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Martini – O Evangelizador em São Lucas (8)


Curso de Exercícios do cardeal Martini a um grupo de Sacerdotes da diocese de Milão.

Texto word Martini – O Evangelizador em S. Lucas (8)
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O EVANGELIZADOR EM SÃO LUCAS (8)
Carlo Maria Martini


Maria

Oitava Reflexão
A SALVAÇÃO QUE JESUS PROPÕE DA CRUZ

Nós te pedimos, Senhor, que a nossa oração seja participação na tua no jardim do Getsémani e na Cruz, na de Maria aos pés da Cruz, na do ladrão que se oferece a Jesus e vê a sua vida salva pela misericórdia de Deus.

Esta oração não é apenas para nós, é para toda a Igreja, para todos aqueles que nos confiaste e por todos aqueles que se esforçam para ver na sua vida o sinal da redenção. Concede-nos ser para todos, uma ajuda, um apoio, um momento de luz; concede-nos fazer sentir a todos como o ladrão na cruz que são amados, compreendidos, perdoados, e participar a todos a misteriosa maternidade de Maria junto à Cruz. Nós te pedimos isso, Pai, por Jesus Cristo o nosso Senhor. Amém.

Desejo convidar-vos a reflectir, ainda por um momento, junto à Cruz do Senhor, para melhor compreender a salvação que Jesus propõe, a imagem de Deus que nos é revelada. Vamos deter-nos novamente no episódio do ladrão arrependido e depois meditaremos sobre Maria aos pés da Cruz.

Significado que Deus atribui a cada um de nós

Lucas dá muita importância ao episódio do ladrão arrependido e salvo e o apresenta como o cume da actividade evangelizadora e redentora de Jesus na sua Paixão. Se julgamos segundo a nossa maneira humana, vem-nos logo espontânea a pergunta: É só isso? Um só! É tanta gente que volta para casa, algumas pessoas um pouco abaladas, mas substancialmente sem ter compreendido o significado desta cena.

Como é possível um tal desperdício de esforço evangelizador para obter somente este pequeno resultado?

Proponho, então, rever a cena do ladrão salvo, à luz de um capítulo muito importante de Lucas (Lc 15): “Aproximaram-se dele todos os publicanos e os pecadores para escutá-lo. Os fariseus e os escribas murmuravam: Este recebe os pecadores e come com eles. E ele disse esta parábola” e seguem as três parábolas: a ovelha perdida, a dracma perdida e o filho perdido. Três parábolas que devem ser lidas juntas e para as quais chamo a vossa atenção para indicar como nos permitem compreender o Deus do Evangelho que se revela no perdão que Jesus dá ao ladrão, na Cruz.

Entretanto, notemos que estas parábolas – e não havia necessidade que fizessem isso – insistem todas no um: uma ovelha, uma dracma, um filho; no caso do filho, é evidente que sobre dois um é importante; no caso das ovelhas (uma sobre cem), ou no caso da dracma (uma sobre dez), vemos que a importância que a parábola dá ao um nos parece desproporcionada, exagerada.

A parábola da ovelha perdida

Quem de vós, possuindo cem ovelhas, no caso de perder uma, não deixaria as noventa e nove no deserto, para buscar a que se tinha perdido até achá-la?” (Lc 15,4). Nós diríamos: mas por que deixar as noventa e nove no deserto para procurar uma? Ainda mais que o texto não supõe que o pastor as deixe bem guardadas! Nesta imagem do pastor existe algo de excessivo, um pouquinho de loucura: coloca-a nos ombros, feliz da vida, e vai para casa; chama amigos e vizinhos para que se alegrem com ele… Parece-me perceber em tudo isso a importância que Deus atribui ao um, também a um só, também ao menor. Tudo isso não se harmoniza de forma alguma, ao contrário, está em aberto contraste com a imagem pagã de Deus, que sem dúvida pensa no mundo, mas não perde a cabeça por um só.

As mesmas indicações valem para as outras duas parábolas: a da mulher que varre atentamente a casa para encontrar a moeda, e a do filho pródigo, que volta à casa do Pai.

