-no sem renegar nada, mas indo atrás dos seus interesses, procurando coisas mais concretas, mais imediatas, talvez atrás de negócios diários como cultivar o campo, visitar amigos; atrás de coisas, enfim, que produzem satisfação. O que esperavam do querigma já é algo muito vago e confuso. O texto especifica ainda melhor: “falavam de todas as coisas que haviam acontecido” (24,14) e “discutiam entre si” (v. 15); mais adiante “pararam tristes” (v. 17).

Por isso, como vemos estas pessoas? São pessoas às quais a renúncia ao querigma não trouxe nenhuma alegria, e não se acalmaram dizendo: bem, é uma experiência que acabou mal. Não, a experiência ainda está amarga dentro deles; por isso discutem, brigam para saber de quem é a culpa, para censurar-se uma certa imprudência. Como acontece todas as vezes em que as coisas não vão bem e se buscam os culpados, aponta-se alguém que errou, porque o sentimento de amargura e de descontentamento quer desafogar-se.

Aquele verbo syzetéin – discutiam – volta ainda em At 15, 7.10, onde se fala das discussões violentas na comunidade primitiva a propósito da circuncisão. Vê-se que também entre eles, embora tendo escolhido caminhar juntos e alimentando certa amizade, havia divisão, acontecera alguma coisa que os havia transtornado, e sobre este facto não conseguiam chegar a um acordo e encontrar a paz. Poderíamos pensar em todas as vezes nas quais nós – que colocamos na evangelização grande parte de nós mesmos e, no fundo, dedicamos a isso toda a nossa vida – ficamos transtornados por alguma coisa que não funciona e, ainda que talvez procuremos passar por cima e não pensar nisso, na realidade conservamos no coração amarguras e acusações porque nos sentimos atingidos nos compromissos nos quais mais acreditávamos.

Certamente nos honra, como padres, o facto de sermos vulneráveis a este sofrimento. Isso significa que realmente demos as nossas vidas ao serviço do Senhor, da Igreja, da evangelização: se fôssemos pessoas inconscientes e indiferentes nos consolaríamos logo e, então, significaria que não dávamos muita importância ao facto.

A falta de realização daquilo que nos havíamos proposto, as desilusões com relação àquilo que esperávamos prejudicam e criam situações de tristeza, discussão, talvez mútua acusação e as várias formas de divisão que se seguem disso. Mas todas estas coisas denotam que o anúncio evangélico, em vez de trazer a paz a nós mesmos, trouxe-nos perturbação, fadiga, incómodo; isso deve fazer nascer novas interrogações.

2 – Segundo momento da acção. Que faz Jesus? Aqui verdadeiramente começamos a reconhecer melhor o Senhor que é o Evangelho, é o evangelizador.

Qual é a táctica de Jesus? Leiamos atentamente: “Jesus aproximou-se e começou a andar com eles”. É poderoso o simbolismo destas brevíssimas anotações. Enquanto eles estavam em situação de confusão e de amargura, Jesus aproxima-se, por isso é ele que como evangelizador, toma a iniciativa de salvação. Ainda uma vez, nele é o Javé misericordioso que se aproxima do homem confuso, do evangelizador colocado em dificuldade e que tem necessidade, ele mesmo, de ser evangelizado. “Jesus aproxima-se e põe-se a caminhar no passo deles”.

A anotação é maravilhosa: põe-se a caminhar no passo deles por um bom trecho sem nada dizer. Assim faz-lhes companhia, faz-se aceitar como misterioso companheiro de viagem, discreto, não intrometido, que não os obriga a abaixar o tom da voz. Continuam falando porque Jesus parece amigo e, quase naturalmente, fazem-no entrar na conversa.

Mas, a certa altura, Jesus faz uma pergunta: “De que tipo são estas palavras que estais trocando entre vós?” Poderia intervir partindo da glória de Deus, descrevendo a glória de Deus vindo para junto dos homens, e dessa forma iluminá-los num instante e curá-los.

Em vez disso, usa outro método: é o método progressivo do estímulo, da pergunta, procurando fazer com que o problema venha para fora gradualmente. Aí está Jesus, sábio pedagogo evangelizador, que ajuda os dois a se ajudarem; não os envolve na sua intuição profética, dizendo-lhes que estavam errando; em, vez disso, faz com que exponham claramente o que lhes vai no coração, tomando consciência daquilo que estão fazendo e vivendo, e desfazendo os nós interiores, objectivando-os.

