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COP25 Nós somos o clima


COP25 Nós somos o clima


MIGUEL OLIVEIRA PANÃO,
Professor da Universidade de Coimbra
Revista Além-Mar, Dezembro 2019

Estamos numa era geológica dominada pela acção humana e a situação planetária é mais séria do que pensamos. A actual crise climática, que é também uma crise cultural, exige da humanidade uma mudança nos estilos de vida.

Um dia a nossa filha mais velha abordou-nos por querer ser vegetariana depois de ter visto o documentário Cowspiracy, que lhe causou forte impressão. Primeiro, reagimos não ligando muito, mas percebemos que o assunto era importante para ela e investigámos. De facto, fazendo as contas, bastaria que o consumo de carne se reduzisse para 60-70 gramas por dia para criar um impacto positivo ao nível das emissões. Assim, decidimos juntos que o jantar seria vegetariano. Além de pouparmos mais, adquirimos hábitos alimentares mais saudáveis e ganhámos uma nova sensibilidade em relação às questões ambientais. Os jovens não são apenas o nosso futuro, mas uma força que pode mudar o nosso presente. Foi isso que aconteceu com Greta Thunberg.

Efeito Greta

Tudo começou com uma greve às aulas para estar diante do Parlamento sueco exigindo mais acção da parte dos políticos em prol da sustentabilidade planetária. Confesso que não percebi o valor da greve climática às aulas. Porque não fazer greve aos transportes públicos e ir a pé? Porque não fazer greve ao fast-food e fazerem a sua própria comida? Dá trabalho, mais não é tão entretido. Porém, independentemente do que possamos pensar, o efeito Greta é inegável e oportuno. Mas será suficiente?

«A verdade é tão grosseira quanto óbvia: não ligamos nenhuma» (Jonathan Safran Foer em We are the weather).

Greta deu voz ao que inúmeros cientistas têm alertado há décadas, mas com um efeito mundial de curto prazo, que nem o Acordo de Paris ou a Laudato Si’ do Papa Francisco tiveram. A situação planetária é mais séria do que pensamos. Eis alguns exemplos mais recentes.

Um artigo da Nature Scientific Report de 7 de Novembro deste ano aponta o degelo do Árctico, devido às alterações climáticas, como responsável pela emergência viral no seio dos animais marinhos que vivem no Pacífico do Norte1. De facto, muitos vírus que no passado foram responsáveis pela morte de milhões poderão “acordar” e criar novas epidemias.

Um relatório recente da The Wildlife Trusts afirma que 41% de espécies de insectos correm o risco de extinção por causa das alterações climáticas. Apesar de pequenos e frágeis, os insectos são responsáveis pela sobrevivência de muitos ecossistemas como polinizadores, alimento para outras espécies e recicladores de nutrientes. A sua extinção afecta a vida na Terra, incluindo a da espécie humana. A solução passa por recuperar parques florestais mais amigáveis aos insectos, consonante com a oportunidade de um novo tipo de relacionamento com a Natureza, subjacente à mudança de estilos de vida.

Estes são dois exemplos com que me deparei em menos de três dias quando preparava este artigo, mas é apenas uma parte dos factos sintetizados no mais recente livro do jornalista do New York David Wallace-Wells, A Terra Inabitável, que traça um cenário distópico planetário que deixa qualquer pessoa perdida e desanimada. Estamos numa era geológica dominada pela acção humana que tem um nome.

Antropoceno

A face da Terra alterou-se (e altera-se ainda) pela acção humana. Tudo começou no primeiro motor a vapor que nos permitiu usar a energia do Sol acumulada em carvão ao longo de milhares de milhões de anos. Desde então, tornámo-nos um verdadeiro fenómeno geológico que levou o planeta a transitar do Holoceno para o Antropoceno. O problema é o de podermos ser a razão da nossa própria extinção.

A vida na Terra existe pela capacidade que tem de captar a energia solar. As plantas fazem-no através da fotossíntese e o processo possui uma eficiência de 0,08%, ou seja, por cada 100 000 unidades de energia recebidas do Sol, as plantas aproveitam apenas 80. A nossa parte corresponde a 15 unidades, das quais 12,3 devem-se a combustíveis fósseis e com isso apenas conseguimos alterar o clima e a dinâmica do próprio planeta.

