COMBONIANUM – Spiritualità e Missione

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Novas oportunidades para a fé


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Possibilidade de uma verdadeira escolha

Quando a religião deixou aparentemente de se impor e, ao contrário, é a irreligião e o secularismo que pretendem fazer lei, a necessidade religiosa começa por surgir aqui e ali, de tempos a tempos, segundo uma grande diversidade e numerosas ambiguidades, para depois se difundir amplamente, acabando a religião por surgir como uma verdadeira escolha. Ela pode mesmo assumir o perfil de um justo movimento de protesto contra uma ordem estabelecida, como uma audácia nova através da qual é possível a demarcação, fazer prova de originalidade, introduzir a novidade… Tudo isto é muito atrativo, em particular para os jovens.

E, notemos bem, numa evolução deste género de interrogação religiosa, muitas pessoas que a experimentam, e sobretudo sem dúvida os jovens, já não têm complexos face aos avisos e interditos que outros continuam a manifestar em relação à religião, recusando-se totalmente a ceder à intimidação: «As vossas convicções que supostamente foram definitivamente estabelecidas pela Idade das Luzes, as vossas belas teorias contestatárias, esquerdistas ou libertárias, os vossos grandes ideais revolucionários (marxistas-leninistas, maoístas, trotskistas ou outros), em que é que se tornaram agora? O que é que tudo isso junto nos deu como resultados, tanto no plano pessoal como coletivo, e tanto a nível internacional como planetário? O que é que daí resultou como frutos de liberdade pessoal profunda, de felicidade partilhada, de justiça social, de paz mundial, de salvaguarda do planeta?».

Antes de liquidar o que recebemos dos nossos pais, voltemo-nos para a herança, interroguemo-la de novo e perguntemo-nos se, contas feitas, ela não oculta possibilidades, reservas de “sentidos”, como foi o caso para aqueles que nos precederam

Um processo de “reconfessionalização”

Em certos casos vai-se mais longe. Começa-se, de alguma forma, no que se pode denominar de processo de “reconfessionalização” positiva, que pode representar uma segunda “oportunidade”. É bem percetível que do deserto espiritual inerente à secularização e o secularismo, sempre ameaçadores, não se pode sair sozinho. Volta-se então para o que pode permanecer para além de todos os colapsos e de tudo o que foi posto em causa. Regressa-se ao esquecido, ao rejeitado, ao reprimido que sempre ressurge da crença e das religiões.

«Mãe» – interroga a criança -, «a Débora diz que é judia, a Fátima diz que andará de véu quando for crescida porque é muçulmana. Mãe, a minha religião é o quê?» Veem-se jovens a voltar à oração, participar em peregrinações, agregarem-se em grupos de reflexão, de meditação, de celebração, redescobrem o sacramento da Reconciliação, estão presentes em horas de adoração eucarística silenciosa, tudo coisas que se acreditavam serem totalmente impossíveis há menos de 20 anos, não é verdade?

E veem-se também leigos, cristãos e cristãs, a comprometerem-se de novo na sociedade civil e no campo político em nome dos valores religiosos que professam, e já não de uma maneira totalmente independente deles e, sobretudo, não contra eles. Mais, muitos inscrevem-se em formações doutrinais e chegam a estudar Teologia e/ou colocam-se à disposição da sua paróquia ou movimento para desempenhar verdadeiros serviços de Igreja, eventualmente reconhecidos por carta de missão oficial do seu bispo; e isto quer na catequese e na ação caritativa, quer na animação litúrgica.

Um vago sentimento religioso ou, com mais razão, uma exaltação muitas vezes tentada pelo extremismo, não podem ser colocados em equivalência com a fé. Eles arriscam-se mesmo, ao contrário, a complicá-la, desnaturá-la e, por fim, a colocá-la em perigo

Factores de credibilidade

– Antes de tudo advoga em favor do cristianismo ou, mais precisamente, da Igreja, a sua grande história, a sua permanência através dos séculos. (…) A estabilidade, a permanência, a vitalidade mantidas e incessantemente relançadas através de muitas crises e arruinamentos parecem comportar, apesar de tudo, uma certa credibilidade. Antes de liquidar o que recebemos dos nossos pais, voltemo-nos para a herança, interroguemo-la de novo e perguntemo-nos se, contas feitas, ela não oculta possibilidades, reservas de “sentidos”, como foi o caso para aqueles que nos precederam, quando eles próprios tiveram de enfrentar crises e atravessar toda a espécie de colocações em causa. «Eu não estou sempre muito seguro na minha fé e só pratico a minha religião intermitentemente», diz este intelectual pai de família. «Mas quero dar uma formação cristã aos meus filhos porque não quero carregar a responsabilidade de ter, por minha culpa ou inconsciência, interrompido o fio de uma transmissão que permanece viva até mim através de dois milénios.»