Jesus faz a pergunta exacta; nestes casos, com frequência, acontece que alguém precipita a situação, talvez iludindo, procurando distrair, mudando de assunto. Mas agindo desta forma frequentemente, o discurso se encerra e, se alguma vez pode ir bem pela banalidade do assunto, outras vezes está certamente errado. No nosso caso, Jesus compreende que o assunto é profundo e os interroga tanto sobre o objecto da conversa como sobre o seu estado de ânimo: por que estais tristes?”, ou – segundo outras traduções – “pararam tristes”. A palavra produz imediatamente o emergir da situação de fundo que é a tristeza e os dois discípulos não podem mais subtrair-se à pergunta simples e humana de Jesus..

Qual é a resposta? A resposta tem dois momentos. Num primeiro momento, e um pouco impertinente, quase arredia: “Tu és o único forasteiro que não sabes destas coisas”. E Jesus; como se nada, fosse, não leva em consideração esta primeira rispidez, sabendo que as primeiras respostas com frequência não são as verdadeiras, como as do ouriço que se encolhe, para não revelar logo o mistério da pessoa. Jesus recebe o tratamento descortês e neutraliza-o na sua paciência, na sua bondade, e procura dar corda ao discurso.

O querigma pela metade

E eis o segundo momento dos “dois melancólicos”; é uma resposta que realmente surpreende (Lucas compô-la com fino humorismo). Com efeito, se examinarmos todas as palavras desta resposta, também na sua estrutura filológica, nos daremos conta de que os dois estão recitando o querigma, estão recitando as palavras do Credo, todas elas são palavras com que se anuncia Jesus de Nazaré.

Comparando-as com os discursos querigmáticos de Pedro (At 2,3,10) e de Paulo (At 13), vemos que voltam as mesmas expressões: “Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e diante do povo” – é o que Pedro anunciará solenemente em Jerusalém, é o anúncio da salvação – “e este profeta poderoso em obras e palavras foi traído pelos sumos sacerdotes, nossos príncipes, entregaram-no à morte e mataram-no”. São as palavras do querigma que são pronunciadas com um tom salvífico e proclamados na Igreja primitiva.

São a mensagem. Eis a situação “cómica” que Lucas descreve: estes homens anunciam a mensagem como se fosse uma desgraça, anunciando a mensagem de salvação com palavra triste. Este skythropói (v. 17) que descreve a sua face é um termo que se encontra também em Mt 6,16, onde Jesus diz: “Quando fizerdes jejum não mostreis um semblante abatido”, e a face dos dois discípulos era uma cara de velório. Com muita finura, Lucas joga com estes contrastes paradoxais: aqueles homens têm na boca o querigma, mas não o compreendem como tal, e por isso o anunciam como se fosse uma desgraça terrível, irreparável. E depois continuam: “Esperávamos que fosse ele quem libertaria Israel; mas, além disso, este é o terceiro dia desde que isso tudo aconteceu! É verdade que algumas mulheres, das que estavam connosco, nos espantaram. Elas foram de madrugada ao sepulcro e não acharam o corpo. Voltaram dizendo que tinham aparecido anjos, assegurando que está vivo!” (v. 21). Aqui o querigma, ainda que de forma mais dubitativa – não é o oútos egêrthe = verdadeiramente ressuscitado – contém todo o material: os três dias, as mulheres no sepulcro, os anjos, o anúncio de que vive. Todavia, é dito como uma coisa de que não se compreende nada, uma coisa que não devia acontecer e que é uma tragédia para todos aqueles que esperavam por ele. É o que chamo o querigma pela metade, é o anúncio em palavras, mas sem coração; antes, há um coração de tristeza, de resignação, de desilusão que amargura os que o contam e não convence os que o escutam.

E Jesus, diante desta contradição viva, que faz? Pensemos por um momento como teríamos reagido nós diante de semelhante situação: situações dramáticas de pessoas aflitas sofrendo de mal incurável e que têm a mente oprimida por este e continuam a falar dele; ou então situações familiares desastrosas, situações de psicologias doentes que não conseguem sair de certos dramas, de certos vícios. Ou, ainda, situações exteriores de pessoas que não têm trabalho, que não conseguem emprego; em resumo, situações que em parte podem ser evitadas ou não e, então, como reagir verdadeiramente? Às vezes empreendemos o caminho de reduzir os factos, de não aceitar toda aquela carga de mal que a pessoa vê, de dividi-lo um pouco para que não seja tão insuportável, ou então tomamos o, caminho do encorajamento: coragem, estaremos ao seu lado, rezaremos, também nós sentimos a insuficiência daquilo que dizemos; às vezes, não sabendo fazer outra coisa, procuramos o caminho da compaixão, mostrando que desejamos estar ao lado das pessoas, com compreensão. São várias as formas com as quais poderíamos ir ao encontro dos dois de Emaús. Mas creio que nenhuma das nossas respostas teria a coragem de ser a de Jesus que é a única resposta verdadeiramente querigma, palavra de salvação que, como verdade, vem de Deus.

