COMBONIANUM – Spiritualità e Missione

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Eucaristia e Missão: DAR A SUA VIDA

Formação Permanente – português 8/2019

Texto .doc FP.pt 2019-8 Pierre Claverie – Dar a sua vida
Texto .pdf  FP.pt 2019-8 Pierre Claverie – Dar a sua vida


beato Pierre Claverie

DAR A SUA VIDA
Pierre Claverie

Dominicano, bispo de Oran, Argélia, assassinado no dia 1 de agosto de 1996 e beatificado no dia 8 de Dezembro de 2018. Resumimos o seu retiro sobre a Eucaristia escrito por ocasião do Congresso Eucarístico Mundial, de 1981, em Lourdes, França sob o tema: “Jesus Cristo pão partido para um mundo novo”. O texto completo está no livro Donner sa Vie, Paris, Cerf, 2008.

Para Pierre Claverie, o Reino de Deus está no interior de toda a criação. Ele existe onde a Palavra e o Espírito de Deus germinam numa terra humana. Ele semeia todas as realidades humanas para fecundá-las e fazê-las encarnar a própria presença de Deus. Dom de Deus, o Reino é recebido sob certas condições. Herdarão o Reino de Deus: os pobres de Espírito (Mt 5, 3); os que se tornam como crianças (Mt 18, 1-4); os que procuram o Reino e sua justiça (Mt 6, 33) e não se deixam monopolizar pelos bens e cuidados deste mundo, por si mesmos e seus próprios interesses; àqueles que estão prontos a sacrificar o que possuem (Mt 13, 44-45) para atingir uma perfeição maior que a dos fariseus (Mt 5, 20); aos que cumprem a vontade do Pai (Mt 7, 21) cuja primeira e última palavra é o amor fraterno (Mt 25, 34-36).

Somente poderemos compreender a profundidade da Eucaristia se assumirmos , em toda nossa vida, o espírito de pobreza, da criança e o dom de si por amor que nos dá acesso ao Reino. A Eucaristia nos inicia a isto e é preciso entrar, passo a passo, nos seus ritos para realizar o nosso próprio destino e fazer do nosso mundo um “mundo novo”. Sem esta disponibilidade de coração, ficaremos, para todo o sempre, prisioneiros das aparências, dos ritos e das leis.

Temos que nos aproximar do mundo e dos outros com uma atitude de pobreza, de respeitosa espera, de escuta gratuita e desinteressada para podermos perceber para além das aparências, uma presença fraterna, com a qual podemos, finalmente, dialogar. Mas para que não aceitemos mais conquistar, dominar e submeter, para que passemos à gratuidade e à espera desinteressada, é necessário extirpar toda posse, sobretudo a do dia-bolos (o que separa cortando) e nos colocar à disposição do diálogo (atravessados pela Palavra) pelo sinal ou pelo símbolo, sun-bolos (o que reúne unindo). Esta passagem é a mesma da Páscoa que conduz ao Reino de Deus e Jesus a transpôs passando da morte-separação à vida-comunhão filial pelo dom de si, mãos abertas sem nada reter, por amor. “Só há um único passo a se fazer para reencontrar Deus: um passo fora de si mesmo”(Rumi). Mas para aceitar a passagem e o despossuir-se confiante da fé, que consente em sair de si mesmo, é preciso ter sido amado.

