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Martini – O itinerário dos Doze no Evangelho de Marcos (3)

ITINERÁRIO ESPIRITUAL DOS DOZE (3)
Carlo Maria Martini

Testo word Martini – Marcos, O Itinerário Espiritual dos Doze (3)
Testo   pdf  Martini – Marcos, O Itinerário Espiritual dos Doze (3) 

Chamamento dos apostolos

Terceira Meditação
O CHAMAMENTO DE JESUS

Na meditação anterior dissemos que o confronto entre o catecúmeno, que se reconhece ignorante e necessitado, com o seu Senhor, é prelúdio da intimidade do chamamento de Jesus.

Nesta meditação consideraremos os chamamentos que Marcos coloca no cap. 1,16-20, cap. 2,13-14 e cap. 3,13-19. Apresentamos estas passagens na perspectiva teológica do Evangelho marciano. Com efeito, Marcos quis não só transmitir os factos de Jesus, mas apresentá-los numa moldura acurada e teologicamente elaborada, de modo a dar um sentido profundo a cada palavra e a cada inserção redaccional.

Há estudos muitos recentes sobre a estrutura do Evangelho de Marcos e sobre o lugar que nele têm os chamamentos, em particular aquele dos Doze. Aqui vou referir-me aos últimos quatro trabalhos mais importantes nesta matéria: dois em língua inglesa e dois em língua alemã. Consideraremos os textos dividindo-os em duas partes claramente distintas pelo próprio Marcos:

a) A primeira parte, que compreende os dois primeiros textos, e que nós chamaremos: as vocações junto ao lago.

b) A segunda parte, com o texto do capítulo terceiro, será intitulada: a vocação no monte.

a) As vocações junto ao lago levantam as seguintes interrogações:

1) Onde se verificam estes chamamentos?

2) Em que situação Jesus chama?

3) Como chama Jesus?

4) A que o chama?

5) Com que resultado Jesus chama?

1) Onde se verificam estes chamamentos?

Junto ao lago. Marcos insiste claramente neste particular que repete ao menos três vezes. “Passando junto ao mar da Galileia, viu Simão e André” (1,16); a mesma conotação de lugar é repetida para o chamamento de Tiago e João: “Um pouco adiante” (1,19). Encontramos a mesma situação local no capítulo segundo: “Jesus saiu de novo para a beira do lago” (2,13); “passando por lá (em grego, o verbo é parâgon, como em 1,16) viu Levi, filho de Alfeu, sentado à mesa de cobrador de impostos” (2,14).

O que quer dizer o “lago” na apresentação de Marcos? O lago é o lugar no qual vive a gente da Galileia e ali trabalha: Jesus procura e encontra o povo na sua própria situação. Marcos apresenta-nos Jesus que anda pelos caminhos do mundo em busca de gente ali onde ela se encontra.

2) Em que situação Jesus chama?

O evangelista esclarece com insistência: no próprio lugar de trabalho. Para cada um, a mesma circunstância: “Viu-os enquanto lançavam as redes no mar: com efeito, eram pescadores” (1,16). Portanto estão junto ao lago, no seu trabalho. A mesma coisa para Tiago e João: “Viu-os na barca enquanto consertavam as redes” (1,19). Portanto, não só são pescadores, mas estão pescando, ou estão se preparando para a pesca. Interessante aquela insistência no facto de que estão ali e estão fazendo o seu trabalho de todos os dias.

A mesma explicitação no capítulo segundo: “Passando por lá, viu Levi, filho de Alfeu, sentado à mesa de cobrador de impostos” (2,14); portanto, não se fala do seu ofício, é colector, mas está sentado à mesa de cobrador de impostos, no seu trabalho de todos os dias.

Que quer dizer Marcos? Que Jesus chama a gente a segui-lo ali onde se encontra, na própria situação concreta. Apresenta a cada um o convite ali onde se encontra, numa situação comum, honesta e honrada como aquela dos pescadores, ou então numa situação desonrada e moralmente difícil como aquela do colector. Jesus vai de um ao outro e chama-os.