O querigma completo

Como vem esta palavra de salvação, verdadeiramente nova, inesperada, incrível, simplicíssima, perfeitamente adaptada à situação porque a enfrenta. plenamente a partir de dentro? É precisamente a resposta que desejaríamos obter nas situações que antes descrevi, para poder quebrar o mal na sua estrutura. Jesus responde em três tempos.

O primeiro tempo é o ataque, a admoestação violenta:sem inteligência e lentos de coração para crer nas coisas ditas pelos profetas”. Foi como um murro no estômago que certamente abalou aquela gente: como este homem que até então havia sido tão pacífico, amável, humilde, agora se torna tão agressivo? Todavia, quando uma pessoa chega a esta incompreensão com relação ao querigma, a esta total subversão dos valores do Reino, é necessário abalá-la, fazê-la voltar às realidades essenciais do homem, tocando-a na sua inteligência e responsabilidade. Com efeito, não há nada mais humilhante, do que ouvir alguém nos dizer: não foste inteligente nem responsável. Jesus faz ver que o estado de amargura, de confusão religiosa – porque estamos no campo religioso – também do ponto de vista da doutrina a que eles chegaram, exige uma mudança total. “Sem inteligência e lentos de coração”, julgais ter estado em alguma escola de Jesus e não aprendestes nada! Todos os vossos exercícios não vos serviram para nada.

No segundo tempo, dá o anúncio bíblico da história da salvação: “Acaso Cristo não devia sofrer estas coisas e depois entrar na sua glória?” É uma chave interpretativa que Jesus lança sobre todos aqueles acontecimentos anteriores: os acontecimentos permanecem os mesmos, mas a chave interpretativa é de molde a inverter-lhes o sentido.

No fundo, qual era o grande problema destes homens? Aquele de todos nós sempre que estamos diante de situações desse tipo, que evoluíram segundo aquela que parece ser a degradação constante dos valores até à morte do Justo. Nós dizemos: “Então, onde está Deus? Por que não se mostra? Se este era um homem de Deus, por que Deus não o ajudou, aonde está a justiça, aonde está o poder de Deus?” É a vastidão do drama na qual entra o evangelizador, quando certas realidades se desenvolvem fora dos esquemas previstos. É o trabalho que devemos fazer todas as vezes que vivemos situações novas, imprevistas, diferentes, quando as previsões, as expectativas, os esquemas são superados pelos factos e é preciso recomeçar a compreender qual é e deve ser a vontade de Deus. O grito do Salmista.: “Por que te escondes, Senhor?”, “por que não te mostras?”, nasce dessa angustiosa exigência de compreender como é possível que as coisas se encaminhem em determinado sentido e a justiça seja pisada, a verdade evangélica privada de força e concretamente triunfe o contra-senso, triunfe o absurdo na vida, o cepticismo, a sensação de derrota.

A resposta de Jesus é a única à experiência que estamos vivendo, é a chave interpretativa que nos lembra o desígnio divino providencial: Deus tem nas mãos todas as coisas e estava no seu plano que caminhassem assim; tudo aconteceu segundo o plano de salvação que Jesus começa, amavelmente, a pôr em prática. Este plano de salvação vós o conheceis, estava na Escritura. Sabeis a que prova de morte Abraão foi levado e como o povo, na passagem do Mar Vermelho, pensava ser submergido e morto; conheceis os sofrimentos pelos quais passaram Moisés e os nossos pais antes de entrar na Terra e como, através destes momentos de obscuridade, Deus foi formando o seu povo. E, contudo, não compreendestes, porque não tendes a inteligência da Escritura e por isso os factos vos transtornaram. Pelo contrário, a inteligência teológica amplia o olhar e leva a acolher a unidade do mistério de Deus sobre a vida do homem e do mundo.

