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Martini – O itinerário dos Doze no Evangelho de Marcos (2)

ITINERÁRIO ESPIRITUAL DOS DOZE (2)
Carlo Maria Martini

Testo word Martini – Marcos, O Itinerário Espiritual dos Doze (2)
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carravagio

Caravaggio, Negação de Pedro

Segunda Meditação
A IGNORÂNCIA DOS DISCÍPULOS

A meditação que pretendo propor quer ajudar-nos no aprofundamento do sentido da penitência. Peçamos, pois, ao Senhor a graça da purificação interior.

Como aparece no Evangelho de Marcos esta experiência de purificação? Utilizemos uma das passagens fundamentais em que Marcos, no capítulo quarto, quer fazer compreender o mistério do Reino: “A vós é dado o mistério do Reino; aos de fora tudo é comunicado por meio de parábolas” (4,11).

O escopo de toda a catequese marciana é de fazer passar de uma situação de fora, em que o mistério do Reino aparece nos seus aspectos sociológicos ou fenomenológicos, mas não é captado na sua substância, para a situação de dentro.

No Novo Testamento, com frequência aparece a expressão de fora para indicar quem não participa do conhecimento interior do mistério do Reino, isto é, da fé, como, por exemplo aos pagãos. Por exemplo: na primeira carta aos Coríntios, falando dos critérios que devem ser usados no interior da comunidade, Paulo diz: “… Acaso cabe a mim julgar os de fora?…” (1 Cor 5,12-13); e ainda, na carta aos Colossenses: “Comportai-vos com sabedoria no trato com os de fora da Igreja” (Col 4,5); isto é, aqueles que não participam do dom do Evangelho e ficam olhando e vos julgam de um ponto de vista exterior. Na primeira carta aos Tessalonicenses, encontramos estas palavras: “para que caminheis de maneira digna, em consideração aos de fora” (1Tes 4,12).

Portanto, a expressão é bastante conhecida no Novo Testamento e designa a categoria dos que ainda não compreenderam o mistério do Reino. Hoje ela compreende não só os não baptizados, mas, de facto, todos aqueles para os quais o mistério do Reino de Deus e da Igreja são ainda algo exterior de que não se participa interiormente, com que alguém não se identifica, a ponto de que tudo se apresente de forma enigmática. Vê-se a Igreja fazer certas coisas, realizar certas acções sagradas ou agir de determinados modos, mas tudo parece como uma grande manifestação externa da qual não se compreende o significado.

Então é preciso entrar com coragem no interior daquele mistério para identificar-se com ele. Eis o caminho catecumenal: parte-se do exterior onde os sinais se apresentam de maneira enigmática, para um interior em que eles se identificam com a realidade. Este caminho é descrito precisamente no capítulo quarto em que se cita uma passagem do Antigo Testamento: “Para que vendo não vejam, ouvindo não ouçam, por medo de que se convertam e lhes sejam perdoados os pecados” (Mc 4,12: cit. Is 6,9-10).

Discutiu-se longamente sobre este versículo para indicar se acaso é possível que haja, por parte de Deus, uma vontade de não fazer-se compreender. Na realidade, trata-se de um modo expressivo para dizer o que acontece a quem fecha os olhos, e é um versículo muito instrutivo se o invertermos e procurarmos compreender o seu aspecto positivo. Ou seja, se nos perguntarmos: qual é o caminho do catecúmeno? É o caminho daquele que quer abrir os olhos de modo a poder ver. Muitos olham para as coisas da Igreja, mas não as vêem, não compreendem o seu sentido. Muitos, hoje em posição de crítica em relação à Igreja, com frequência estão na atitude de olhar e não ver, de ouvir e não entender. É preciso, ao contrário, passar do olhar ao compreender, do ouvir ao entender, de modo a converter-se e alcançar o perdão. Eis o caminho positivo que as palavras do v. 12 exprimem.

E compreende-se melhor isso quando se medita no convite repetido, no Evangelho de Marcos, a abrir os olhos, a escutar e compreender. Assim podemos dedicar esta meditação à ignorância do discípulo.

São Marcos supõe que o ponto de partida da via catecumenal e para os próprios Doze da sua intimidade com Jesus seja uma reconhecida situação de ignorância: de um não saber e não compreender, de um não ver claro. Este hábito de ignorância Jesus o lembra várias vezes aos seus discípulos para que se convençam de que ainda não viram nem compreenderam. Ele repete que é necessário sair de uma tal situação de suficiência e colocar-se numa atitude de reconhecida e humilde ignorância, disposta e atenta à audição.

Portanto, na primeira parte de Marcos há diversos acenos à ignorância do discípulo. Ela é suposta como o ponto de partida normal da catequese; para os Doze, além disso, será o ponto no qual se consolidará, num certo momento, o chamamento de Jesus.

No capítulo quarto, além do citado v. 12, temos o v. 23 com o convite: “Se alguém tiver ouvidos para ouvir, ouça”. No v. 24: “Prestai atenção ao seguinte”, e no v. 40: “Por quê tanto medo? Ainda não tendes fé?”; ou seja: ainda não podeis intuir? Mais adiante veremos como o capítulo quarto é fundamental, porque assinala um passo avante no conhecimento de Deus.

No capítulo sexto volta a mesma censura: “Não tinham compreendido o milagre dos pães: o seu coração estava endurecido” (6,52).

Outra passagem de insistência na ignorância do discípulo está no capítulo oitavo: “Por que estais discutindo o facto de não terdes pão. Ainda não compreendeis, não entendeis (em grego literalmente: não tendes mente)? Tendes o Coração endurecido. Tendo olhos não vedes, tendo ouvidos não ouvis e não vos recordais” (8,17). São feitas cinco censuras seguidas que passam em resenha todos os sentidos do homem para fazer os interlocutores entenderem que não compreenderam absolutamente nada.

E finalmente no capítulo nono encontramos a última passagem referente à incompreensão: “Mas eles não compreenderam a palavra e tinham medo de interrogá-lo” (9,32).

Aí está, portanto, o ponto de partida para o caminho catecumenal. Tal estágio acompanha por algum tempo este itinerário e é caracterizado pela situação de estar de algum modo com o ânimo ainda fora do centro da mensagem; de intuir confusamente alguma coisa, mas de ainda não ter compreendido o mistério. “A vós é dado compreender o mistério…” (4,11 s); mas este mistério não é entendido, não é compreendido até ao fundo enquanto não se percorrer todo o caminho que é assinalado pelo Evangelho de Marcos. Do capítulo quarto ao capítulo nono, sublinha-se que ainda se está muito longe do fim da caminhada.

É uma atitude que deveríamos suscitar em nós cada vez que nos colocamos diante do mistério de Deus. Deveríamos poder dizer: “como é limitado o nosso conhecimento do mistério de Deus”. Porque é só com esta atitude que podemos colocar-nos em audição atenta e humilde, prontos para perceber o que Deus quer comunicar-nos.

O primeiro ponto então é o seguinte: O Evangelho de Marcos supõe, por um sério caminho catecumenal e por um verdadeiro seguimento dos Doze com relação a Jesus, que se parta da constatação do estado de certa ignorância e incompreensão teórica e prática do mistério de Deus.

O segundo ponto desta meditação quer responder à pergunta: em que consiste concretamente esta ignorância? Onde se aplica nos apóstolos, nos discípulos?

É preciso ler todo o Evangelho de Marcos e ver onde e como tal ignorância aflora. Entre as várias passagens que se poderiam propor escolhi algumas, levando em consideração que o Evangelho de Marcos é lido numa situação de instrução catecumenal. Cada episódio de Marcos, no fundo, tem a finalidade, principalmente na primeira parte, de estigmatizar a ignorância do discípulo e fazê-lo compreender o que não está certo nele para que se dê conta disto e procure corrigir-se. Toda a primeira parte, pois, tem uma finalidade penitencial. Todas as passagens que acabamos de ler contêm uma censura de Jesus, censura directa e indirecta. Vê-se por essas passagens que sempre se censura no discípulo uma situação de ignorância e incompreensão.

No capítulo segundo, encontramos o episódio dos apóstolos que estão colhendo as espigas de trigo em dia de sábado.

O que se estigmatiza nisso? Aquilo que se poderia chamar a ignorância da verdadeira liberdade dos filhos de Deus. “Nunca lestes o que fez David, quando ele e os seus companheiros se viram em necessidade por causa da fome? Como entrou na casa de Deus e comeu os pães da oferta?” (2,25-26). Trata-se claramente de uma censura de Jesus: não lestes as Escrituras? Não as entendestes? É condenada a atitude típica de quem está passando com dificuldade do exterior para o centro do mistério, mas continua a apegar-se às leis, às normas, às convenções, aos costumes como se fossem algo extremamente importante. O catecúmeno pagão era muito tentado a fazer isso: isto é, a ligar-se às normas e leis, como se somente nelas pudesse salvar-se.

Jesus dá a entender que quem possui esta atitude de rigidez ainda não compreendeu o mistério do Reino. Porque o mistério do Reino não se revela diante de tal apego às exterioridades legais, Jesus as censura como um defeito e um erro, fazendo notar que David era diferente e sabia dar-se conta daquilo que era importante ou acessório, tendo superado o estágio de uma legalidade exterior.

Realiza-se nesta passagem uma profunda educação dos apóstolos exortados a irem além daquela que é a exterioridade do fenómeno, além de uma pura legalidade.

Encontramos uma segunda censura de Jesus logo mais adiante, no capítulo terceiro. É uma forte censura; Jesus olha em torno de si com ira, profundamente entristecido com a cegueira do seu coração (3,5). Que é que suscita aqui a ira de Jesus? É a situação dos fariseus que estão em torno dele na sinagoga, enquanto Ele se põe a curar um homem em dia de sábado. Eles não sabem responder ao quesito: “É lícito fazer o bem em dia de sábado?” (3,4).

Trata-se de gente culta, que veio espiar, que está ali olhando em atitude de crítica; gente que não ousa falar abertamente; gente que não ousa dizer uma palavra com medo de comprometer-se. E o Senhor rejeita o medo do compromisso. Esta é uma atitude comum a muitos cristãos de hoje: o facto de ficar olhando para a Igreja, para Cristo, para as coisas da Igreja, a partir de fora, julgando e talvez programando, mas sem lançar-se na luta e comprometer-se. É a atitude de cómoda suficiência crítica de quem não quer pagar pessoalmente; de quem mesmo sendo baptizado está com o coração do lado de fora; de quem julga a Igreja do alto, as pessoas da Igreja e o seu modo de agir, dizendo que não agem como deveriam, mas que não quer correr o risco de errar.

Tal atitude suscita a ira de Jesus e a sua profunda dor, porque exprime o facto de que se discute, se discorre sobre o Reino de Deus de maneira até douta, de maneira aparentemente prudente, mas se tem medo de sujar as mãos, de entrar na liça.

Encontramos outra atitude estigmatizada por Marcos no mesmo capítulo terceiro. Aqui a situação é invertida, porque são os outros que censuram Jesus. É uma situação paradoxal, irónica, na qual Marcos quer mostrar a que ponto se chega quando se critica o próprio Jesus. Vêm os seus e querem prendê-lo dizendo: “Está fora de si” (3,21). Outra atitude típica de quem crê estar dentro do mistério, mas está fora dele. É o medo de acabar com Jesus, isto é, de ser chamado fanático.

Muitos gostariam de aproximar-se do mistério cristão, participar dele em parte, mas não demais, com medo de que as pessoas digam: “está louco”. Na realidade não se quer participar até ao fundo do mistério de Jesus, e este medo não é raro no interior da própria Igreja. Muitos de nós gostaríamos de viver o cristianismo de modo que as pessoas não pensassem que somos diferentes, um pouco estranhos, que nos expusemos demais, que em determinado ambiente não se diga que somos fanáticos.

Certamente, não devemos ser fanáticos, e contudo não devemos ter medo de que os outros pensem que o somos; devemos ser prudentes, equilibrados, discretos, mas não devemos nos preocupar muito se os outros nos consideram como tais. Porque será difícil, se tomarmos o Evangelho ao pé da letra, que a certa altura alguém não diga: “está fora de si, faz demais, se empenha demais”; porque esta foi a sorte de Jesus.

Outra atitude apresentada como um ponto de partida errado para um itinerário catecumenal, encontramo-lo amplamente descrito no capítulo quarto. De forma parabólica e enigmática nos vv. 4-7, onde se fala da semente comida pelos pássaros, pisada no caminho, sufocada pelos espinhos; explicado depois nos vv. 14-19 através das diversas aplicações: o diabo, as perseguições, as demasiadas preocupações e compromissos. Gostaria de insistir sobretudo naquilo que tem origem no coração do homem; ou seja, os múltiplos compromissos e as demasiadas preocupações.

Tudo isso é indicado como uma das causas da impossibilidade de compreender a palavra e da incapacidade de penetrar o mistério. Sabemos isso por experiência: esta é uma das causas mais frequentes pela qual os homens também os cristãos de uma certa bondade de ânimo não chegam a superar a exterioridade. Presos por muitas coisas, absorvidos por um contínuo suceder-se de eventos exteriores, são incapazes de chegar ao coração da realidade.

Estas são as atitudes daquele que, iniciando-se na via do conhecimento de Jesus é chamado a superar. E não esqueçamos que os espinhos das contínuas preocupações mérimnai, como diz o texto grego, isto é, das angústias do momento presente, podem operar em qualquer situação, em qualquer momento, mesmo quando alguém está muito adiantado na vida do espírito e do conhecimento de Cristo.

O acumular-se de preocupações exteriores é o mais grave perigo no qual podemos incorrer, porque pode verdadeiramente, a todo momento, sufocar e obtundir o espírito.

Outra atitude reprovada pelo Senhor pode ser encontrada no mesmo capítulo quarto: “prestai atenção ao seguinte: com a medida com que medirdes, sereis medido e vos será dado ainda mais” (4,24). É a atitude do coração estreito, do coração que não se abre; dá pouco e pouco recebe; do coração que pede ao Evangelho apenas o suficiente e por isso recebe pouco. Um fechar-se no próprio limite, que às vezes pode tornar-se regra de vida: fazer o menos possível, contentar-se com aquilo que nos deixa longe de grandes compromissos, das exigências de Deus; escolher a mediocridade que leva a um beco sem saída.

Uma última série de censuras, de atitudes a evitar porque tornam incapazes de conhecer o mistério, podemos encontrá-la finalmente no capítulo sétimo que é um pequeno resumo da catequese moral da Igreja primitiva: “É do interior, isto é, do coração dos homens, que saem as mas intenções: prostituições, roubos, assassinatos, adultérios, cobiças, perversidades, fraudes, luxúria, inveja, calúnia, orgulho, insensatez. Todos esses males saem do interior e contaminam a gente” (7,21-23). Estes versículos enumeram muitos vícios e pecados.

Antes de mais nada, há a afirmação evangélica fundamental: é do homem, do seu interior que estas coisas nascem e, consequentemente, é sobretudo o interior que se deve renovar; o problema não é somente da sociedade, da estrutura, do sistema, mas do coração do homem do qual tudo procede.

Em segundo lugar, deve-se notar que além dos pecados grosseiros que poderiam referir-se a um pecador que quer converter-se e não a nós, existem atitudes refinadas que é preciso levar em consideração. Existe, por exemplo, aquilo que se chama olho mau (ophtalmós ponerós). Não é fácil, na primeira leitura, dizer o que se entende por olho mau. Mas também Mateus na parábola dos lavradores da vinha fala de olho mau: “Não me é permitido fazer o que quero com o que é meu? Ou será que o teu olho é mau porque eu sou bom?” (Mt 20,15). Talvez possamos concluir que ali se estigmatiza uma atitude de inveja e quase de crítica aos desígnios de Deus.

Nós esforçamo-nos tanto e depois Deus, fora daquilo que fizemos, realiza coisas melhores e mais belas; por exemplo: nos protestantes e nos pagãos. Isso talvez nos desconcerte e suscite em nós um sentimento de desorientação diante do mistério de Deus: “Mas como é possível, nós trabalhamos e nos esforçamos tanto, e talvez as melhores pessoas nos tenham fugido!”

Uma atitude ulterior a ser rejeitada é indicada na loucura (aphrosyne): é a última da série precedente que, como dissemos, constitui uma espécie de súmula do catecúmeno. Há tantos modos de estultícia, mas parece que podemos captar dois que são especificamente enunciados em duas passagens do Evangelho de Lucas.

No capítulo onze, são chamados “estultos” os fariseus que purificam o exterior do copo e não se preocupam com o interior que está cheio de cobiça e de maldade: “Loucos! Aquele que fez o exterior não fez também o interior?” (Lc 11,40). Loucura, neste caso, é toda a incoerência que se preocupa com as atitudes exteriores, que podendo ser vistas, colocam em má situação; ao passo que não se preocupa com as atitudes interiores.

Essa é uma situação na qual é possível que sejamos envolvidos, porque é fácil considerar importantes aquelas coisas com as quais todos se preocupam e deixar de lado aquelas coisas que são pouco publicadas, mas que, diante de Deus, são mais sérias e graves.

Outra loucura (aphrosyne) é censurada no capitulo décimo segundo de Lucas, no fim da parábola do rico louco que, tendo conseguido uma grande colheita, pensa em organizar-se construindo um celeiro. O Senhor lhe diz: “Tolo (áphron). Nesta mesma noite ela te será tomada” (Lc 12,20)!

Aqui é estigmatizada a atitude que dá muita importância às coisas exteriores. Cada um de nós deve realizar na vida coisas exteriores: fazer, construir, administrar… Seria necessário, diz-nos o Evangelho, realizar todas estas coisas com o dedo mínimo da mão esquerda; porque mesmo que elas incluam responsabilidades, compromissos, pessoas, o Reino de Deus é a coisa mais importante. Todo o resto vale e ajuda, mas pode existir ou não existir; hoje existe e amanhã é destruído. Basta um nada para dissolver uma obra exterior; ao contrário, o que conta é a adesão interior ao Reino.

Mais uma indicação, na mesma série, é a hyperephanía: ou seja, aquela atitude que – diz-nos nossa Senhora no Magnificat (Lc 1,51) – Deus rejeitou: crer que a gente é alguém. A atitude de soberba, que impede o conhecimento do Reino e torna a pessoa obtusa à intuição da verdade profunda do Evangelho.

Delineamos, através de seis textos de Marcos, um quadro de como o catecúmeno na Igreja primitiva era exortado a examinar-se, a confrontar-se com a sua realidade de pecado, para compreender as raízes da sua ignorância do Reino. A esta ignorância, reconhecida e humildemente aceite e confessada, Jesus traz uma notícia boa e maravilhosa. Tal alegre anúncio – diz-nos Marcos nos dois primeiros capítulos – é dirigido sobretudo aos doentes; isto é, àqueles que se reconhecem atacados, de uma forma ou de outra, por alguma destas fraquezas. Condição essencial, portanto, para recebê-lo, é reconhecer-se envolvidos em alguma destas dificuldades. De contrário, a pessoa não estará em condição de ouvir o Evangelho. Jesus diz: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Não vim chamar os justos, mas os pecadores” (Mc 2,17).

Enquanto de um lado esta situação de ignorância, de inacabamento e de inadequação do discípulo o impede de compreender o mistério do Reino, de outro, reconhecê-la humildemente permite-lhe ouvir a palavra do médico Jesus.

Portanto, o mal tem um remédio. O facto de alguém se reconhecer necessitado é um passo necessário em direcção à Palavra. Na perspectiva da educação do catecúmeno compreendem-se, pois, os primeiros dois capítulos de Marcos que mostram Jesus muito ocupado com os doentes. Jesus, o grande médico, Jesus que não negligencia nenhuma doença, que não se retrai diante de nenhum limite do homem. Estes versículos deviam encher de consolação o catecúmeno incerto e titubeante dado que revelavam a figura de Jesus-médico-universal, pronto a vir ao encontro de todo tipo de doença, de opressão, de dificuldade. Marcos diz: veio precisamente para isso.

Realiza-se aqui o primeiro encontro entre o catecúmeno que se reconhece ignorante e distante do Reino e a figura de Jesus médico, que ainda não lhe diz o que deve fazer, mas lhe anuncia que veio precisamente para curá-lo. O confronto entre o catecúmeno e o seu Senhor é o prelúdio à intimidade do chamamento de Jesus.

Carlo Maria Martini
Ed Loyola, S. Paulo 1988
Retiro de 1974

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Questa voce è stata pubblicata il 12/02/2019 da in Fé e Espiritualidade, PORTUGUÊS con tag , , .

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