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FP.pt 11/2018 A esquecida profecia de Ratzinger sobre o futuro da Igreja

Formação Permanente – português 11/2018

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A esquecida profecia de Ratzinger sobre o futuro da Igreja

A reportagem é de Marco Bardazzi, publicada no sítio Vatican Insider, 18-02-2013. A tradução é do Cepat.

Uma Igreja redimensionada, com menos seguidores, obrigada inclusive a abandonar boa parte dos lugares de culto que construiu ao longo dos séculos. Uma Igreja católica de minoria, pouco influente nas decisões políticas, socialmente irrelevante, humilhada e obrigada a “voltar às suas origens”. Entretanto, também uma Igreja que, por meio desta enorme sacudida, reencontrará a si mesma e renascerá “simplificada e mais espiritual”. É a profecia sobre o futuro do cristianismo que [há quase  50 anos!] um jovem teólogo bávaro, Joseph Ratzinger, pronunciou. Neste momento, redescobri-la talvez ajude a oferecer outra chave de interpretação para decifrar a renúncia de Bento XVI (foto), pois insere o surpreendente gesto de Ratzinger em sua leitura da história.

A profecia encerrou um ciclo de lições radiofônicas que o então professor de teologia pronunciou, em 1969, num momento decisivo de sua vida e da vida da Igreja. Eram os anos turbulentos da contestação estudantil, da conquista da Lua, mas também das disputas após o Concílio Vaticano II. Ratzinger, um dos protagonistas do Concílio, acabava de deixar a turbulenta Universidade de Tübingen e havia se refugiado na de Regensburg, um pouco mais calma.

Como teólogo, estava isolado, após ter se distanciado das interpretações do Concílio feita por seus amigos progressistas: Küng, Schillebeeckx e Rahner. Nesse período, foram se consolidando novas amizades com os teólogos Hans Urs von Balthasar e Henri de Lubac, com quem fundaria a revista “Communio”, a mesma que se converteu no espaço para alguns jovens sacerdotes “ratzingerianos”, que atualmente são cardeais (…): Angelo Scola, Christoph Schönborn e Marc Ouellet.

Era o complexo 1969, e o futuro Papa, em cinco discursos radiofônicos, pouco conhecidos (e que a Ignatius Press publicou há tempo no volume “Faith and the Future”), expôs sua visão sobre o futuro do homem e da Igreja. A última lição, que foi lida no dia do Natal, nos microfones da “Hessian Rundfunk”, tinha todo o teor de uma profecia.

Ratzinger disse que estava convencido de que a Igreja estava vivendo uma época parecida a que viveu após a Ilustração e Revolução Francesa. “Encontramo-nos num enorme ponto de mudança – explicava – na evolução do gênero humano. Um momento diante do qual a passagem da Idade Média para os tempos modernos parece ser quase insignificante”. O professor Ratzinger comparava a época atual com a do papa Pio VI, raptado pelas tropas da República francesa e morto na prisão em 1799. Nessa época, a Igreja ficou frente a frente com uma força que pretendia anulá-la para sempre.

Uma situação parecida, explicava, poderia viver a Igreja de hoje, golpeada, segundo Ratzinger, pela tentação de reduzir os sacerdotes a meros “assistentes sociais” e a própria obra a uma mera presença política. “Da crise atual – afirmava – surgirá uma Igreja que terá perdido muito. Será menor e terá que recomeçar mais ou menos do início. Já não será capaz de habitar os edifícios que construiu em tempos de prosperidade. Com a diminuição de seus fiéis, também perderá grande parte dos privilégios sociais”. Recomeçará com pequenos grupos, com movimentos, e isto graças a uma minoria que terá a fé como centro da experiência. “Será uma Igreja mais espiritual, que não subscreverá um mandato político cortejando seja a Esquerda, seja a Direita. Será pobre e se converterá na Igreja dos indigentes”.

O que Ratzinger expunha era um “longo processo, mas, quando passar todo o trabalho, surgirá um grande poder de uma Igreja mais espiritual e simplificada”. Então, os homens descobrirão que vivem num mundo de “indescritível solidão”, e quando perceberem que perderam a Deus de vista, “lembrarão o horror de sua pobreza”. Então, e apenas então, concluía Ratzinger, verão “a esse pequeno rebanho de crentes como algo completamente novo: o descobrirão como uma esperança para eles próprios, a resposta que sempre haviam buscado em segredo”.

Extratos do texto da conferência sobre o futuro da Igreja, e que, hoje, podemos considerar profética. A dado passo, Ratzinger afirmava:

“O futuro da Igreja pode e vai sair daqueles cujas raízes são profundas e que vivem da plenitude pura de sua fé. Não será daqueles que se acomodam apenas ao momento de passagem ou daqueles que meramente criticam os outros e assumem que eles próprios são varas de medição infalíveis; nem será daqueles que tomam o caminho mais fácil, que esquivam a paixão da fé, declarando falsa e obsoleta, tirânica ou legalista tudo o que faz exigências aos homens, que os fere e os obriga a sacrificar-se.

