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África entre duas potências

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China e União Europeia disputam a hegemonia no continente com propostas económicas e de desenvolvimento.

Desde que as potências europeias partilharam entre si a África entre os séculos xv e xix, o continente não deixou de ser um bolo para dividir. A sua enorme riqueza em matérias-primas – que continuam a permitir o funcionamento do sistema económico actual e o crescimento económico fora das suas fronteiras – tornam-no uma zona estratégica que não convém descurar. Recordaram-no-lo no VII Fórum de Cooperação China-África (FOCAC), realizado a 3 e 4 de Setembro em Pequim, e a proposta de um acordo de livre comércio entre a Europa e a África realizada a 12 de Setembro pelo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

O presidente chinês, Xi Jinping, ofereceu aos países africanos 60 000 milhões de dólares, enquanto a nova aliança que propõe a União Europeia (UE) poderia representar a criação de 10 milhões de postos de trabalho na África nos próximos cinco anos, entre outros. Embora a aparição da China em cena possa parecer uma intromissão nas relações entre África e Europa, os laços do gigante asiático com o continente são mais antigos do que os dos Europeus, segundo Yuan Wu. O autor de China e África, 1956-2006, obra distribuída na cimeira celebrada em Pequim há doze anos, procura demonstrar essas relações. Indica que a primeira menção da África negra nos livros chineses remonta ao século vii; alude às moedas e porcelana chinesas descobertas no Quénia e em Zanzibar; à história de um explorador chinês na costa somaliana no século ix; ou ao envio de embaixadores chineses a Madagáscar no século xiii. «No século xv, a conquista e a divisão colonial do continente põem fim aos intercâmbios amigáveis entre a China e África», argumenta Yuan Wu.

O Fórum de Cooperação China-África transformou-se num importante encontro. Realiza-se a cada três anos e aconteceu pela primeira vez em 2000. Nem aquela reunião nem a que ocorreu em 2003 despertaram especial interesse entre as antigas metrópoles do continente, mas em 2006 a indiferença internacional deu lugar ao alerta, temendo que as suas alianças pós-coloniais pudessem ver-se afectadas por esta «nova» amizade. Se bem que a aproximação da China com a África independente comece já em 1955 com a Conferência de Bandung(1), a primeira visita de relevância oficial ocorreu em 1963, onde já se marcou o princípio que devia reger a sua política africana e que o distinguiria das políticas ocidentais: a não ingerência. Nos anos 80, a China converteu-se ao capitalismo e para o alimentar ia precisar de matérias-primas. O crescimento económico da China fez que nos anos 90 perdesse a sua auto-suficiência quanto ao petróleo e fez do Sudão e de Angola os seus melhores aliados.

A Europa não quer perder o ritmo

Assim, nos anos 2000, dá-se a sua política de abertura e investimento estrangeiro. A sua ajuda aos países africanos baseia-se em empréstimos sem juros, créditos e construção de infra-estruturas a baixo custo. Desde então, a sua influência no continente africano nunca deixou de crescer. A China transformou-se no maior parceiro comercial desta região, representando 16 por cento do comércio de mercadorias de África. Um título que os países europeus se recusam a perder, mas que só podem superar unidos. Assim o exprimiu no passado 14 de Setembro Federica Mogherini, alta-representante da UE para a Política Externa. «Somos de longe o primeiro parceiro de África no comércio e desenvolvimento», apontou, pedindo que se seja consciente da força europeia no continente africano.

A UE representa 36 por cento do comércio internacional de África, assim como 40 por cento do investimento directo estrangeiro no continente, em contraponto com os 5 por cento da China. Mogherini pediu que se desse «um próximo passo» aprofundando mais a relação comercial e os investimentos, e que a associação com África seja «como iguais» e não «uma relação tradicional baseada em ajuda ao desenvolvimento».

A nova Aliança África-Europa pretende criar 10 milhões de postos de trabalho em África em cinco anos, dar acesso a estradas a 24 milhões de pessoas, que até 2027 se beneficiem 105 000 estudantes e pessoal académico do Eramus+, que 750 000 pessoas recebam formação profissional «para o desenvolvimento das suas capacidades» e que 30 milhões de pessoas e empresas beneficiem do acesso a electricidade graças a investimentos da UE em energias renováveis. Trata-se de um plano sustentado em três dos pilares que se consideram fundamentais para a melhoria da qualidade de vida no continente: emprego, estradas e educação, mas que se esquece de um que se requer para que essas relações sejam «como iguais»: a indústria.

Os diferentes acordos comerciais que a Europa estabeleceu com África até à data são assimétricos e são regidos por valores como a boa governança, direitos humanos, protecção do meio ambiente ou sustentabilidade da dívida. A China, pelo seu lado, defende a soberania dos países africanos e a não ingerência em assuntos de Estado. Não obstante, se os países africanos são cada vez mais proclives a não aceitar as condições dos seus parceiros ocidentais, também é certo que a percepção sobre a presença chinesa em África mudou, principalmente pela opinião pública. Os produtos chineses têm fama de ser de má qualidade e os trabalhadores do país asiático mal comunicam com os nacionais. Outra crítica é o não respeito dos direitos laborais ou os danos contra o meio ambiente.

Ainda que a China defenda o acordo «ganhador-ganhador», muitos assinalam que também se trata de um intercâmbio desigual e que contribui para o endividamento dos Africanos. África encontra-se entre duas potências e a sua resposta ao que lhe ofereceram até agora poderia resumir-se nesta frase de um diplomata do Congo recolhida no prólogo do livro La Chinafrique, de Serge Michel e Michel Beuret: «Os Chineses oferecem-nos coisas concretas, e o Ocidente valores intangíveis. Mas para que servem a transparência e a governança se as pessoas não têm electricidade nem trabalho? A democracia não se come.»

Nota
(1) Reunião que juntou 29 países asiáticos e africanos em Bandung (Indonésia), entre 18 e 24 de Abril de 1955, com o objectivo de promover a cooperação económica e cultural afro-asiática, como forma de oposição ao que era considerado colonialismo ou neocolonialismo por parte dos Estados Unidos e da União Soviética. Foi aqui que nasceu o Movimento dos não-Alinhados, que mais tarde deu substância à noção de Terceiro Mundo.

MARIA RODRÍGUEZ
Além-Mar, Novembro 2018

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Questa voce è stata pubblicata il 20/11/2018 da in Atualidade social, PORTUGUÊS con tag , , .

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