Aproximar-se de Deus: perdão e Aliança de misericórdia

O pecado não se opõe à virtude e nem é uma falta no cumprimento da Lei. O pecado é a atitude de fundo que pode colorir a própria virtude e até a aparência mais nobre e mais perfeita: ser pecador é querer fazer de si mesmo o centro do mundo – orbitar em torno de si próprio – e querer ser a si mesmo por si próprio, diante dos outros e diante de Deus e reduzir tudo a si. É a ruptura da Aliança e sua consequência é a morte ou a solidão, o que para o Antigo Testamento é idêntico. Reconhecer-se pecador não acarreta nada de trágico ou de castigo: o pecado não é o que aprendemos acreditar que fosse, há quase uma alegria em se reconhecer pecador, pois isto supõe que descobrimos o amor, a força do perdão e da transformação. A tristeza e o abatimento vêm de duas perversas interpretações do pecado: ou bem, não nos consideramos pecadores porque nos julgamos perfeitos observadores de uma Lei (é a virtude triste e carrancuda dos fariseus que reprovam a Jesus de “comer e beber” com os pecadores) ou ainda, nos esforçamos tristemente para adquirir uma perfeição inacessível, sempre impotente, culpada e humilhante.

Nós imploramos a piedade de Deus para que não permita que nos fechemos sobre nós mesmos, temerosos e esmagados pelo nosso orgulho e humilhados porque nos afastamos dos caminhos das virtudes (cf. Mc 7, 21-23). Como nos afirma Paulo: “Não depende do homem querer ou fazer, mas de que Deus faça a misericórdia” (Rm 9, 16). Pedir a misericórdia é também nos colocarmos à disposição desta mesma misericórdia uns face aos outros. Nossa assembleia é uma assembleia de pecadores e nós não valemos mais uns dos que os outros. É o momento de mudar o nosso olhar sobre aqueles com os quais celebramos: se Deus convoca cada um dentre nós, com a sua história pessoal e com o mistério insondável do seu coração para nos fazer experimentar o poder do seu Amor, como eu me permitiria julgar, excomungar, esmagar e rejeitar o meu próximo? A assembleia se forma na consciência que ela é convocada por qualquer um que deseja reconciliar tudo no seu amor (Jo 15, 16).

Muitas vezes ouvimos dizer que temos perdido o sentido do pecado: eu creio que perdemos o sentido do amor e da misericórdia muito mais do que o do pecado e disto decorrem todas as desordens.

Acolher sua Palavra, a expressão do seu próprio Ser

A Palavra de Deus não é somente uma sequência de vocábulos e de sentenças: ela é a manifestação, a comunicação, a expressão do seu próprio Ser e de sua Presença ativa, operante. Ela é eficaz, pois é verdadeiramente habitada pelo Espírito e a Presença daquele que a pronuncia. Ele se compromete inteiramente: não há distância entre o que se diz e o que se faz. Esta Palavra insufla a vida e vemos que em Jesus Palavra, Presença e Ação se conjugam para comunicar a Vida. Esta Palavra, para nós, fez-se carne e o homem é Jesus-Cristo, uma pessoa e não somente os vocábulos num Livro: Jesus não escreverá! Escutar a Palavra é concentrar todo nosso ser para reter a Presença cuja escritura é o sacramento, pois a Palavra proclamada e não apenas lida na assembleia é verdadeiramente o sacramento da Presença de Deus em Jesus Cristo. Ela significa e alimenta tanto quanto o pão e o vinho.  No Antigo Testamento, a Palavra de Deus, esta sabedoria que nasce da experiência, do povo de Deus com seu Deus, está quase personificada e ela se come e se bebe: ela prepara a mesa. Comungamos esta Palavra como comungamos o pão e o vinho, Corpo e Sangue do Cristo.

Cada um entre nós não pode se contentar em repetir o que foi escrito, de reproduzir hoje o que os apóstolos viveram e escreveram há vinte séculos. Cada um recebeu o Espírito para encarnar por sua vez a presença atuante de Jesus: é desta maneira que se escreveu o quinto evangelho (o da vida) e que a Boa Nova do amor de Deus é proclamada hoje e pelos séculos. A evangelização é a vida de uma comunidade que recebe, encarna e comunica o amor de Deus descoberto em Jesus – este amor partilhado e proclamado pelos seus apóstolos nos seus evangelhos. Esta Palavra não nos chega somente pelas letras das Escrituras recebidas na Igreja, ela se encarna nos homens e mulheres que nos interpelam em nome de Deus ou nos revelam um aspecto ou outro de sua Face que temos esquecido ou voluntariamente ocultado. É o que os Padres da Igreja chamavam de “sementes do Verbo” na criação.