Para expor isto de modo mais positivo: o futuro da Igreja, uma vez mais e como sempre, será remodelado pelos santos –, pelos homens –, ou seja, por aqueles cujas mentes sondam mais profundamente do que os slogans do momento, que veem mais do que os outros veem, porque suas vidas abraçam uma realidade mais ampla. O altruísmo, que liberta os homens, só é alcançado através da paciência, nos pequenos atos cotidianos de abnegação. Por esta prática diária, que revela a um homem de quantas maneiras ele é escravizado pelo seu próprio ego, os olhos de um homem são lentamente abertos. Ele enxerga apenas na medida em que viveu e sofreu.

Se hoje já não conseguimos mais tomar consciência de Deus, é porque achamos tão fácil evadir-nos, fugir das profundezas de nosso ser, seja por meio dos narcóticos ou de algum ou outro prazer. Assim, nossas próprias profundidades interiores permanecem fechadas para nós mesmos. Se é verdade que um homem só pode ver com o seu coração, então, quão cegos somos!

Como tudo isso afeta o problema que estamos examinando? Significa que a grande conversa daqueles que profetizam uma ‘Igreja sem Deus’ e ‘sem fé’ é apenas conversa vazia. Não precisamos de uma Igreja que celebre o culto da ação nas orações políticas. Isto é absolutamente supérfluo. Portanto, tal ‘igreja’ se destruirá. O que permanecerá é a Igreja de Jesus Cristo, a Igreja que crê no Deus que se tornou homem e nos promete vida além da morte. O tipo de padre que não passa de assistente social pode ser substituído pelo psicoterapeuta e outros especialistas; mas o sacerdote que não é apenas ‘um especialista’, que não se mantém à margem observando o jogo, dando conselhos ‘oficiais’, mas em Nome de Deus se coloca à disposição do homem e permanece ao lado dele em suas tristezas, alegrias, esperanças e medos.

Vamos dar um passo adiante. Da crise de hoje surgirá a Igreja do amanhã – uma Igreja que perdeu muito. Ela vai se tornar pequena e terá que começar de novo mais ou menos desde o início. Ela não poderá mais habitar muitos dos edifícios que construiu em prosperidade. À medida que diminuir o número de seus adeptos, perderá muitos dos seus privilégios sociais. Em contraste com uma idade mais precoce, será vista mais como uma sociedade voluntária, na qual se entra entra apenas por livre decisão. Como uma sociedade pequena, fará demandas muito maiores na iniciativa de seus membros individuais. Indubitavelmente, ele descobrirá novas formas de ministério e ordenará ao sacerdócio os cristãos aprovados que perseguem alguma profissão. Em muitas congregações menores ou em grupos sociais autônomos, a assistência pastoral será normalmente fornecida desta forma. Ao lado deste lado, O ministério de tempo integral do sacerdócio será indispensável como antigamente. Mas, em todas as mudanças que se podem adivinhar, a Igreja encontrará de novo a sua essência e com convicção naquilo que sempre esteve no seu centro: a fé no Deus Trino, em Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, na Presença do Espírito até o fim do mundo. Na fé e na oração ela reconhecerá novamente os Sacramentos como a adoração de Deus e não como um assunto para a erudição litúrgica.

A Igreja será uma Igreja mais espiritual, não presumindo um mandato político, flertando tão pouco com a esquerda como com a direita. Será difícil para a Igreja, pois o processo de cristalização e clarificação lhe custará muita energia valiosa. Isso a fará pobre e fará com que ela se torne a Igreja dos mansos. O processo será ainda mais árduo, pois a estreiteza sectária, assim como a auto-vontade pomposa, terão de ser derramadas. Pode-se prever que tudo isso levará tempo. O processo será longo e cansativo como foi o caminho do falso progressismo na véspera da Revolução Francesa –, quando um bispo podia ser visto como ‘inteligente’ se zombasse dos dogmas e até insinuasse que a existência de Deus não era certa –, para a renovação do século XIX.

Mas quando esta ‘peneiração’ tiver passado, um grande poder fluirá de uma Igreja mais espiritualizada e simplificada. Os homens, em um mundo totalmente planejado, se encontrarão indescritivelmente solitários. Se eles perderem completamente a visão de Deus, sentirão todo o horror de sua pobreza. Em seguida, descobrirão o pequeno rebanho de crentes como algo totalmente novo. Eles a descobrirão como uma esperança para eles, uma resposta a qual sempre procuraram em segredo.

E assim, parece-me que a Igreja está enfrentando tempos muito difíceis. A verdadeira crise mal começou. Teremos de contar com grandes tréguas. Mas estou igualmente certo sobre o que permanecerá no final: não permanecerá a Igreja do culto político, que já está morto, mas a Igreja da Fé. Pode muito bem não ter mais o poder social dominante que teve até recentemente; mas vai desfrutar de um frescor e um reflorescimento e será vista como Casa do homem, onde ele vai encontrar vida e esperança para além da morte.”

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Questa voce è stata pubblicata il 08/10/2018 da in Artigo mensal, Atualidade eclesial, PORTUGUÊS con tag , .

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