Aqui entramos em cheio na revelação da imagem de Deus, que temos na Cruz, quando Jesus realiza a salvação de um malfeitor atrevido, desesperado, abandonado de todos. É a marca de fábrica do Deus do Evangelho: um, um apenas é suficiente para justificar todo o cuidado, a atenção, a alegria de Deus. A alegria é sempre sublinhada: o pastor convida a alegrar-se com ele e “assim haverá mais alegria no céu por um pecador convertido, do que por noventa e nove justos”. A mulher diz: “Alegrai-vos comigo”, assim vos digo, “há alegria diante dos anjos”. Eis o sentido do Deus do Evangelho. Deus tem tudo nas mãos, é o Senhor de todas as coisas, é o Rei que governa céu e terra, mas é capaz de perder a cabeça por um só, não descansa, mesmo que seja por um só. A isto corresponde o ensinamento que encontramos, várias vezes, nas palavras de Jesus “Ai de quem escandalizar um só destes pequeninos”; o que tiverdes feito a um só destes, a mim o fizestes” e – notam com justeza os exegetas – a insistência “num só” é uma característica típica do Evangelho. A alegria de Deus exprime-se também quando uma só pessoa foi objecto da salvação.

Devemos reflectir muito sobre isso para o nosso ministério: é verdade que nós nos preocupamos com todos, com muitos, devemos cuidar de uma comunidade, mas apenas em algumas situações privilegiadas temos a alegria, a satisfação de ver um fruto pleno daquilo que fazemos. Esta alegria de Jesus exprime o cuidado pleno de Deus pela pessoa humana e, diante do mundo, exprime o valor da pessoa, também de uma só; e, então, se uma só pessoa vale tanto, muitas pessoas valem muito mais e nenhuma pode ser negligenciada.

Peçamos a Deus a compreensão da misericordiosa atenção de Deus, que ele nos comunica, da qual somos portadores para a comunidade e que claramente diferencia o empenho cristão de um empenho político ou de eficiência; estes – em última análise – se preocupam com os resultados globais sem dar muita importância se uma ou outra pessoa é negligenciada ou não é acolhida.

É verdade que isso é apenas um aspecto da experiência de Deus; com efeito, a experiência de Deus é também a experiência da salvação de todos, mas entrar no mundo do Deus do Evangelho significa compreender a possibilidade de preocupar-se com a salvação de todos, de tal modo que ninguém seja posto de lado, ofendido, esquecido e se dê valor pleno ao que cada um representa aos olhos de Deus.

O caminho de Maria

Passemos ao segundo momento. Há uma pessoa que vive plenamente a realidade da redenção junto à Cruz; e é Maria. Ela representa um tesouro imenso para Jesus que a faz depositária dos seus dons de salvação e vê nela, em nome da Igreja, a primeira resposta humana, plena, à sua acção de amor sem limites.

Contemplando a nossa Senhora aos pés da Cruz, deveríamos procurar compreender o que aconteceu nela naquele momento, de que maneira Deus a educou, gradualmente, até permitir-lhe chegar àquele ponto de associação à redenção, que vive junto à Cruz. Tomando como ponto de partida uma passagem da “Lumen Gentium”, onde se diz que “Maria caminhou na peregrinação da fé e fez progressos nesta peregrinação”, podemos – partindo da imagem de Maria junto à Cruz – olhar para trás e contemplar algumas etapas da sua existência, e assim ver como Deus a preparou.

Consideramos estas etapas em Lucas, antes de tudo no cap. 1,29, quando o anjo vai ter com ela e “com estas palavras ela se perturbou”. É o primeiro impacto de Maria com o mundo novo de Deus: a palavra grega dietaráchthe – ficou perturbada – é uma palavra muito forte e nos causa espanto que Lucas a tenha usado naquela ocasião. É a mesma palavra usada, por exemplo, em Mt 2,3: “toda Jerusalém perturbou-se com Herodes” (Herodes perturbou-se com a notícia dos Magos); ou, então, em. Lc 1,12: “Zacarias ficou perturbado interiormente” pela aparição do anjo; ou, ainda, em Mt 14,26, onde lemos que, quando Jesus caminha sobre as águas, os discípulos ficam perturbados. Portanto, houve também para Maria esta perturbação inicial: para onde quer levar-me Deus, que acontecerá? Maria certamente estava habituada a um certo tipo de vida de oração, de piedade, de empenho, de audição da Bíblia, mas agora sente que Deus a transporta para um plano diferente e que lhe é necessário deixar – como fez Abraão – as seguranças anteriores, e abandonar-se a uma acção de Deus diferente.