No nosso mundo alquebrado, a comunicação está destruída. A palavra é insignificante: a inflação de vocábulos faz perder de vista os que os pronunciam, não há mais relação concreta com a realidade como nos tempos bíblicos e como ainda hoje existe nas línguas semitas ou africanas.

Por sua Palavra, Deus se diz e se dá inteiramente. Nossa palavra deve também dizer o que nós somos. E ela o diz, aliás, apesar de nós e nos revela sem que o saibamos. A qualidade do nosso ser será a qualidade da nossa comunicação, mesmo silenciosa. Escutar muito, falar pouco: vossa palavra terá então o peso de vossa presença com os outros e ela poderá ajudá-los a viver e amar.

Proclamar sua fé: confiança e obediência

Após a escuta da Palavra vem o momento do compromisso, da conversão que abre a porta da oferenda e da Páscoa de Jesus Cristo. A fé é a nossa resposta ao apelo do amor de Deus. Ela é o movimento pelo qual todo nosso ser se abandona e se entrega Àquele que provou um amor mais forte do que a morte.

Podemos dizer que a primeira parte da Missa, que vai finalizar com o Credo, é como uma figura do batismo: o limiar do sacrifício que vai seguir. Iniciada pela conversão, ela continua pela escuta da Escritura e termina na proclamação da fé. A passagem se faz, de nós para Deus pela escuta de sua Palavra de Amor: estamos, então, dispostos a partilhar o mesmo gesto do seu Filho. Esta fé nos coloca na atitude justa para continuar a ação eucarística.

Abandonar-se oferecendo sua vida: a pobreza

No momento do ofertório damos um passo para fora de nós mesmos e este momento nos associa ao dom que o Cristo faz da sua vida, pois quando se descobre o poder da confiança e do amor, não se pode mais viver curvado sobre si mesmo: é o momento do despojamento e da pobreza. O ofertório é um compromisso de todo o nosso ser ao serviço da Boa Nova evangélica: oferecemo-nos para ser o pão pelo qual Deus quer saciar os famintos de amor em todo o mundo. Nós nos colocamos à disposição de Deus, com as mãos abertas, prontos a dar o que as obstrui, mas também prontos a nos entregar sem reservas para que Deus realize a sua obra por nós, em nós e por meio de nós.

O ofertório é o momento da disponibilidade que é a forma essencial da pobreza fundada sobre a confiança: por esta disponibilidade o homem que segue o Cristo se entrega à sua simples humanidade pela qual pode transparecer a luz da sua face. O compromisso exigido pelo ofertório é o de homens e mulheres com as mãos nuas, como seu Senhor, de coração aberto e desobstruído, sem entulhos, que testemunham a sua confiança Naquele que os chama e os envia. Quanto mais os meios são pobres, mais evidente é a fonte.

Nós apresentamos o pão. É o pão da marcha no deserto ao reencontro com Deus. É o pão da liberdade, que se come de pé; o pão da marcha em frente que se come para poder partir para uma próxima etapa; é o ponto de encontro entre a natureza e o trabalho do homem. É o maná que Deus coloca em nossa travessia, o justo necessário que não se pode armazenar sob a pena de vê-lo apodrecer entre nossas mãos: como todo dom divino. Apresentar este pão é “sair” (êxodo) ao reencontro de Deus.

Nós apresentamos o vinho. O vinho da festa e, também, o símbolo do sangue derramado, pois o êxodo de Jesus Cristo é a sua subida para Jerusalém onde vai renovar a Aliança. No afrontamento com os poderes da morte, Jesus vai dar a sua vida, entrando na morte para aí depositar, no interior, o germe da vida que vai levantar os túmulos.