Nesta situação o catecúmeno reconhece o chamamento que lhe é dirigido como a cada um de nós ali onde ele se encontrava: numa situação geográfica, ambiental, familiar e social diversa. Deus nos encontrou e chamou ali onde estávamos, convidando-nos à fé e ao seguimento do Cristo. Por isso o chamamento é oferecido a cada homem ali onde ele se encontra, na própria situação.

3) Como chama Jesus?

Sublinha-se o aspecto pessoal: através de um colóquio familiar. Vê Simão e André, aproxima-se deles, fala e chama-os. Vê Tiago e João, aproxima-se deles familiarmente, fala e chama-os. Vê Levi de Alfeu, e também a ele se apresenta, fala e chama-o.

Jesus aproxima-se de todo homem e, ali onde ele está, faz-lhe ouvir aquela palavra de esperança e de confiança que é o chamamento a segui-lo.

4) A que o chama?

Isso não é especificado a não ser de maneira genérica, mas ao mesmo tempo global: a segui-lo. “Vinde após mim (déute opiso mou)” (1,17); ou: “Segue-me (akolúthei mói)” (2,14). Isto é, chama a ir atrás dele, a percorrer o seu caminho, e portanto pede sobretudo uma imensa confiança nele. Na verdade, há uma frase misteriosa: “Eu vos farei pescadores de homens” (1,17), mas permanece envolta no mistério do futuro. Agora é preciso entregar-se totalmente a ele. Assim a instrução catecumenal da Igreja primitiva lia o abandono confiante a Jesus, necessário para percorrer o caminho em direcção ao conhecimento do mistério. O catecúmeno viu algo de Jesus, da sua Igreja, sentiu a atracção e deve decidir-se a empenhar-se, de contrário não poderá chegar a percorrer o caminho. Confiança total, doação completa à pessoa de Jesus e não a uma causa. Porque Jesus não diz: “Venha fazer uma coisa ou outra”, mas tenha confiança na a minha pessoa.

5) Com que resultado Jesus chama?

Marcos sublinha a instantaneidade, a urgência da resposta; todos consentem logo em 1,18; em 1,20; em 2,14.

Esta primeira série de chamados convida cada um de nós a tomar consciência de quanto a nossa vida foi transformada pelo chamamento de Jesus. Ele é, para o catecúmeno e para vós, a vocação baptismal: chamamento fundamental no qual se enraíza qualquer outro chamamento, e que nos colocou num caminho que é o caminho cristão; itinerário global que abraça toda a nossa existência e sempre ligado à pessoa de Jesus que seguimos. Convida cada um de nós a tomar consciência, com reconhecimento, de quanto a nossa vida depende do nome pessoal de Jesus, na sua infinita bondade, trazendo para nós a misericórdia de Deus e fazendo com que ela se torne Corpo e Palavra, quis pronunciá-la sobre cada um de nós.

b) A vocação no monte

Vejamos agora o segundo tipo de chamamento, aquele que definimos chamamento sobre o monte.

Em Marcos 3,13-19, o texto torna-se extremamente mais denso e mais rico. Veremos, antes de mais nada, o próprio texto que Marcos destaca daquilo que precede e daquilo que segue, para que fique mais evidenciado; veremos depois o pano de fundo sobre o qual acontece o chamamento, o lugar onde acontece, no monte, e por fim as várias palavras, tomadas uma por uma:

Jesus chamou a si

os que queria

para junto de si

e instituiu Doze

para estarem com ele

para mandá-los a pregar

e ter poder de expulsar os demónios” (3,13-15).

Cada palavra tem um significado muito rico em toda a estrutura de Marcos.

Antes de mais nada, o texto é claramente distinto ao menos cenograficamente, daquilo que precede e daquilo que segue. Com efeito, existe no v. 13 e no v. 20 uma mudança de topografia. No v. 13, Jesus vai para o monte; no v. 20 vai para uma casa. O sujeito é sempre Jesus, que está no centro de todo este quadro. Por isso, é determinado um lugar diferente de todo o resto, em que Jesus está para realizar algo de especial.