Daqui começa a sua educação para aquele plano divino que será, em parte, segundo as suas expectativas e, em parte, contra as suas expectativas. Ambos os aspectos são sublinhados no resto do Evangelho de Lucas onde se fala de Maria. É sublinhada a perfeita consonância entre Maria e o plano de Deus, tanto quando nossa Senhora responde ao anjo (Lc 1,38) como quando Isabel lhe diz: “A que devo que a Mãe do meu Senhor venha a mim?” Estamos em plena sintonia com o plano de Deus, estamos no entusiasmo, na alegria por aquilo que Deus propôs e por aquilo que é vivido. Maria vive o primeiro entusiasmo da resposta ao chamamento, sente que tudo caminha de vento em popa, como o Senhor lhe havia feito entrever e se dispõe, por isso, a aceitar de todo coração o desígnio de Deus sobre ela.

Mas o Evangelho faz notar que logo começam para Maria aqueles que podem ser chamados os “anos obscuros”. Lucas sublinha isso em várias ocasiões, tanto quando – na visita a Jerusalém – lhe é dito que o seu coração será traspassado por uma espada, como quando – por ocasião da resposta de Jesus no Templo – ela não compreende mais o que está acontecendo: “Quando o viram, ficaram comovidos e a sua mãe lhe disse: meu filho, por que agiste assim connosco? O teu pai e eu estávamos aflitos à tua procura” (Lc 2,48), e o evangelista acrescenta: “Mas eles não compreenderam as suas palavras”. É interessante notar que esta frase: “Mas eles não compreenderam as suas palavras”, é a frase que volta nas predições da Paixão, quando os apóstolos não compreendem as palavras de Jesus sobre a Cruz e sobre a Ressurreição: “Não compreendiam o que ele dizia e esse discurso lhes era obscuro”. Também Maria entra nesta obscuridade, compreende e não compreende o plano de Deus, adere a ele intimamente (a sua adesão de fé é sempre perfeita, a sua totalidade de adesão não sofre retrocessos), mas deve aceitar que é diferente daquilo que, como mãe, teria podido imaginar: uma mãe, evidentemente, deseja para o filho um sucesso pleno, um resultado certo.

No coração de Maria realiza-se uma gradual expropriação; toda mãe quer possuir o próprio filho, tem até mesmo a tentação da possessividade, de fazer com que realize o próprio ideal. Na vida pública de Jesus, existem sinais claros através dos quais o Mestre afirma a liberdade do seu desígnio diante de qualquer outro desejo dos seus pais sobre ele. Quando, por exemplo, vêm os parentes e nem sequer os recebe, ou quando, sendo louvado: “Feliz o seio que te trouxe e os peitos que te amamentaram”, responde: “bem-aventurados, antes, os que escutam a Palavra de Deus” (Lc 11,27-28).

A bem-aventurança de Maria é, pois, a de conformar-se de maneira total ao plano divino. Certamente não podemos pensar que Jesus não tenha coração para a sua mãe: se Jesus sente as lágrimas da mulher que perdeu o filho (Lc 7,13), isso significa que ama imensamente a sua mãe, mas, precisamente porque ama, coloca claramente em primeiro lugar a sua liberdade de acção messiânica,.com a confiança que Maria acolherá, de maneira total, a acção de Deus que se realiza nele.

É difícil para nós entrar no caminho que Maria deve percorrer e só podemos compreender os seus frutos quando contemplamos as palavras do Filho na Cruz: lá compreendemos até que ponto chegou o caminho da sua Mãe. Ela seguiu até à cruz é o que diz o próprio Lucas – e João nos apresenta a cena completa, referindo as palavras que Jesus lhe dirige.

