COMBONIANUM – Spiritualità e Missione

–– Sito di FORMAZIONE PERMANENTE MISSIONARIA –– Uno sguardo missionario sulla Vita, il Mondo e la Chiesa A missionary look on the life of the world and the church –– VIDA y MISIÓN – VIE et MISSION – VIDA e MISSÃO ––

Enzo Bianchi, “Avanços, dificuldades e desafios colocados ao ecumenismo”


Ecumenismo 1

Ecumenismo: Do “estarmos uns ao lado dos outros” para o “estarmos juntos”:
«A comunidade de todos os batizados não é um mero “estar uns ao lado dos outros”, e certamente não é um “estar uns contra os outros”, mas quer tornar-se um cada vez mais profundo “estar juntos”», declarou hoje o papa.
Na véspera do início da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, Francisco recebeu, no Vaticano, uma delegação da Igreja luterana da Finlândia, por ocasião da sua peregrinação ecuménica anual a Roma.
“Trataram-nos com rara humanidade” é o tema do oitavário ecuménico, extraído da narração que o apóstolo S. Paulo fez da sua viagem marítima para Roma, em referência aos habitantes da ilha de Malta, que o acolheram, juntamente com centenas de náufragos.

A unidade plural dos cristãos:
Avanços, dificuldades e desafios colocados ao ecumenismo
Enzo Bianchi 

O ecumenismo, após uma estação avaliada como “inverno” por muitos cristãos comprometidos no diálogo ecuménico, parecer ter reencontrado hoje um novo impulso: o diálogo e o debate parecem intensificar-se e a convicção com que o papa Francisco se movimenta torna dinâmica uma situação que aparentemente se limitava ao ecumenismo espiritual, extinguindo assim toda a expetativa de avanços significativos para a unidade visível dos cristãos.

Sejamos claros, o ecumenismo espiritual, isto é, praticado em obediência ao Espírito Santo e alimentado pela oração e a penitência, continua a ser decisivo; sem ele, o encontro entre as Igrejas é tentado a reduzir-se ao âmbito diplomático ou transformar-se sobretudo numa santa aliança contra um inimigo comum que sempre, ainda que de diferentes formas, surge no horizonte da história.

Mas o risco deste ecumenismo denominado espiritual é que aquilo que se repete continuamente – «a unidade acontecerá quando e como Deus quiser» – cria demissões de responsabilidades, sobretudo na autoridade das Igrejas: a inércia humana pode tornar-se oposição ao próprio Espírito Santo.

É reconhecido que o papa Francisco, desde os primeiros dias do seu pontificado, soube suscitar expetativas de uma comunhão entre as Igrejas mais profunda, com palavras e gestos reconhecidos também pelos não católicos como originários do Evangelho, obedecendo à vontade de Jesus na oração última ao Pai: «Que sejam um para que o mundo creia» (Jo 17, 21).

A peregrinação à Terra Santa e o encontro com o patriarca ecuménico de Constantinopla e os outros patriarcas presentes em Jerusalém, a viagem a Istambul com os repetidos encontros com Bartolomeu, o acolhimento e o diálogo – poderemos dizer inaugurado pelo papa Francisco – com os evangélicos, a alegria com que ele encontra autoridades das Igrejas não católicas são sinais evidentes de um clima que mudou.

Note-se também que hoje, no Oriente ortodoxo, há alguns patriarcas, como o “papa” copta Tawadros II II ou Youhanna X de Antioquia, que se mostraram abertos e seriamente empenhados no diálogo intraeclesial. Condições favoráveis, portanto, para o diálogo, especialmente entre Igreja católica e Igrejas ortodoxas – 14 Igrejas autocéfalas -, mesmo se existem tensões e rivalidades entre as autoridades destas Igrejas que criam complicações e abrandamentos.

Uma etapa importante no diálogo teológico é representada pelo Documento de Ravena, assinado em 2007 pelas Igrejas ortodoxas e pela Igreja católica, em que se afirma que não há sinodalidade sem “protos”, um “primeiro”, e não há “protos” sem sinodalidade: isto a nível diocesano, regional e universal, com o respetivo reconhecimento de que neste último plano o “protos” é entrevisto no bispo de Roma, «a Igreja que preside na caridade», segundo a expressão de S. Inácio de Antioquia, à qual compete um primado.

