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Gianfranco Ravasi, “A aventura dos Evangelhos”


Evangelhos

Partir da voz de Jesus para acabar numa página escrita: é um pouco a aventura dos Evangelhos. Uma aventura complexa que se desenvolve através de algumas décadas. Será possível redesenhar, mesmo que só em traços grossos, esta aventura que implica inevitavelmente múltiplos atores e numerosos problemas históricos e literários?

Antes de responder, são necessárias duas notas introdutórias. A primeira diz respeito à génese dos Evangelhos: para além de uma bibliografia por finalizar, o mundo católico ilustra-a através de um documento oficial da Comissão Bíblica Pontifícia de 21 de abril de 1964 (“Instrução sobre a verdade histórica dos Evangelhos”). Esta aventura comporta três fases fundamentais. Antes de tudo está a atividade pública e o ensinamento de Jesus de Nazaré. Depois, os tempos da pregação apostólica: os atos e as palavras de Jesus são anunciados com fidelidade, mas igualmente interpretado à luz da experiência da Páscoa vivida na comunidade cristã das origens. É provavel que certos textos tenham aparecido nesta segunda fase, que se poderá situar no segundo terço do século I (uma narrativa da paixão-morte-ressurreição ou um “Evangelho da infância” embrionário, ou uma recolha das palavras de Jesus, definida pelos especialistas como a “fonte Q”). A última fase é a redação dos quatro Evangelhos canónicos, que começa após o ano 60, e que se conclui em torno do ano 90, para seguir a opinião dominante dos investigadores.

A segunda nota diz respeito ao conceito de autor, que não se pode, no horizonte bíblico e no do Próximo Oriente antigo em geral, reduzir à nossa conceção atual, ilustrada pela ideia do “copyright”, ou seja, dos direitos específicos ligados à obra original de um escritor bem identificado. Ao contrário, neste mundo sociocultural, o autor não é apenas aquele que redige um texto, mas igualmente aquele que o inspira com o seu ensinamento ou o seu testemunho (não esqueçamos que se trata de uma civilização da oralidade), e aqueles que o transmitem. Trata-se de um conceito mais fluido e mais compósito. Com este esclarecimento, a inspiração divina, típica das Sagradas Escrituras, abarca todo o conjunto de pessoas cobertas por este conceito de autor, com um lugar particular para o redator final.

As duas notas iniciais são luminosas para o quarto Evangelho: o Evangelho escrito aparece no termo de um itinerário de pregação fiel, mas aprofundada e atualizada; o autor pode ser uma figura “coral” que reagrupa várias pessoas

Centremo-nos agora nos diferentes evangelistas. É no século II que os títulos dos quatro Evangelhos (“Evangelho segundo Marcos”, etc.) foram atribuídos aos escritos. Para penetrar no sentido desta atribuição, encontramos um testemunho antigo (de cerca do ano 125) de Papias, um bispo de Hierápolis (Pamukkale, na atual Turquia central, cidade célebre pelas suas cascatas brancas petrificadas), que se apoia nos ditos de um «ancião» (“presbýteros”), uma figura que os investigadores identificam igualmente nas Cartas de João (2 João 1,2; 3 João, 1,1). Trata-se de um testemunho da primeira geração cristã que fala de Marcos como discípulo e «intérprete» de Pedro. Poderíamos dizer que Marcos organizou e reformulou um conteúdo proveniente da pregação apostólica (a segunda etapa que evocámos antes), provavelmente petrina, e que o fez pouco antes do ano 70.

Papias declara que Mateus «pôs em ordem os ditos [de Jesus] em língua hebraica [aramaico]». Na realidade, não conhecemos este texto atribuído diretamente ao apóstolo Mateus-Levi: o atual Evangelho segundo Mateus foi escrito em grego, não obstante as suas grandes influências semitas; é possível que se baseie beste texto “aramaico”, mas ele acrescenta numerosos outros elementos. Poderia ser a obra do mesmo Mateus, que devia ter um certo conhecimento do grego, dado que era funcionário dos impostos, ou de um discípulo judeo-cristão. Seja como for, esta redação foi feita após 70.

Passemos ao terceiro Evangelho, que se refere a um colaborador de Paulo, Lucas: ele é citado três vezes nas cartas do apóstolo, e é apresentado várias vezes nos Atos dos Apóstolos. O prólogo do seu Evangelho (1,1-3) ilustra bem o procedimento que adotou, recolhendo e avaliando as narrações das testemunhas oculares da vida de Jesus. O seu bom conhecimento do grego, mas igualmente do judaísmo, fazem pensar num pagão que se tornou “prosélito”, isto é, convertido ao judaísmo e, depois, ao cristianismo.

Por fim, o quarto Evangelho, o escrito mais complexo na sua génese. É evidente que houve duas redações, dado que há dois finais evidentes (cf. João 20,30-31 e 21,24-25). Não podemos apresentar aqui de maneira completa e sistemática toda a Tradição que fala de João, o apóstolo, proveniente de uma memória original e originária sobre Jesus. Ele é, provavelmente, o «discípulo muito amado» que entra em cena como testemunha a partir dos acontecimentos da paixão de Cristo. A não ser assim, «o discípulo que Jesus amava» foi um «evangelista» que ignoramos, o qual teria recolhido a pregação do apóstolo João num texto bem redigido e estruturado, texto que teria sofrido uma redação posterior, atestada no capítulo 21, em torno do ano 90.

Para além desta reconstrução complexa, as duas notas iniciais são luminosas para o quarto Evangelho: o Evangelho escrito aparece no termo de um itinerário de pregação fiel, mas aprofundada e atualizada; o autor pode ser uma figura “coral” que reagrupa várias pessoas, a partir do apóstolo, para chegar até ao evangelista enquanto tal.

Card. Gianfranco Ravasi
Presidente do Consleho Pontifício da Cultura, biblista
In 150 questions à la foi, ed. Mame
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: Papa Francisco com evangeliário | D.R.
Publicado em 22.01.2020
http://www.snpcultura.org

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Questa voce è stata pubblicata il 22/01/2020 da in Fé e Espiritualidade, PORTUGUÊS con tag , , .

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