– Depois, é preciso colocar no crédito da religião, da crença, da fé cristã, a sua preocupação e a sua cultura da racionalidade. Muitos intelectuais, em particular, registam favoravelmente a insistência dos últimos papas no laço necessário e recíproco da fé e da razão. (…).

– Um factor de credibilização importante é existirem, no catolicismo, instâncias de competência reconhecida para discernir o verdadeiro, não o enunciando sem o esforço de respeitar a liberdade daqueles a quem se dirigem, apelando sempre à sua compreensão, quer dizer, à sua inteligência, e portanto à sua liberdade.

Nem a generalização da indiferença ou da hostilidade nem o relançamento, o regresso ou o sucesso da religião num dado contexto isentam a tomada de posição por si próprio. Vimos crentes e santos florescer em terrenos quase descristianizados (ou não cristianizados)

Condições

Discernimento

Numa situação tão complexa e contrastada como é da sociedade atual, não há verdadeiramente oportunidades para uma fé autêntica se não houver um certo discernimento. Um vago sentimento religioso ou, com mais razão, uma exaltação muitas vezes tentada pelo extremismo, não podem ser colocados em equivalência com a fé. Eles arriscam-se mesmo, ao contrário, a complicá-la, desnaturá-la e, por fim, a colocá-la em perigo.

Inversamente, posições à primeira vista muito afastadas da fé podem não excluir uma real disponibilidade, podendo até, com o tempo, aprofundar uma espera que poderá descobrir o seu possível cumprimento e, finalmente, conduzir a um caminho de adesão. Isto poderá acontecer quando caírem antigas precauções, dado que, finalmente, se está em posição de descobrir o que existe de autenticidade do percurso de fé.

Dimensão pessoal

Um ponto é, em ligação com o necessário discernimento, especialmente importante em matéria de percurso crente: este está diretamente relacionado com uma decisão pessoal. Cabe a cada pessoa, no seu espírito e consciência e na sua liberdade soberana, decidir. Nem a generalização da indiferença ou da hostilidade nem o relançamento, o regresso ou o sucesso da religião num dado contexto isentam a tomada de posição por si próprio. Vimos crentes e santos florescer em terrenos quase descristianizados (ou não cristianizados). E o facto de a crença já não ser imposta por qualquer pressão que seja, nem impelida pelo ambiente, pode conferir-lhe um novo atrativo: justamente o da novidade pela e na liberdade.

Correlativamente, bem entendido, toda a ação que se propõe atrair para a fé só poderá chamar a atenção se respeitar escrupulosamente a liberdade do outro. A evangelização só se pode conceber hoje se preencher tal condição. Essa necessidade não resulta apenas das disposições dos nossos contemporâneos e das suas exigências expressas em matéria de respeito da sua liberdade; ela representa, antes de tudo – e tanto melhor se a situação presente nos recorda disso -, uma condição imprescindível da pura e simples autenticidade do percurso de fé como tal.

Contexto comunitário

Terceira condição, pela possibilidade e sobretudo pela durabilidade de um percurso propriamente crente no contexto atual da secularização e da crença: se, pela sua decisão, a pessoa é essencial no acesso à fé, ela não tem oportunidades de chegar a essa fé, e depois de se manter nela, se não for efetivamente acompanhada.

Desde logo a solicitação primeira só pode chegar de um grupo de crentes cujos membros aprendem a testemunhar a sua fé exteriormente. A seguir, uma vez efetuado, um percurso crente não pode manter-se e crescer a não ser que seja transportado por uma comunidade que, professando-a expressamente, a possa apoiar longamente em cada um dos seus membros. O caso dos catecúmenos, cujo número cresce constantemente nos últimos anos na nossa Igreja, é sobre estes dois pontos claramente instrutivo. Podemos também acrescentar que no contexto de uma secularização generalizada é a dimensão comunitária que permite à fé dar-se uma verdadeira visibilidade, merecer-lhe um reconhecimento real no corpo social e valer-lhe, no seu seio, uma efetiva credibilidade.

A partir de texto de D. Joseph Doré
Arcebispo emérito de Estrasburgo, França
In:
“Conselho Pontifício da Cultura”
Trad./adapt.: http://www.snpcultura.org
Foto: Subbotina Anna/Bigstock.com

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Questa voce è stata pubblicata il 20/08/2019 da in Fé e Espiritualidade, PORTUGUÊS con tag .

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