A última reunião da comissão do diálogo católico-ortodoxo, realizada em Amã, mostrou sinais de impasse (…). O diálogo com a ortodoxia permanece intenso, sobretudo com o patriarcado ecuménico de Constantinopla: o papa Francisco, a este propósito, declarou que «para chegar à meta suspirada da plena unidade, a Igreja católica não pretende impor qualquer exigência, a não ser a da profissão da fé comum» [cf. Artigos relacionados]; quanto ao ministério petrino, afirmou que pretende continuar o debate pedido por João Paulo II na encíclica “Ut unum sint”, para que, inspirados pela prática do primeiro milénio, se alcance um acordo sobre «modalidades com as quais se garanta a necessária unidade da Igreja nas atuais circunstâncias», isto é, na forma do exercício do primado.

São particularmente importantes, neste sentido, as palavras do papa Francisco, que lê a excomunhão recíproca entre Roma e Constantinopla como um acontecimento que se deveu ao facto de «a Igreja olhar para si própria e não olhava para Jesus Cristo». Ao mesmo tempo, são igualmente relevantes as palavras do patriarca Bartolomeu sobre «a ideia do império cristão e da “societas christiana” que ultrapassaram o bom princípio para introduzir o espírito mundano», e isto porque «o sedutor do mundo procurou e procura tornar vão o anúncio do Evangelho». Uma convergência de pensamento entre Francisco e Bartolomeu que surpreende, mas que se colhe claramente dos encontros e das palavras que trocam entre si.

Paralelamente ao diálogo com as igrejas ortodoxas, prossegue, da parte católica, o diálogo com as Igrejas orientais, com as quais, após 1500 anos de separação, é possível o consenso sobre o essencial da fé e da eclesiologia [perspetiva de entender a identidade e orgânica da Igreja]. Todavia, não há nenhum idealismo. A estrada é ainda longa, mas existe vontade e o ecumenismo do sangue é eloquente como nunca e faz redescobrir como para cada cristão o Batismo é decisivo: faz do cristão um membro do corpo de Cristo que é único, ainda que não haja plena unidade, porque esta obter-se-á só no Reino! Mas a unidade visível pode ser reencontrada como nos primeiros séculos: uma unidade plural, que contém a riqueza da diferença e sabe transcender os conflitos que não podem ser removidos no caminho da Igreja na história.

Mas se são repletos de esperança os diálogos com a Igreja do Oriente, deve admitir-se – com lástima mas com clareza – que são mais difíceis os diálogos com as outras Igrejas. Um último exemplo vem das relações com os vetero-católicos, por causa dos seus acordos de intercomunhão com Igrejas da reforma, como a luterana ou a comunhão anglicana. Para a Igreja católica, que reconhece aos bispos vetero-católicos a sucessão apostólica e a consequente validade dos sacramentos, surge agora uma pergunta sobre a sua compreensão da doutrina do ministério: será que continua a ser partilhada?

Um diálogo que torna ainda mais acidentado com as Igrejas da reforma onde a admissão das mulheres ao ministério episcopal e o aprofundamento da separação sobre muitos temas de moral cristã acentuam as divergências. Simplificando, talvez de maneira excessiva, poderia dizer-se que entre Igreja católica e Igrejas da reforma houve uma aproximação na doutrina, sobretudo sobre a Eucaristia, mas um distanciamento cada vez mais marcado no âmbito ético, em particular no que diz respeito à moral sexual e matrimonial.

Por outro lado, é preciso registar que com estas Igrejas tornou-se mais evanescente o próprio objetivo do ecumenismo: com efeito, fez caminho a ideia de que só é preciso o reconhecimento recíproco, sem que se deva procurar uma unidade visível na profissão de fé e que se deve, por isso, resignar-se às atuais divergências porque se pensa que a Igreja esteve sempre dividida e que as diversas confissões cristãs são todas legítimas. Mas para a Igreja católica e para as ortodoxas, como também para muitos teólogos, pastores e fiéis protestantes, a unidade da Igreja está na vontade de Cristo, e a ela não se pode renunciar: equivaleria a declarar que o divisor obteve a vitória e que se acolhe um pensamento débil em que tudo se equivale sem uma regra de fé.

Depois, cresce cada vez mais uma novidade que influencia o curso do ecumenismo: a emergência das comunidades eclesiais de matriz evangélica e carismática. São uma plêiade de comunidades locais, uma rede de Igrejas sem estrutura unitária que contam por agora com 600 milhões de fiéis em todo o mundo. É uma nova forma de viver o cristianismo que entra na história, após as divisões entre Oriente e Ocidente no século XI e a reforma do século XVI. É muito difícil descrever este fenómeno cristão tão variado, parcelado, móvel…

Trata-se de compreender estas realidades que conhecem uma forte carga missionária e uma forte expansão: como traçar um diálogo com elas? Que representatividade destas miríades de comunidades se pode delinear para um diálogo eficiente e frutuoso? É verdade que se podem realizar encontros pessoais em que o ser cristão implica o respeito, a colaboração, o reconhecimento do Batismo como fundamento da vida cristã, mas continua a ser certo que a realidade evangélico-pentecostal é uma nebulosa com quem o debate doutrinal é difícil, frágil e nem sempre possível: são comunidades que não reconhecem a tradição, altamente subjetivas, por vezes centradas mais em torno de um pregador, de uma personalidade forte, que a uma “fé” formulada como regra.

