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África: A nova colonização chega de comboio

A China ressuscita o projecto europeu de traçar uma via-férrea que ligue o Cairo à Cidade do Cabo. Um projecto titânico que entre 2000 e 2014 recebeu 10 mil milhões de dólares de financiamento por parte da potência asiática.


África - A nova colonização chega de comboio


CAROLINA VALDEHÍTA
Revista Além-Mar, Maio 2019

A revolução industrial mudou a forma de transportar mercadorias e pessoas na Europa, tornou evidente que o progresso estava estreitamente ligado à ferrovia. Após o êxito no Velho Continente, os colonos europeus rapidamente chegaram à conclusão de que África precisava de se dotar de vias-férreas para transportar

com eficácia e rapidez as cobiçadas matérias-primas e a produção das plantações. Mas não apenas isso, o comboio ajudaria também a comunicar os seus domínios, facilitar a gestão política e manter as possessões. Neste sentido, o projecto mais ambicioso era o de completar uma infra-estrutura que fizesse a comunicação dos domínios-chave britânicos: Cidade do Cabo (África do Sul) e a capital do Egipto, Cairo.

A ideia foi impulsionada por Cecil Rhodes, o político britânico cujo ego e obsessão pelo continente o levou a usar o seu apelido para renomear o actual Zimbabué como Rodésia. Contudo, a partilha africana entre as potências europeias, os conflitos regionais, a II Guerra Mundial e as diferenças topográficas entre países impediram que se concluísse o projecto de completar os mais de 10 mil quilómetros que separam ambas as cidades. Não obstante, construíram-se quilómetros de linhas férreas em alguns Estados que continuam em funcionamento nos nossos dias. No Quénia, Uganda, Tanzânia, Zâmbia, Botsuana, Zimbabué, África do Sul e Moçambique existem linhas férreas que transportam mercadorias e pessoas, se bem que em escassas condições de comodidade e uma grande demora no transporte.

O que veio depois do período colonial é por demais conhecido. Décadas de recessão nos projectos de infra-estruturas e corrupção em quase todas as nações, retardando o desenvolvimento nas comunicações internas. Algumas vias-férreas da época colonial desapareceram, e as que sobreviveram mal sofreram modernizações. Todavia, tudo mudou no início do século xxi com a chegada do novo sócio neocolonizador: China. O gigante asiático revolucionou em duas décadas o desenvolvimento das infra-estruturas em África, com milhares de quilómetros de estradas e melhoramentos no comboio. Este último projecto toma o testemunho daquele sonho colonialista de uma rede ferroviária que ligue o continente com uma maior mobilidade e rapidez no transporte de mercadorias.

Um investimento milionário

O que de início foram intercâmbios comerciais em determinados sectores acabou por se transformar numa relação consolidada entre a China e a quase totalidade dos Estados africanos, até ao ponto de que a maioria pondera aceitar o yuan chinês como moeda de câmbio em vez do dólar norte-americano. Esta nova forma de colonização é tudo menos secreta, e move montantes milionários cujas cifras é quase impossível determinar com exactidão. Um relatório da McKinsey & Company publicado em Junho de 2017 estima que o investimento chinês na África é de 180 mil milhões de dólares, que em 2025 poderão ser 250 mil milhões. O mesmo relatório precisa que a falta de transparência no momento de conseguir dados faz pensar que os números reais poderiam mesmo ser o dobro. Por outro lado, segundo estimativas do grupo de investigação SAIS China-Africa Research Initiative, entre 2000 e 2014, o Banco de Exportação e Importação chinês emprestou 10 mil milhões de dólares para projectos ferroviários na África.

O primeiro troço financiado e construído pela China foi o conhecido TAZARA, herança dos Britânicos e que estabelece comunicação entre Dar-es-Salaam (Tanzânia) e Kapiri Mposhi (Zâmbia). No final dos anos 70, completaram-se os 1860 quilómetros que dão à Zâmbia a sua única saída para o mar. É uma obra de interesse comercial já que o país possui grandes recursos minerais. Com o novo milénio chegaram novos projectos e inaugurações. Esperava-se que no fim de 2018 se tivessem construído 3600 quilómetros ao longo do continente, mas os atrasos no momento de iniciar as obras tornaram impossível cumprir os prazos.

Outro grande projecto financiado e construído pela China foi a linha de 782 quilómetros entre a capital do Sudão, Cartum, e Port Sudan, a sua principal saída para o mar Vermelho. Baptizado como Comboio do Nilo, a China terminou a sua construção em 2014 com um custo de 1500 milhões de dólares, 1100 emprestados pelo país asiático. Na Nigéria, desde 2016 as cidades de Abuya e Kaduna estão ligadas por um troço cuja construção envolveu 874 milhões de dólares, 500 procedentes da China. Em Janeiro de 2017, a capital da Etiópia, Adis-Abeba, ficava ligada por via-férrea com o mar Vermelho, a 765 quilómetros de distância, através do Jibuti. Espera-se que esta linha chegue ao Sudão do Sul, Uganda e ao Quénia.

Em Setembro desse mesmo ano, foi inaugurada a linha que liga Nairobi, a capital do Quénia, a Mombaça, a cidade mais importante da costa e um dos portos-chave do continente para a entrada de produtos asiáticos. Os Portugueses e os povos costeiros do Leste africano tornaram-se traficantes de escravos e comerciantes peritos em especiarias, chá e sedas que, posteriormente, deram lugar aos produtos que a globalização exportou para todo o globo. Este comboio liga os 485 quilómetros que separam ambas as cidades em cinco horas, e custou 4000 milhões de dólares (3600 financiados pela China). Não aspira unicamente a transportar mercadorias entre Mombaça e Nairobi, antes se espera que dentro de alguns anos chegue também a Campala, a capital do Uganda, e posteriormente à capital do Ruanda (Kigali) e do Sudão do Sul (Juba), país especialmente interessante pelas suas jazidas de petróleo localizadas na fronteira com o Sudão.

Os desafios para África

Fotos de chefes de Estado com representantes chineses, palavras de elogio mútuo e bandeiras e inscrições em mandarim em cada projecto in situ. As empresas orientais têm, no papel, um objectivo nos países africanos: uma relação na qual todos saiam

beneficiados. Mas os projectos chineses não esperam uma compensação «no momento», pois sabem que se cobrarão os créditos com o tempo, levantando suspeitas sobre o espólio que esperam levar nas próximas décadas. Nesta relação, a China oferece o que melhor sabe fazer – venda de mercadorias e criação de infra-estruturas –, e África compensa com o que os colonizadores do passado sempre ansiaram – terras cultiváveis, matérias-primas e recursos naturais.

Um dado importante é que a China tem a maior população do planeta, que em 2020 alcançará os 1420 milhões de habitantes, segundo o seu próprio Governo. Paralelamente, a ONU estima que na África vivem 1200 milhões de pessoas, 16% da população mundial – em 2100 poderão ser 40% dos habitantes do planeta. O aumento da população mundial levanta um dilema no momento de tornar sustentáveis os recursos naturais que, em questão de décadas, é possível que comecem a escassear no gigante asiático.

Muitos vêem na África o próximo abastecedor mundial de alimentos. Às suas férteis terras junta-se um dos subsolos mais ricos do mundo, onde os minerais continuam a ser muito procurados, especialmente com o desenfreamento tecnológico asiático. A China encontrou na África um sócio comercial modelar que precisa de soluções a curto prazo para descolar para o ansiado progresso. Serão as mesmas vias-férreas, as que transportam mercadorias procedentes da China as que levarão as reservas africanas.

Não há quase nenhum país africano em que não haja presença chinesa, embora existam alguns exemplos nos quais a incidência asiática é mais notável do que noutros, como, por exemplo, Quénia, Ruanda, Uganda, Zâmbia, Zimbabué, Malauí, Tanzânia, Moçambique ou Madagáscar. Desta maneira, há uma imagem que se repete na geografia africana: grandes máquinas procedentes da China com engenheiros chineses orquestrando as obras. «Não sabem inglês, mas logo que chegam à comunidade na qual vão trabalhar não tardam a aprender o idioma local», asseguraram-me em 2015 em Kibuye, uma cidade ruandesa nas margens do lago Kivu, onde também havia uma central de gás propano. Em Lusaca, a capital da Zâmbia, engenheiros chineses construíram o novo aeroporto internacional, cujos dizeres à entrada estão escritos em mandarim, e que aspira a tornar-se um dos mais modernos da região. Além disso, a China está a construir estradas no país para melhorar a deficiente comunicação interna. «O que leva a China em troca deste investimento?», foi a pergunta aos responsáveis locais que supervisionavam o projecto. «Vamos vê-lo com o tempo. Temos muitos recursos minerais», foi a resposta.

À mesa, sem dúvida, estão apenas dois comensais, que são as elites locais e os investidores chineses. As consequências para a economia podem ser catastróficas para países débeis que já acumulam uma dívida pública milionária, pelo que é importante prestar atenção às condições do investimento chinês. A necessidade de terreno para que as obras possam desenvolver-se implicou também que muitos criadores de gado e agricultores tenham perdido as suas terras para dar lugar ao desenvolvimento. Como sempre, muitos queixam-se de que o Estado não os recompensou depois de os ter obrigado a abandonar as suas terras e muitos viram como as suas vidas mudaram por um projecto de que, provavelmente, não farão parte.

Condições laborais injustas

Tem-se criticado que a China beneficia de uma mão-de-obra barata quase sem direitos laborais. Costumam ser jornaleiros que se reclamam em função das necessidades do dia e trabalham de sol a sol por um salário de cinco dólares. O equipamento, que noutros países seria obrigatório para a protecção do trabalhador, na África brilha pela sua ausência. No Quénia, os trabalhadores locais queixaram-se da chegada de muito pessoal chinês para trabalhar nas infra-estruturas em vez de empregar quenianos e assim ajudar as suas economias e a criação de emprego. No Quénia, mas também na Tanzânia, teme-se que afecte o habitat dos animais selvagens que vivem nos parques localizados em ambos os países.

Também não se deve esquecer como os conflitos no continente, em especial na zona dos Grandes Lagos, podem impedir que se levem a cabo as obras.

Contudo, a chegada das vias-férreas construídas pela China marca uma era de progresso e abertura ao futuro por que tanto ansiava a África.

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Questa voce è stata pubblicata il 20/05/2019 da in Atualidade social, PORTUGUÊS con tag , .
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