Sentimos essa alteração no aumento do número de furacões, nas ondas de calor, nas catástrofes naturais que, de ano para ano, são mais frequentes e devastam a superfície terrestre, levando tudo consigo e, infelizmente, alguns dos que nela habitam, sobretudo os mais pobres. É o drama da vida humana diante da incerteza que sempre fez parte da dinâmica dos ecossistemas terrestres. Um drama que pode piorar se não agirmos já, como nos alertam – mais uma vez – 11 263 cientistas de todo o mundo.

Em 5 de Novembro de 2019, a revista BioScience publica um artigo assinado por 11 263 cientistas com um alerta global de emergência climática2. Há quarenta anos que os cientistas alertam para o efeito da acção humana sobre o clima e, apesar disso, as emissões de gases com efeito de estufa continuam a aumentar.

São cinco as áreas que apontam para agir no sentido de mitigar ou reverter a situação: a energia, poluentes de vida curta, Natureza, alimentação, economia e população. Seria sobre a energia e a alimentação que gostaria de ir um pouco mais a fundo.

Energia e carne

Sabiam que 1% das emissões globais de CO2 deve-se ao streaming de vídeos como o YouTube, Netflix, Hulu, Amazon Prime e, mais recentemente, a Apple TV+ e o Disney+? E essa é a quarta parte dos 4% de emissões atribuída pelo The Shift Project às tecnologias digitais. Todos os aparelhos que nos permitem comunicar através da internet funcionam com energia, mas não nos damos conta de que a maior parcela não é aquela que está na nossa mão, mas em grandes edifícios repletos de servidores onde toda a informação que consideramos gratuita e fácil de obter está guardada, consumindo enormes quantidades de energia. Mas existem outros excessos, os alimentares.

Os seres humanos comem 65 mil milhões de frangos por ano e o gado no mundo, de acordo com um estudo detalhado do Worldwatch Institute, é responsável por 51% das emissões globais anuais de CO2 (número discutível e discutido no We are the weather de Jonathan Safran Foer, onde me inspirei para o título deste artigo). E num recente estudo coordenado por Brent Kim e Raychel Santo, consumir carne apenas numa refeição por dia produz menos emissões de gases com efeito de estufa do que alguém que seja um vegetariano puro3. A intuição familiar estava no caminho certo.

A emergência climática que leva todos os anos os países a reunir-se no Conference Of the Parties (Conferência das Partes), cuja 25.ª edição transitou do Chile para Madrid por motivos de instabilidade política, deveria mudar de nome e passar a designar-se por Community of the Practitioners (Comunidade dos Praticantes). Não chega falar e depois não comprometer, ou comprometer e depois não cumprir. É preciso praticar. Nesse sentido, além de ser um desafio tecnológico, a crise climática é um desafio cultural, mas não só.

«A crise climática é também uma crise cultural e, por isso, crise da imaginação» (Amitav Gosh, escritor indiano).

«A vida tem mais imaginação do que os nossos sonhos» – dizia Cristóvão Colombo, e daí a importância de um sério exame de consciência sobre os nossos estilos de vida. Algo que o Compêndio da Doutrina Social da Igreja sempre enfatizou no capítulo X dedicado à salvaguarda do ambiente (n.os 486-487), e se fosse vivido a sério por todos os católicos (13% da população mundial), seguramente que criaria uma onda testemunho que mudaria o curso da história humana e do planeta. Foi esse o sentido prático da Laudato Si’, mas tem sido vivido?

A solução proposta passa pelas “emissões negativas, isto é, revitalizar florestas e novas práticas agrícolas que favoreçam a captação de CO2 na atmosfera, mas isso exige uma transformação total da economia global e, por isso, muita imaginação. Porém, muitos consideram esta solução teórica.

Na realidade, a vida pode ser orientada por “remissões positivas, pequenos e concretos gestos que parecem pouco mas representam muito. Mudar uma refeição, mudar uma lâmpada, andar mais, comer menos, consumir menos informação ou ser mais assertivo na informação consumida, dar mais espaço aos relacionamentos com as pessoas e o mundo natural. O único limite que impomos é à nossa imaginação.

NÚMEROS

51% das emissões globais anuais de CO2 são causadas pela produção de gado

41% de espécies de insectos correm o risco de extinção devido às alterações climáticas

4% das emissões globais de CO2 devem-se às tecnologias digitais

Referências

  1. https://nature.com/articles/s41598-019-51699-4
  2. https://doi.org/10.1093/biosci/biz088
  3. https://doi.org/10.1016/j.gloenvcha.2019.05.010

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Questa voce è stata pubblicata il 04/12/2019 da in Atualidade social, PORTUGUÊS con tag .

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