Sim, o ecumenismo atravessa uma nova fase, com presenças inéditas e surpreendentes pela sua consistência numérica, muitas vezes em concorrência com as Igrejas tradicionais históricas: pense-se no grande número de fiéis que erodem em particular a Igreja católica na América Latina. É verdadeiramente necessária a fé em Jesus Cristo como Senhor da Igreja, capaz de dar unidade ao seu corpo também na história: os cristãos devem permanecer obedientes ao Evangelho e procurar cumprir a vontade de Cristo no que diz respeito à unidade dos seus discípulos.

Devemos ainda ter em conta três evidências. Antes de tudo, o ecumenismo só tem um século de vida, e, para a Igreja católica, apenas 50 anos de prática autorizada a nível eclesial. Por outro lado, existem situações de “não contemporaneidade” entre as Igrejas: as respetivas histórias são diferentes, uma no Ocidente, outra no Médio Oriente, outra no hemisfério Sul do mundo, e outra ainda no Extremo Oriente. Devemos ter a honestidade de reconhecer que muitas vezes não somos culturalmente contemporâneos.

Por fim, ligado a este dado, constata-se que hoje, mais do que nunca, fazem-se sentir como determinantes as diferenças culturais. Não era assim no passado, em que só a teologia indicava a diferença ou a vizinhança: hoje, no interior de uma mesma Igreja, as diferenças culturais pesam sobre as escolhas adotadas, sobretudo a nível moral. Isto é evidente entre os anglicanos na admissão das mulheres ao episcopado e é claro em muitas Igrejas, inclusive a católica, a nível de determinadas opções éticas.

É certo que novos desafios nos esperam, novas conjunturas nos condicionam. Mas o ecumenismo não é uma moda nem um sinal dos tempos: está na vontade do Senhor Jesus Cristo e ser ecuménico faz parte do ser cristão. Quem não é capaz do ecumenismo não é capaz de viver uma precisa exigência evangélica: o ecumenismo, com efeito, torna-se uma questão de obediência ao único Senhor da Igreja e da história.

Enzo Bianchi
In “Avvenire”, 14.12.2014
Trad.: Rui Jorge Martins
Publicado em 22.01.2015
http://www.snpcultura.org

Rispondi

Inserisci i tuoi dati qui sotto o clicca su un'icona per effettuare l'accesso:

Logo di WordPress.com

Stai commentando usando il tuo account WordPress.com. Chiudi sessione /  Modifica )

Google photo

Stai commentando usando il tuo account Google. Chiudi sessione /  Modifica )

Foto Twitter

Stai commentando usando il tuo account Twitter. Chiudi sessione /  Modifica )

Foto di Facebook

Stai commentando usando il tuo account Facebook. Chiudi sessione /  Modifica )

Connessione a %s...

Questo sito utilizza Akismet per ridurre lo spam. Scopri come vengono elaborati i dati derivati dai commenti.

Informazione

Questa voce è stata pubblicata il 17/01/2020 da in Atualidade eclesial, PORTUGUÊS con tag , .

  • 382.566 visite
Follow COMBONIANUM – Spiritualità e Missione on WordPress.com

Inserisci il tuo indirizzo email per seguire questo blog e ricevere notifiche di nuovi messaggi via e-mail.

Segui assieme ad altri 805 follower

San Daniele Comboni (1831-1881)

COMBONIANUM

Combonianum è stata una pubblicazione interna nata tra gli studenti comboniani nel 1935. Ho voluto far rivivere questo titolo, ricco di storia e di patrimonio carismatico.
Sono un comboniano affetto da Sla. Ho aperto e continuo a curare questo blog (tramite il puntatore oculare), animato dal desiderio di rimanere in contatto con la vita del mondo e della Chiesa, e di proseguire così il mio piccolo servizio alla missione.
Pereira Manuel João (MJ)
combonianum@gmail.com

Disclaimer

Questo blog non rappresenta una testata giornalistica. Immagini, foto e testi sono spesso scaricati da Internet, pertanto chi si ritenesse leso nel diritto d’autore potrà contattare il curatore del blog, che provvederà all’immediata rimozione del materiale oggetto di controversia. Grazie.

Categorie

%d blogger hanno fatto clic su Mi Piace per questo: