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FP.pt 12/2018 Enzo Bianchi: Advento, tempo de vigilância

Formação Permanente – português 12/2018

Testo: FP.pt 2018-12 Enzo Bianchi – Advento, tempo de vigilância

advento

Vem, Senhor Jesus, vem logo!
Enzo Bianchi

(…) O anúncio da vinda gloriosa do Filho do homem conclui (cf. Mc 13, 26-27) e marca também o início do ano litúrgico (Lc 21, 25-28.34-36). Sim, esse evento final e definitivo, depois do qual há apenas o reino de Deus que se instaura sobre toda a criação e sobre toda a humanidade de todos os tempos e de todas as terras, é o Advento (adventus), que significa “vinda”.

Eis, então, o discurso escatológico de Jesus: “Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, as nações ficarão angustiadas, com pavor do barulho do mar e das ondas” (cf. Is 65, 8). Jesus se serve da linguagem apocalíptica, própria de uma corrente espiritual que tentava fazer renascer nos fiéis a esperança, acima de tudo, em tempos de provação, de perseguição e de trevas. Na opressão, quando parece até que a história escapa das mãos de Deus, há mais do que nunca uma revelação, um levantar do véu (esse é o sentido literal de apokálypsis, apocalipse) por parte de Deus, que age, é Kýrios, Senhor e leva a termo o seu desígnio de salvação.

No fim da história, os três espaços em que vivemos – terra, céu e mar – sofrerão um processo de renovação que poderá parecer um retorno ao caos primordial: em vez disso, será um parto, uma nova criação em que o cosmos será transfigurado, para se tornar morada do Reino.

As imagens desse fim podem nos assustar, mas tentemos decodificá-las com inteligência. O sol, a lua e as estrelas, para os povos, eram ídolos, deuses e eram adorados como potências divinas. Naquele dia da vinda do Filho do homem, essas criaturas celestes, portanto, serão desmistificadas e destronadas para sempre, porque somente o Senhor, nosso Deus, será Deus e Rei do universo.

Desse poder de Deus sobre o cosmos e sobre a história, já houve um sinal na hora da morte em cruz de Jesus, quando “já era mais ou menos meio-dia, e uma escuridão cobriu toda a região até às três horas da tarde, pois o sol parou de brilhar” (Lucas 23, 44-45): ou seja, todas as criaturas foram perturbadas por aquele evento da morte do “justo” (Lc 23, 47), porque eram testemunhas da morte do seu Senhor.

Naquele dia (o dia do Senhor), a humanidade viverá esse drama cósmico, histórico e existencial: sentirá angústia (synoché), experimentará uma situação sem saída, uma situação de desorientação e confusão (aporía). Mas essas são as dores do parto da nova criação que, em vez de multiplicar o medo, devem nos advertir e desestabilizar as nossas certezas mundanas sobre os arranjos do cosmos e da história.

Portanto, Jesus anuncia aqui essa epifania de Deus no fim da história e dos tempos, um fim que chegará de repente. Não se trata de um amanhã distante, de um evento que dirá respeito à hora em que, por causas intrínsecas ao universo, ele terá um fim assim como teve um início: não, é um evento próximo, que pode nos pegar de modo a nos surpreender. Repentinamente, sem que nenhum de nós possa prevê-lo, “o Filho do Homem aparecerá numa nuvem com grande poder e glória” (cf. Dn 7, 13), e a sua presença se imporá sobre todo o universo.

Ninguém poderá escapar dessa visão que revelará a plena identidade de Jesus. Esse homem, Jesus de Nazaré, que “passou fazendo o bem” (Atos 10, 38), que foi condenado a uma morte violenta e ignominiosa, ele que era inocente e justo, capaz de amar e de perdoar até o fim (cf. Lc 23, 34), pois bem, esse homem, que já está em Deus em plenitude e na glória, se revelará como Kýrios, Senhor e Salvador da humanidade, Juiz do mal e do bem feitos na história.

Escreve o vidente João, retomando as palavras do profeta Zacarias (cf. Zc 12, 10): “Ele vem com as nuvens; e o mundo todo o verá, até mesmo aqueles que o transpassaram” (Ap 1, 7; cf. também João 19, 37). Note-se: todos o reconhecerão nas feridas das mãos, dos pés e do lado, feridas que não desaparecem no corpo espiritual do Ressuscitado, como aparece nas suas manifestações aos discípulos depois da ressurreição (cf. Lc 24, 40; Jo 20, 20.27); feridas que os humanos lhe infligiram todas as vezes que feriram e atingiram o outro, o irmão, o pobre, o inocente, o último, o sem voz e sem dignidade reconhecida.

Essa é a parusia, a presença manifesta do Crucificado ressuscitado na glória de Deus. É um evento que se impõe, um evento do qual ninguém escapa, um evento temível mas também misericordioso, porque quem aparece é aquele que já levou o pecado do mundo, é aquele que veio se sentar à mesa dos pecadores (cf. Lc 7, 34), é aquele que veio para buscar e salvar quem estava perdido (cf. Lc 19, 10).

O que fazer, portanto, à espera daquele dia? Vigiar, estar atentos, observar a realidade na qual estamos imersos, habitar a vida concreta do nosso tempo. O agricultor que vive entre as árvores frutíferas, que as conhece, as observa e as cuida, também compreende, a partir da figueira, o andamento das estações. Quando o broto dessa planta, que mal aparece no inverno, incha, cresce e parece pronto para se abrir, então o agricultor entende que o verão está chegando. Assim, quando nós lemos em profundidade eventos do nosso tempo e realidades dos nossos lugares, podemos discerni-los como “sinais”, isto é, indícios capazes de indicar algo: sinais dos tempos (cf. Mt 16, 3) e dos lugares que os discípulos de Jesus devem ser exercitados a interpretar, para compreender como e para onde vai a história guiada por Deus e como os seres humanos se opõem a esse caminho (cf. Lc 21, 29-33).

Os discípulos de Jesus, aqueles que creem nele, portanto, não deverão se abater, mas sim “levantar a cabeça”, assumir a postura da pessoa a caminho, em posição ereta, apoiado pela esperança. Imagem extraordinária: o humano em pé, com a cabeça levantada na parrhesía, na franqueza e na convicção de que o que acontece é para a sua salvação; o humano que não teme e, portanto, caminha seguro rumo ao Senhor que vem. É a postura do humano em oração diante de Deus, que deseja o encontro com quem ama; é a postura do sentinela que, de pé, vigia, presta atenção, perscruta o horizonte para estar pronto para gritar para a cidade que o Senhor vem, está prestes a chegar e a se manifestar na glória (cf. Is 62, 6-7).

E como os discípulos e discípulas de Jesus devem viver essa vigília, essa espera do “dia do Senhor”? Com a vigília e a oração! A vigília significa estar desperto, atento, sem ser presa do entorpecimento espiritual, resultado de uma vida distraída, de corações sobrecarregados pelas preocupações mundanas e por uma busca de prazeres que atordoam.

Sem essa vigilância, é impossível manter uma orientação na vida e permanecer à espera da vinda do Senhor, porque outras coisas se tornam objeto das nossas expectativas: a vigília é uma verdadeira luta espiritual! E, junto com a vigília, a oração, que é estar diante de Deus, é discernimento da sua presença em nós, é manifestação da adesão a Cristo que se vive cotidianamente; mas é também invocação, cheia de desejo, da vinda do Senhor e do seu Reino, quando “Deus será tudo em todos” (cf. 1Cor 15, 28).

Nós, cristãos, realmente esperamos esse evento ou não acreditamos nele, consideramo-lo nada mais do que um mito? Mas é sobre essa vinda do Senhor na glória que se decide a nossa fé cristã, que não é apenas uma ética ao estar no mundo, não é só a adesão a uma história da salvação, mas é esperança certa da vinda do Senhor: aquele que veio na fraqueza da carne humana em Belém virá gloriosamente na plenitude de Deus e Senhor, para fazer céu e terra novos (cf. Is 65, 17; 66, 22; 2Pe 3, 13; Ap 21, 1).

O Advento, portanto, nos convida a redespertar a espera d’Aquele que vem, convida-nos a invocar: “Marana tha (1Cor 16, 22)! Vem, Senhor Jesus (Ap 22, 20), vem logo!”.

http://www.ihu.unisinos.br

Advento, tempo de vigilância
Enzo Bianchi 

«Não precisamos de mais nada a não ser um espírito vigilante.» Este apotegma do abade Poemen, um Padre do Deserto, exprime bem o carácter essencial que reveste a vigilância na vida espiritual cristã.

O Novo Testamento opõe a vigilância ao estado de ebriedade e ao da sonolência; define-a como a sobriedade e a atitude de ter os olhos abertos daquele que tem um propósito preciso a atingir e do qual se poderia distrair se não fosse, precisamente, vigilante.

Dado que o propósito a perseguir, para um cristão, é a relação com Deus através de Jesus, a vigilância cristã está totalmente em relação com a pessoa de Cristo, que veio e que virá.

Basílio de Cesareia termina as suas “Regras morais” afirmando que a «especificidade» do cristão apoia-se na vigilância ligada à pessoa de Cristo: «O que é próprio do cristão? É vigiar a toda a hora do dia e da noite e de permanecer pronto na perfeição que agrada a Deus, porque sabe que o Senhor vem à hora que ele não espera».

A insistência sobre a dimensão temporal, neste texto, não é obra do acaso. O vigilante é arquétipo do profeta, aquele que procura traduzir o olhar e a Palavra de Deus no hoje do tempo e da história.

A vigilância é, por isso, lucidez interior, inteligência, capacidade crítica, presença na história, não distração e não dissipação. Unificado pela escuta da Palavra de Deus, interiormente atento às suas exigências, o homem vigilante torna-se responsável, ou seja, radicalmente não indiferente, consciente de tomar cuidado de tudo e, em particular, capaz de vigiar sobre os outros homens e de os guardar.

«Ser “episcopus”, bispo», escreve Lutero, «significa olhar, ser vigilante, vigiar atentamente.» A vigilância é por isso uma qualidade que exige grande força interior e produz um equilíbrio: trata-se se pôr em prática a vigilância não somente sobre a história e sobre os outros, mas também sobre si, sobre o seu próprio ministério, sobre o seu próprio trabalho, sobre a sua própria conduta, em suma, sobre toda a esfera das relações que se vive. De modo que sobre tudo reine o senhoria de Cristo.

A dificuldade da vigilância consiste precisamente no facto de que é sobre si, antes de tudo, que é preciso vigiar: o inimigo do cristão está nele próprio, não fora dele. Tende cuidado convosco e velai: que os vossos corações não se tornem pesados com a devassidão, a embriaguez e as preocupações da vida, diz Jesus (cf. 21, 34.36).

A vigilância exige o preço de uma luta contra si próprio: o vigilante é o resistente, aquele que combate para defender a própria vida interior, para não se deixar levar pelas seduções mundanas, para não se deixar vencer pelas angústias da existência; em suma, para unificar fé e vida e para se manter em equilíbrio e em harmonia.

O vigilante é aquele que adere à realidade e não se refugia na imaginação, na idolatria, que trabalha e não cai na preguiça, que se coloca em relação, que ama e não é indiferente, que assume com responsabilidade o seu compromisso na história e vive-o na espera no Reino que virá. A vigilância é, portanto, a fonte da qualidade da vida e das relações e está ao serviço da plenitude da vida; ela combate as seduções que a morte exerce sobre o homem.

Paulo adverte os cristãos de Tessalónica com estas palavras: «Não durmamos, pois, como os outros, mas vigiemos e sejamos sóbrios» (1 Tessalonicenses 5, 6). Na simbólica bíblica, mas também noutras culturas, cair no sono significa entrar no domínio da morte.

Vigiar, por seu lado, é uma atitude própria do homem atento e responsável, mas adquire uma significação particular para o cristão que coloca a sua fé em Cristo morto e ressuscitado. A vigilância é assumir, de maneira íntima e profunda, a fé na vitória da vida sobre a morte.

Desta forma, o vigilante opõe-se ao homem adormecido e embrutecido que amacia os seus sentidos interiores, que permanece na superfície das coisas e das relações; ele torna-se também um homem de luz, capaz de irradiar a luz.

«Iluminados» pela imersão batismal, os cristãos são «filhos da luz» chamados a iluminar: «Que a vossa luz brilhe diante dos homens, a fim de que eles vejam as vossas belas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus» (Mateus 5, 16).

Não se trata de exibicionismo espiritual, mas sobretudo do efeito transbordante da luz que, permanecendo num coração vigilante, não pode ficar escondida, mas emerge por ela própria e se difunde.

Em certo sentido, a vigilância é a única coisa absolutamente essencial ao cristão: ela é a matriz de toda a virtude, ela é o selo de toda a ação, a luz dos seus pensamentos e das suas palavras. Sem ela, todo o agir do cristão arrisca-se a ser pura perda. O abade Arsénio diz: «Todo o homem deve vigiar as suas obras para não trabalhar em vão».

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Questa voce è stata pubblicata il 11/12/2018 da in Artigo mensal, Fé e Espiritualidade, PORTUGUÊS con tag , .

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