Cada Fiat, cada Amém é uma porta aberta ao Deus que espera, que bate e que pede para ser convidado. Esta é a razão pela qual os pobres são os primeiros a acolher Deus e os primeiros para quem Jesus vai dirigir o seu olhar e seus passos. A oferenda é mais espontânea quando não temos riquezas a proteger e o cuidado de acumular para viver: a partilha é mais natural e abrimos a nossa porta com maior vontade quando somos pobres e que temos, verdadeiramente, necessidade dos outros para viver. A oferenda lembra-nos também que é preciso abrir a porta e se dar.

É o momento de realizar que a nossa vida só tem valor à medida que ela se dá: não somente na missa, mas também no cotidiano dos encontros e acontecimentos da vida. Dar-se a Deus, mas também dar-se aos outros, é o movimento do ofertório que desemboca na Páscoa e na comunhão dos filhos de Deus. Se tudo é recebido como dom de Deus, não temos nada a reter e tudo a partilhar: a oferenda é a consequência deste dom de amor incessante que é a criação por Deus e que o Espírito faça de nós uma eterna oferenda à glória de Deus.

Dar graças, Eucaristia: Cantar a glória, o reconhecimento.

Eucaristia significa dar graças e o que celebramos é a maravilha que é nosso Deus como Jesus nos dá a conhecer no gesto supremo de dar a sua vida por seus amigos. A descoberta do amor de Deus é a fonte de todo comportamento cristão: perdão, escuta da palavra criadora do amor, grito de confiança que se torna uma confissão de fé, oferenda da sua vida em resposta ao dom da vida e, finalmente, o reconhecimento pelo amor recebido e pelo amor dado.

Damos graças por este Deus que não esmaga nunca, não se impõe, não julga e nunca rejeita ninguém: Ele é o Amor e todo seu poder é o do amor, da fé humilde, paciente, atento a nada quebrar, a não apagar a chama que ainda fumega, mas forte e irresistível como o apelo do amante pelo guia. Damos graças a este Deus porque Ele é um Deus de relação e de comunhão e não um todo-poderoso solitário e distante. Ele é na sua própria natureza acolhida e dom; partilha e comunhão. Ele cria e recria sem cessar a comunicação e a comunhão, indo diante dos que estão curvados para lhes abrir novamente a alegria da partilha.

O nosso deslumbramento do conhecimento de Deus em Jesus Cristo se prolonga pelo conhecimento e o reencontro de todos aqueles, homens e mulheres, que são ainda hoje os sinais de sua Presença. Pois Ele mesmo disse: os que serão habitados pelo seu Espírito nos interpelarão em seu nome, a começar pelos pequenos e pelos pobres que são o sacramento da sua Presença real e viva neste mundo.

Somos portadores da esperança e testemunhas da alegria de Deus e a Eucaristia nos convida a isto e para sermos portadores e testemunhas é necessário que leiamos as Bem-aventuranças e compreendamos que a glória do Reino e a alegria da Ressurreição nascem na passagem da Cruz.

O apelo ao Espírito Santo: mestre da obra, força de vida

Nós oramos ao Espírito Santo para santificar nossas oferendas para que se tornem o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo: oramos ao Espírito Santo para que torne presente e atual a páscoa de Jesus Cristo Ressuscitado. A obra do Espírito é de tornar contemporâneas a presença e a ação de Jesus Cristo na nossa humanidade. É dele que esperamos o nascimento do mundo novo sendo vigilantes na fé. Ele é o mestre de obras da nova criação, como foi na origem, pairando sobre as águas ou insuflado no homem. O Espírito Santo é o ar do Reino de Deus. Tudo o que o Espírito suscita e anima traz em si um ar e um aroma do Reino de Deus. O Espírito é quem cria a nossa comunhão no Corpo do Cristo ressuscitado (1 Cor 12). Ele fecunda cada um com seus dons, exigidos para a harmonia do conjunto. Cada um de nós é dotado de carismas para a edificação – construção do todo – e, por isso, ninguém é desprezível, pois todos temos necessidade uns dos outros, pois cada um é para o outro um dom do Espírito. É o Espírito que faz a Igreja na sua diversidade e manifesta a vitalidade desta mesma Igreja ao dar-lhe a missão de realizar sinais que manifestem a realidade do Reino já presente no coração de sua ação e de sua vida. O primeiro e o maior sinal é o do Amor: é o único que importa e todo o resto lhe está subordinado (1 Cor 13).