Procuremos compenetrar-nos, na oração, adorando em silêncio o Senhor crucificado, e pedindo para entender o que acontece naquele momento no ânimo de Maria, o que teria querido como mãe. Creio que é simples dizer, que, como mãe, teria desejado morrer pelo filho, teria querido dar a vida ela mesma, teria querido impedir, a todo custo, que isso acontecesse e, em vez disso, o Senhor a educa a aceitar de maneira misteriosa, profunda, o desígnio pelo qual é Jesus, o Salvador que representa a perfeição do Amor do Pai.

Maria vive aqui o cume dramático da sua vida, a verdadeira expropriação do Filho que ela entrega ao Pai pela humanidade; e, naquele instante, recebe toda a humanidade como presente do seu Filho. É o centro da cena de João que, através da figura do discípulo, nos apresenta a Igreja que é colocada em íntima comunhão com a Mãe do Senhor, como fruto e resultado da Paixão vivida por Maria ao lado de Jesus.

Que representa, pois, nossa Senhora, neste vértice do seu caminho de fé e de adesão à vontade de Deus? Representa a humanidade, a Igreja. Tendo seguido totalmente o plano de Deus, tendo-o acolhido plenamente em si, e tendo chegado àquela expropriação de fé – à qual havia sido chamado Abraão – recebe, como dádiva, a plenitude da Igreja. Precisamente porque se colocou totalmente nas mãos de Deus e se abandonou com tudo o que tinha de mais caro, é seu Filho, recebe de Deus o que Deus tem de mais caro, o corpo do Filho que viverá na Igreja nascente da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Maria é aquela que, mais do que todos os homens, compreendeu o significado do oferecimento sacrificial de Jesus, do amor pela humanidade e da plenitude de dedicação ao desígnio de Deus que esta oferenda comporta e, mais do que todos, pode receber como dádiva uma humanidade nova.

É aqui que devemos fundamentar o nosso amor à Mãe do Senhor. Se perdermos de vista o caminho de fé de Maria, não teremos mais a capacidade de compreender como Deus nos salvou concretamente em Jesus dando-nos Maria, para que nela se verificasse o início da Igreja.

Evidentemente, estas verdades podem ser vividas de muitas maneiras: com a devoção popular cristã, com formas silenciosas ou mais clamorosas. Todas as vezes que na Igreja é instaurado um verdadeiro senso da presença de Maria, verifica-se um florescimento da vida cristã, aparece o vigor, a serenidade; a agilidade, a vivacidade, precisamente porque somos levados aos mistérios fundamentais da Redenção. Não se trata de algo acrescentado ou de um luxo trata-se de colocar-se aos pés da Cruz, e compreender de que maneira a humanidade entra no desígnio de Deus, acolhe a redenção e, em Maria, inicia o caminho de salvação.

Peçamos ao Senhor para compreender realmente os mistérios de Deus na nossa vida: será o rosário, serão outras formas de devoção mariana que podemos viver nós mesmos e fazer os outros viverem, será uma contemplação dos mistérios de Maria no Evangelho: mas certamente a presença da Virgem tem um influxo misterioso e salutar para ajudar-nos a penetrar no sentido da Redenção.

Rezemos também para sermos capazes de ajudar o povo cristão, tão sensível a estas realidades, a viver de maneira verdadeira, eficaz, justa. É uma felicidade descobrir que o sentimento de amor a nossa Senhora ainda é muito grande no povo, ainda é vivido: podemos partir dele para estimular a fazer o caminho que Maria percorreu, a adesão total ao mistério de Deus, à sua vontade; um caminho que teve uma grande fecundidade espiritual, uma grande capacidade de gerar filhos para a Igreja e, assim, multiplicou a obra da redenção que Jesus realizou na cruz para poucas pessoas, limitando-se, aparentemente, a resultados exíguos. Estes resultados, confiados ao coração de Maria, tornam-se uma plenitude de filhos para a Igreja, como nos mostram os Actos dos Apóstolos.

Perseveremos nesta oração, junto à Cruz, com a Virgem.

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Questa voce è stata pubblicata il 12/11/2018 da in Fé e Espiritualidade, PORTUGUÊS con tag , , .

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