Portanto, Jesus faz o papel do evangelizador e didáskalos, mestre: põe em acção todas as suas qualidades de exegeta da Escritura, de catequista e, por isso, realiza a obra de esclarecimento de que os dois discípulos tinham necessidade.

Mas sabemos pelo episódio que ainda não é tudo. Com efeito, quando os discípulos se soltaram, e se tornaram novamente capazes de travar amizades – antes estavam discutindo entre si, brigando, agora estão reconciliados e entram logo em acordo ao convidar este homem à ceia – sentam-se à mesa e eis que Jesus se manifesta. Manifesta-se com o sinal, já por eles conhecido, da Fracção do Pão que, certamente, para Lucas, quer indicar todas as futuras manifestações de Jesus na sua Igreja na Fracção do Pão. Jesus mostra que está junto deles, com eles, que está presente. Esta manifestação, esta presença desfaz qualquer dúvida, esclarece as coisas até ao fundo e é assim expressa: “Não é verdade que o nosso coração ardia, quando nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras”? (v. 32). O evangelizador Jesus não só anuncia o querigma, proclama o desígnio de salvação actualizando-o com a sua pessoa, mas também aquece o coração.

Esta é a característica que mais impressiona em toda esta série de factos reveladores da pessoa de Jesus. Não dizem: Jesus falou bem, explicou bem, foi um bom pregador, pôs em ordem as nossas ideias; dizem: aqueceu-nos o coração, manifestou-se como amigo capaz de amolecer o coração amargurado diante de um desígnio de Deus aparentemente inaceitável. Aqui tocamos num ponto verdadeiramente importante.

Alguns dias atrás, li no livro “O método em teologia” (Bernard Lonergan, Queriniana, 1975) – onde fala precisamente do poder do amor de Deus na teologia – esta frase que me impressionou: “O mundo é muito feio para ser aceite se não o amarmos”. Realmente, se nos colocamos diante de certos factos como os que acontecem nos nossos dias – os factos de uns tempos atrás em Bolonha, os do Oriente onde milhares e milhares de pessoas são mortas e torturadas – como podemos aceitar este mundo, como podemos admitir que haja um Deus justo?

É a grande dificuldade para muita gente e, no fundo, com frequência se opõem à evangelização estas perguntas: como é possível acreditar num Deus que permite semelhantes coisas, semelhantes formas de monstruosidades e de atrocidades? É verdade que podemos explicar que a culpa é dos homens, que Deus nos criou livres e, deixando-nos livres, colocou-nos uns nas mãos dos outros para o bem e para o mal. Mas evidentemente as interrogações não são resolvidas a não ser – como neste caso – pela presença de Jesus e pelo seu Espírito que, libertando o coração, devolvem a capacidade de acolher um desígnio bom de Deus sobre o mundo e de dar-se, por este desígnio, como Cristo crucificado que sofreu e suportou todas estas tragédias e estes sofrimentos.

Não é a lógica perfeita de solução que conta, mas é o facto de termos sido envolvidos pelo amor de Deus que nos tornou certos de que Jesus – justiça, verdade, sabedoria – vive e é capaz de dar a vida a todos os que foram esmagados pela injustiça. Aqui tocamos o extremo e delicado limite da acção do evangelizador. Se ele não estiver cheio deste poder de Jesus amor, vivo, vida, dificilmente conseguirá com palavras e com raciocínios amolecer os corações endurecidos pela tristeza, pela amargura, pela injustiça.

A anotação de Lucas: “Não é verdade que o nosso coração ardia, quando nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?”, lembra duas coisas:

primeiro, que é necessário o aspecto de abertura das Escrituras, isto é, de proclamação, de explicação;

segundo, que esta explicação e proclamação deveria fazer sentir que o nosso coração é vivificado pelo Espírito daquele que ressuscita os mortos e que podem esperá-lo também aqueles que nos ouvem.

Por isso o fim do episódio de Emaús é rico e difícil de ser expresso em poucas palavras: é mais fácil que seja sentido pelo coração do que expresso com uma participação lógica, e por isso devemos pedir para entrar no coração do Senhor a fim de captar o que ele, como verdadeiro evangelizador, sabe comunicar.

Detenhamo-nos nesta contemplação para depois partir – e o faremos nas próximas meditações – em busca das condições para que sejamos também nós, como Jesus, evangelizadores; para passar do Evangelho nos lábios à interiorização do Evangelho no coração.

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Questa voce è stata pubblicata il 16/09/2018 da in Fé e Espiritualidade, PORTUGUÊS con tag , , .

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