Qual é o pano de fundo ambiental no qual se realiza a acção descrita nos vv. 13-19? Este é descrito nos versículos precedentes, sobretudo em 3,7-12. Não é como nos chamamentos junto ao lago, a vida diária com as pessoas no próprio lugar de trabalho, mas a imensa multidão de necessitados; poderíamos dizer que é o doloroso espectáculo eclesial do povo que acorre a Jesus. Situação completamente diferente da anterior. Antes, um encontro num ambiente limitado; agora já é toda uma multidão que tem sede e fome da palavra de Jesus, da sua pessoa, e que está cheia de ânsia, arde em desejo de ser salva por Ele.

Marcos, geralmente tão conciso, sabe descrever tudo isso de maneira admirável: … “Seguiu-o uma grande multidão vinda da Galileia; e também da Judeia, de Jerusalém, da Idumeia, da Transjordânia, das regiões de Tiro e Sídon; uma multidão imensa que tinha ouvido falar do que ele fazia, foi até ele. Ele disse aos discípulos que deixassem uma barca à sua disposição para que a multidão não o apertasse demais, pois havia curado a muitos, e todos os que tinham alguma doença se precipitavam para tocá-lo. E quando os espíritos impuros o viam, lançavam-se diante dele, gritando: Tu és o Filho de Deus. Mas ele repreendia-os severamente para que não o tornassem conhecido” (3,7-12).

É sublinhada a convergência da humanidade dolente, em todas as suas misérias, de todos os lugares e não somente da Galileia e da Judeia, para Jesus. Um grandioso cenário de convergência do homem para a pessoa de Jesus que fala.

Neste pano de fundo eclesial que poderíamos definir redentivo, Jesus sobe ao monte. Que significa subir a este monte, com que começa a acção que nos propomos contemplar? Não é fácil determiná-lo. Os trabalhos recentes de que falei procuram estudar o significado que pode ter este aceno. Sabemos que no Antigo Testamento subir significa solidão, separar-se do resto, momento especial de oração. Neste sentido, Lucas fala de Jesus que se separa e sobe ao monte para orar. Mas com Marcos estamos diante de um quadro diferente. Ao lê-lo bem vemos que não há, na sua mente, um Jesus que deixa toda essa gente com as suas misérias e vai para a solidão. Jesus está junto ao lago e perto do lago existem – pode-se ver isso ainda hoje – pequenas elevações ou colinas. Ele, lentamente, vai para uma delas enquanto o povo o segue; depois, daquela posição elevada, começa a gritar, a chamar pelo nome. Por isso, a sua é uma verdadeira escolha eclesial, num certo sentido. Sobressaindo no meio das pessoas que o seguem, Jesus chama alguns misteriosa e solenemente. Certamente, este subir ao monte dá um destaque ao gesto de Jesus, que talvez pode ter também outros significados teológicos; mas o mais evidente é aquele que descrevemos. Marcos nos apresenta uma cena solene em que Jesus, sem afastar-se da multidão, e todavia distanciando-se de alguma forma dela, como que para prover melhor a ela, abraçando-a, com um olhar, chama os Doze. Ele não escolhe os seus na solidão; escolhe-os no meio da sua actividade, entre a multidão que procura ajuda junto dele. O sentido apostólico e eclesial de tal escolha está evidenciado na própria maneira da descrição.

Jesus subiu ao monte e “chama (proskaléitai) aqueles que quis (éthelen) e foram (apélthon) a ele”. Três diferentes tempos: presente, imperfeito e aoristo. O presente: Jesus chama. É um verbo típico de Marcos, que o usa 9 vezes (em João nunca aparece). Marcos, todavia, geralmente o usa como princípio, ao passo que no cap. 6,7 é usado na forma finita; isto é, como verbo que descreve uma acção. Ou seja, é reservado para descrever a acção de Jesus com relação aos Doze.