A manifestação da obra de Deus, sua realização na humanidade, é o amor fraterno com o que ele comporta de paciência, de bondade, mútua atenção e de confiança criadora. Na realidade cotidiana da vida, este é o maior milagre do Espírito e o seu maior sinal, mesmo que nada tenha de “maravilhoso” ou de “miraculoso” aos olhos das pessoas sedentas de “sinais” extraordinários.

É o Espírito que confere ao ministro da Palavra atualizar a mensagem e torná-la acessível a cada um (“cada um compreendia em sua própria língua”) na sua mentalidade, pois Ele fala ao coração. É Ele quem nos inspira a oração, a ação de graças e o louvor, pois nos faz reconhecer a obra do Reino de Deus e guardar viva a memória de Jesus Cristo.

É o Espírito que nos coloca o estado de oferenda de nós mesmos, de abandono e compromisso. Faz-nos pobres para entrar no mistério da Páscoa. O pão e o vinho são transformados pelo Espírito de tal maneira que se tornam realidade do Reino: o Corpo e o Sangue do Cristo na assembleia dos que vão deles se alimentar e tornarem-se desta maneira Corpo de Cristo.

O amor deve realizar em nós sua obra de justiça, de paz, de criação e de comunhão.

A Páscoa do Senhor e a nossa

  Na véspera de sua Paixão, Jesus sabia que provocara as forças da morte denunciando-as cada vez mais claramente. Ele atacou o poder da morte sobre os corpos dos homens e mulheres, curando as doenças de todos os tipos; ele atacou o poder da morte nos corações denunciando a hipocrisia, a mentira, a injustiça, e a autossuficiência. Desafiou até o poder da Lei religiosa da qual se serviam os sacerdotes para submeter os crentes (os sábados, as purificações, os jejuns). Todas estas forças vão se unir contra ele e, voluntariamente, ele se deixara acorrentar por elas: este é o sentido da sua recusa de ser salvo pela espada de Pedro e de seu silêncio diante dos seus juízes.

Presença real e adoração

É no reencontro entre a assembleia que celebra e os sinais da Páscoa – pão e vinho – que o Corpo de Cristo se incorpora à humanidade e se realiza a sua presença real. É importante acentuar que o Corpo eucarístico só se torna presença real do Cristo no e pelo Corpo eclesial, este corpo de discípulos, habitado pelo Espírito de Deus para ser a prefiguração do seu Reino de amor. É preciso entrar no mundo sacramental para que a transformação se faça: não se trata somente do pão e do vinho, mas também da assembleia toda inteira que recebe o Espírito e se torna Corpo do Cristo. Nada se passa se fórmulas são pronunciadas sobre o pão e o vinho fora do contexto e do conjunto de uma Eucaristia celebrada pela Igreja, Corpo do Cristo. É preciso saber que Corpo do Cristo, desde as origens do cristianismo, não designava o pão consagrado, mas “a Igreja de Jesus Cristo espalhada em todo o Universo e que continuava a crescer sob a conduta pastoral do colégio episcopal”. E a comunhão era a comum união da Igreja em crescimento que o Espírito mantinha na unidade do amor.