Do ponto de vista exterior, qual é o conteúdo de tal verbo? A acção é descrita da seguinte maneira: na multidão imensa, na qual existem doentes, coxos, gente que berra, Jesus grita em voz alta os doze nomes, faz sinal e estes se separam dos outros e se aproximam dele. Exteriormente, é um escandir com solenidade os nomes. Mas do ponto de vista das atitudes, este verbo contém claramente a ideia de subordinação. Chama deste modo quem tem poder sobre outro. Um caso típico em que o verbo está presente em Marcos com este matiz, encontramo-lo em 15,44, onde Pilatos se admirou e “tendo mandado chamar o centurião…” etc.; isto é, o superior que chama para junto de si um inferior. Provavelmente, além da ideia de subordinação há também a ideia de preferência; um relacionamento especial com Jesus insito neste chamar que escolhe. Seja como for, a preferência é claríssima no versículo seguinte: “Quem ele quis”; aqui se exprime a soberania do chamamento. Mais ainda, a este “quis” não se deve atribuir tanto a ideia de “aqueles que lhe aprouve”, de “aqueles que lhe vieram à mente”, mas antes a ideia do verbo hebraico “aqueles que ele tinha no coração”. Encontro a melhor comparação em Mateus 27,43, que cita uma passagem do Antigo Testamento, o Salmo 22,9. Lançando invectivas contra Jesus, a multidão grita: “Teve confiança em Deus! Salve-o agora, se o tem no coração (ei thélei; o mesmo verbo de 3,13: éthelen).

Portanto, Jesus chama os que quer, os que tem no coração, aqueles pelos quais tem predilecção. A insistência é expressa de novo no autós: os que Ele queria, O autós não é necessário do ponto de vista gramatical porque a frase é igualmente clara, mas insistindo com o “que Ele queria” sublinha-se que não há nenhuma qualidade, nenhuma beleza ou atractivo por parte de quem é chamado, mas é Ele que os têm no coração e os escolhe. Este o seu amor a razão das suas acções. Talvez se possa ler outro matiz no imperfeito “que queria”, “que trazia no coração” e é a intensidade do afecto. Temos o mesmo matiz do imperfeito num caso totalmente oposto, no cap. 6,19: “Herodíades detestava João e procurava matá-lo (éthelen)”; isto é, alimentava no coração aquele desejo desde há muito tempo, com intensidade de paixão. Aqui, pelo contrário, Jesus tem no coração os seus, com amor apaixonado. Por isso ele mesmo os chama.

E eis a resposta: “Foram junto (prós) dele”. Marcos, aqui, não usa o fraseado dos primeiros chamamentos: “Seguiram-no”; isto é, o mestre vai adiante e o discípulo, o cristão, segue-o. Não diz “foram atrás dele”, ou “seguiram-no”, mas foram “para junto dele”, em torno dele. É raro este uso de prós com o verbo de movimento. Geralmente se usa eis para descrever o ir para um lugar. Usa-se prós somente para as pessoas, para indicar uma intimidade que se quer criar.

Prós autón significa, de facto, colocar-se do lado de alguém, não apenas ir fisicamente para, mas estar com alguém. Por isso, Marcos diz: “Vieram” (apélthon). O verbo grego vir, precedido de apó, indica o deixar certa posição para ir a outra. Os apóstolos deixam a sua posição comum, no meio do povo, para se colocarem estreitamente do lado de Jesus, juntamente com ele.

É interessante notar que aqui Marcos não usou um verbo que indica uma atitude interior, por exemplo “obedeceram-lhe”, mas usa “moveram-se”, deixaram o seu lugar e foram para onde Ele estava. Em toda a descrição notaremos este aspecto de concretude: não se fala apenas de uma adesão interna, mas precisamente de colocar-se na situação onde Jesus se encontra.

O v. 14 compreende a frase “E fez Doze”; frase muito estranha também em grego, com o inciso “que chamou apóstolos”, inciso que não se encontra em todos os códigos. Depois segue: “A fim de que estejam com Ele para mandá-los a pregar e ter poder de expulsar os demónios”.

Na própria tradução é evidente a dureza da sequência e da acumulação destas frases, cada uma das quais tem um sentido pregnante.

Fez Doze”. O significado é certamente forte porque pode significar: “Estabeleceu Doze”. Alguns exegetas chegam a entender: “Criou Doze”; é como se nesses doze se recriasse um povo. Certamente não convém forçar muito o texto, mas o verbo presta-se a um significado densíssimo.

Qual é, com efeito, a finalidade do “fazer Doze”? Aqui estão contidos dois verbos:

a) “A fim de que estejam com Ele”, e este é o centro da escolha, da afirmação, da vontade de Jesus. Que significa este estar com Ele? É surpreendente que a finalidade de toda esta cena seja que os Doze estejam com Ele: mas precisamente ali está colocado o acento de toda a passagem.

Estejam com Ele, antes de tudo com uma presença física e por isso o acompanhem. Notemos que, quando durante a Paixão a porteira de Caifás se dirige a Pedro para acusá-lo, não diz: “Tu és um discípulo”, mas: “Também tu estavas com Jesus” (14,67). Vê-se, pois, que a característica destes homens não era tanto a de ser gente que aderia intelectualmente, mas que estava fisicamente sempre com Ele.

Este estar é a primeira coisa à qual Jesus chama, e neste estar com Ele talvez possamos ler ainda mais se nos lembrarmos de que esta é a fórmula típica da aliança: “Deus connosco e nós com Ele”. Nesta simples convivência realiza-se o povo da nova aliança, expressa por “Deus connosco e nós com Ele”. Notemos, por fim, que o verbo no conjuntivo (hína ósin) indica precisamente a estabilidade: para que estivessem estavelmente com Ele. E por isso: não para que fossem os seus discípulos, para que o acolhessem, lhe obedecessem. Antes de mais nada, sublinha-se o estar físico que é o próprio objecto do chamamento, da escolha, da eleição.

Do estar com Ele deriva o outro verbo para o qual “Fez Doze”:

b) Mandá-los a pregar. Notemos que também aqui não se diz: estejam com ele e preguem, mas afirma-se que é Ele que os manda pregar. Em outras palavras, está sempre presente na relação entre Cristo e os seus, a iniciativa de Jesus.

São Paulo em Rom 10,15 põe quase em relação técnica, quanto à pregação, o “mandar pregar”. Portanto, é Jesus que manda pregar, proclamar, gritar. Pregar o quê? É o que será explicado em todo o Evangelho de Marcos. Podemos antecipá-lo dizendo: pregar o mistério do Reino, o Cristo. Então compreende-se por que estão com Ele: estão com Ele porque devem dar testemunho dele. Não estão com Ele porque devem ser instruídos e depois enviados a repetir, mas para que o conheçam intimamente numa comunhão de vida e depois dêem testemunho dele. Vemos quanto o sentido do apostolado como testemunho pessoal é fortemente sublinhado.

A outra realidade que brota deste estar com Ele é o ter o poder de expulsar os demónios. Não se fala em expulsá-los, mas em ter o poder de fazê-lo. Também aqui as palavras são pregnantes. Por exemplo, o termo exousían, em Marcos, é usado para Jesus e para os Doze. Somente Jesus e os Doze têm o poder por excelência. Em Marcos 1,22 diz-se que o ensinamento de Cristo é um ensinamento novo com poder. A frase “expulsar os demónios” tem, em Marcos, uma grande importância porque indica, através dos exorcismos e daquilo que eles significam, a luta que Jesus trava contra o mal; portanto, a síntese da obra de Jesus, à qual Ele associa os seus. A mesma palavra volta no cap. 6, 7 quando Jesus envia os seus em missão. Por isso ela está estreitamente ligada à pregação. Isso significa que, segundo tal concepção, pregação e luta contra o mal estão estreitamente unidas. Não se trata de uma pregação abstracta e depois de uma acção benéfica, mas de uma pregação que se realiza com poder (cfr. Mc 1,22).

Desejo concluir esta meditação com uma última observação: que devem fazer os Doze em Mc 3,14-15? Devem pregar e expulsar os demónios. Como será descrita a sua acção em Mc 6,12-13? Que pregaram e expulsaram demónios.

Em substância: que são os apóstolos? São o próprio Jesus que prolonga a sua acção. Não apenas os repetidores daquilo que ouviram, mas são a acção de Jesus que se amplia e se prolonga. Mais uma vez compreendemos a importância de estarmos com Jesus, não tanto para imitar alguma palavra ou captar alguma frase, mas para nos identificar com o seu modo de viver, de agir, para testemunhá-lo e repeti-lo da mesma maneira.

Eis como Jesus preparou os seus e como prepara todos aqueles que na Igreja são chamados a estar permanentemente com o Senhor.

Carlo Maria Martini
Ed Loyola, S. Paulo 1988
Retiro de 1974

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Questa voce è stata pubblicata il 12/02/2019 da in Fé e Espiritualidade, PORTUGUÊS con tag , , .
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