Comer o pão e beber o vinho é entrar com Ele na sua intenção pascal: fazer nosso Seu desejo de dar sua vida para destruir a morte. O pão e o vinho são realidades do Reino: habitados pela presença do Cristo que está todo em todos. Por meio deles Jesus se torna realmente presente no meio de nós quaisquer que sejam nossas disposições interiores para recebê-Lo. Ele toma a iniciativa de se apresentar, de se expor, de se dar independentemente da nossa fé e da qualidade de nossa própria presença.

Como diz São João Crisóstomo: “Queres ver teu altar? Este altar é constituído pelos próprios membros do Corpo do Cristo. E o Corpo do Senhor torna-se para ti um altar. Venera-O. Ele é mais augusto que o altar de pedra onde celebras o santo sacrifício. E tu, tu honras o altar que recebe o Corpo do Cristo e desprezas aquele que é o Corpo do Cristo. Este altar, em todos os lugares te é possível contemplá-lo: nas ruas, nas praças e em todas as horas podes nele celebrar a liturgia”.

A oração de Cristo e da Igreja

No movimento que conduz à comunhão pela partilha do Corpo e do Sangue do Cristo, agora é o momento da grande intercessão da Igreja pelo mundo, por Cristo, com Cristo e em Cristo. Quando dizemos por Ele, com Ele e Nele, situamos muito bem a oração cristã em seu Nome. Orar em nome de Jesus é amar (Jo 16, 24-27) e ter no coração o seu próprio amor (Jo 15, 16-17).

Se desejamos os que Deus deseja não podemos nos contentar com palavras e intenções piedosas: nossa oração será também uma entrada no seu desígnio com todas as nossas energias, mesmo que limitadas, mesmo as mais humildes. E o essencial da oração é o acolher, o se abrir e o receber. Na oração, temos primeiro a consciência de que Deus é a fonte e que nossa vida e a vida do mundo devem se saciar desta fonte de vida e receber de Deus o sopro que cria, verdadeiramente, de novo, o mundo.

Pai Nosso é a sequência natural desta oração que temos feito pela Igreja e pelo mundo, por Cristo, com Cristo e em Cristo. Esta oração resume num texto breve tudo o que interessa dizer e viver quando estabelecemos uma relação com Deus, pois reafirmamos que o Espírito é a fonte de nossa confiança e de nossa segurança, pois Ele faz de nós filhos e filhas e nos concede descobrir o amor do Pai. É por Ele que podemos dizer a Deus: Pai Nosso!

Corpo de Cristo no amor: a comunhão

A comunhão é o coroamento de tudo o que vivemos antes na Eucaristia. A vida no Espírito que cada um recebe deve ser transmitida pela vitalidade e pela travessia da comunidade. Não retemos nada para nós, damo-nos mutuamente uns aos outros para que possamos viver. Desta maneira ninguém se impõe e nem retém para si mesmo qualquer coisa por menor que seja; não procura se proteger e nem se encerrar atrás de trincheiras.

Cada um de nós é chamado por seu nome, habitado por esta presença de tal modo que é pessoalmente enxertado no Corpo do Cristo. Nossa comunhão e nossa partilha não são um agrupamento anônimo: nós não nos fundimos num todo indistinto como o sal no mar; somos pessoas insubstituíveis, cada um é chamado por uma razão distinta: com suas riquezas e sua história pessoal e cada um é respeitado pelo seu caráter próprio. Não há uniformidade neste Corpo, ao contrário, a diversidade é necessária porque somos todos complementares. A Igreja tem necessidade da diversidade das culturas, das raças, dos povos, das pessoas para construir o Homem total, o Cristo perfeito. Cada um é responsável pela formação e pelo crescimento do todo.

Este conhecimento de amor, que chama cada um pelo seu nome, liberta da solidão, do medo e da desconfiança dos outros. Nossa comunhão começa a existir quando abandonamos, pouco a pouco, nossos julgamentos e pretensões sobre os outros quaisquer que sejam: julgar é se situar em relação aos outros e Jesus nos convida a nos situarmos somente em relação a Deus. A Eucaristia permite nos colocarmos sob este olhar libertador e sermos, desta maneira, artesãos da paz e da fraternidade. Um mundo novo pode começar.

Nossa comunhão se constrói não erguendo muralhas que separam e aprisionam numa torre de marfim, mas ao se colocar cada um dos seus participantes a serviço do Reino de Deus na construção deste mundo fraterno. Nossa comunhão não é somente para o momento de uma missa, pois ela é a atitude mais essencial da nossa vida e ela mesma é o sinal maior do Reino de Deus realizado em nosso mundo. Nossa fraternidade é o sacramento da presença e da ação de Deus.

Corpo do Cristo para o mundo

A Eucaristia é missionária, a unidade que ela cria é aberta ao mundo que espera a “manifestação dos filhos de Deus”. A Eucaristia faz de nós um povo de testemunhas: testemunhas do amor de Deus que temos recebido e que comunicamos a todos nos lugares em que vivem.

Este testemunho é a primeira e essencial evangelização – a missão da Igreja consiste em tornar contagiosa esta maneira de ser e de existir que descobriu no Cristo – com um grande respeito das consciências e das liberdades, pois nada no mundo pode fazer nascer o amor a não ser pelo amor. Nem a persuasão, nem a autoridade, nem as obrigações impostas, nada pode forçar o homem a amar a não ser o reconhecimento de outro amor, humilde e respeitoso.

A Eucaristia também faz de nós um povo de vigilantes que carregam uma esperança e faz de nós irmãos universais, pois nos torna solidários com toda a humanidade. O pão partido nos converte em homens e mulheres da partilha e, desta maneira, sermos uma força de transformação do mundo. A Eucaristia nos compromete a partir o pão com todo homem na sua necessidade. Como então podemos viver uma Eucaristia sem nos comprometermos na libertação dos nossos irmãos e irmãs? Desta maneira a Igreja, Corpo do Cristo para o mundo, deve continuar a sua missão de serviço e de amor.

O sacramento da Eucaristia não é um fim em si mesmo: ela se extingue no Reino que ela designa e o qual ela inicia, no qual ela nos faz entrar e que ela realiza. A Eucaristia nos faz participar da própria vida do Reino, coloca-nos na comunhão dos santos em que Deus é tudo em todos. É preciso crer nesta comunhão universal na Vida, nesta comunhão misteriosa do poder da Ressurreição, porque devemos acreditar na comunhão dos santos num único Corpo do Cristo.

ITE MISSA EST

“A Missa não acaba enquanto um corpo estiver faminto, uma alma estiver pisoteada, um coração estiver ferido e um rosto estiver fechado: enquanto Deus não for tudo em todos. Eis todo o universo em vossas mãos como uma hóstia para ser consagrada por vosso amor e vossa caridade e voltar à sua vocação divina que é de amar e de cantar: ‘Tudo é vosso, vós sois de Cristo, Cristo é de Deus’ (1 Cor 3, 23). Ide! É a missão divina, na colheita divina para recolher e juntar todas as espigas dispersas num único pão vivo” (Maurice Zundel, O poema da santa liturgia, 1934).

http://matersol.blogspot.com

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Questa voce è stata pubblicata il 05/08/2019 da in Artigo mensal, Fé e Espiritualidade, PORTUGUÊS con tag .

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San Daniele Comboni (1831-1881)

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Combonianum è stata una pubblicazione interna nata tra gli studenti comboniani nel 1935. Ho voluto far rivivere questo titolo, ricco di storia e di patrimonio carismatico.
Sono un comboniano affetto da Sla. Ho aperto e continuo a curare questo blog (tramite il puntatore oculare), animato dal desiderio di rimanere in contatto con la vita del mondo e della Chiesa, e di proseguire così il mio piccolo servizio alla missione.
Pereira Manuel João (MJ)
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