COMBONIANUM – Spiritualità e Missione

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Esse silêncio nos permite ouvir os outros. Entrevista com Timothy Radcliffe


Futuro


Uma das razões pelas quais a Roma pagã se converteu ao cristianismo foi que, durante períodos de pestilência, os cristãos cuidavam dos doentes, fossem eles cristãos ou não. Não devemos ter medo da morte. Mas isso não significa querer a morte. A melhor maneira de se preparar para a vida eterna é viver o mais plenamente possível, com a máxima generosidade e até mesmo com diversão”.
A entrevista é de Timothy Radcliffe, editada por Alain Elkann, publicada por La Stampa, 12-04-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.
Timothy Radcliffe, Op (Ordem dos Frades Pregadores), é um teólogo dominicano, frade da Província da Inglaterra. De 1992 a 2001, foi Mestre Geral da Ordem Dominicana.
Segundo ele, “esta é uma crise, mas qualquer crise pode ser frutuosa se a vivermos com esperança. No centro de nossa fé está a grande crise da morte de Jesus, que no momento mais escuro fez um gesto de radiante esperança. Quando a comunidade estava se dissolvendo, ele deu a si mesmo, dizendo: “Este é o meu corpo dado por vós. Este é o meu sangue, a nova aliança”. Minha mensagem é que não deveríamos nos deixar tomar pelo ressentimento e culpar os outros. Vamos garantir que essa terrível crise possa ser frutuosa para a renovação da comunidade humana”.
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Qual é a mensagem que você deseja transmitir hoje diante dessa pandemia?

Esta situação requer duas coisas que parecem contradizer-se: isolamento e profunda comunhão. Minha comunidade agora está completamente fechada e é um ato de amor, porque não queremos infectar outras pessoas. No entanto, este também é um momento de intensa comunicação. Devemos enfrentar essa crise como uma comunidade global: deve haver uma busca pelo bem comum da humanidade. Existe uma rede internacional de cientistas que procuram uma vacina. Correto, não é momento para competições.

A fé é um antídoto para essa catástrofe?

Um efeito da pandemia é o medo. É possível escorregar do medo ao pânico e o pânico leva as pessoas a se comportarem de maneira egoísta. Espero que minha fé me permita enfrentar o sofrimento e a morte sem medo e, portanto, continuo olhando para as outras pessoas, independentemente de sua fé ou falta de fé, como meus irmãos e irmãs. Uma das razões pelas quais a Roma pagã se converteu ao cristianismo foi que, durante períodos de pestilência, os cristãos cuidavam dos doentes, fossem eles cristãos ou não. Não devemos ter medo da morte. Mas isso não significa querer a morte. A melhor maneira de se preparar para a vida eterna é viver o mais plenamente possível, com a máxima generosidade e até mesmo com diversão.

Qual foi sua impressão diante da oração do Papa sozinho em São Pedro?

Um poderoso símbolo de uma consequência da pandemia, isolamento. O isolamento nos priva do contato, que é o alimento necessário para a humanidade. Na capela Sistina, Michelangelo retrata Deus que toca Adão e lhe dá a vida. Devemos ver os rostos daqueles que amamos. O Skype e o Zoom são maravilhosos, mas não suficientes. Como cristão, acredito que na cruz Jesus experimentou toda a solidão que nenhum ser humano poderá conhecer. Então, toda vez que nos sentimos sozinhos, não o somos porque Cristo está conosco. Agora que bilhões de pessoas estão isoladas, precisamos inventar maneiras de nos tocar. Todos nós fomos tocados pela visão dos italianos cantando nas sacadas. Que dom para o mundo de uma nação tão cruelmente afligida!

Você tem uma mensagem para os doentes e seus familiares?

Ontem eu estava conversando com alguém que chegou perto de mim e disse, a alguns centímetros do meu rosto: “Estou com febre. Acho que peguei o vírus”. Devo confessar que minha primeira reação, que escondi, foi a raiva. Ele não percebeu que poderia me contagiar? Na minha idade, e como diabético, é muito provável que eu morra. Então percebi, com alguma vergonha, que essa não era a melhor reação. Em nossa comunidade global, onde estamos todos em contato, não faz sentido procurar alguém para culpar.

Esta é uma crise, mas qualquer crise pode ser frutuosa se a vivermos com esperança. No centro de nossa fé está a grande crise da morte de Jesus, que no momento mais escuro fez um gesto de radiante esperança. Quando a comunidade estava se dissolvendo, ele deu a si mesmo, dizendo: “Este é o meu corpo dado por vós. Este é o meu sangue, a nova aliança”. Minha mensagem é que não deveríamos nos deixar tomar pelo ressentimento e culpar os outros. Vamos garantir que essa terrível crise possa ser frutuosa para a renovação da comunidade humana.

Essa crise é uma reação à maneira como a humanidade vem tratando a Terra?

Apenas a ciência pode responder, mas eu não ficaria surpreso. Não há dúvida de que maltratamos e violamos a Terra. Nós sucumbimos ao que o Papa Francisco chama de “paradigma tecnocrático”, que vê tudo em termos de uso.

Você tem medo das consequências econômicas da pandemia?

Temo pelos trabalhadores. Mas também vejo sinais positivos. Fiquei impressionado com a decisão do governo britânico de pagar 80% dos salários dos funcionários que perdem o trabalho. Quem teria imaginado tal postura um mês atrás? É possível que essa crise tenha consequências permanentes na maneira como entendemos a sociedade”.

Você teme que isso possa levar à tentação de estabelecer regimes ditatoriais, mesmo em países democráticos?

Em muitos países, vemos a subida de homens fortes que são vistos como salvadores nacionais. Isso aconteceu na Rússia, China, Índia, Hungria, Turquia. Mas esses homens fortes (e no momento parecem todos homens) sempre fracassarão. Não sou especialista em política e economia, mas acho que só poderemos responder com eficácia através do fortalecimento de instituições globais, por um lado, e da democracia local, pelo outro.

Você pode explicar, mesmo para aqueles que não são pessoas de fé, quais são os benefícios da oração?

As pessoas costumam ter a impressão de que as pessoas de fé oram para fazer Deus mudar de ideia. Em vez disso, a oração é principalmente um ato de gratidão. Nós nos abrimos, com todas as nossas necessidades e alegrias, a Deus para acolher o que Ele nos dará. Isso pode incluir uma cura ou alívio do sofrimento. Mas, quer recebamos ou não os dons que invocamos, confiamos que a providência esteja nos conduzindo para a felicidade suprema com ele.

Você acredita que esse silêncio seja positivo para a meditação?

No silêncio, medos reprimidos e pensamentos ocultos podem reaflorar, então alguns o temem. Mas um profundo silêncio interior pode levar a uma felicidade gloriosa. Se deixo de me agitar comigo mesmo e fico parado, percebo o que me rodeia. Eu vejo os outros claramente. Eu vejo a beleza das coisas comuns.

Qual é a sua mensagem nesta Páscoa?

Nos salmos, ouvimos o clamor “Até quando, Senhor?”. Quando perguntaram a Martin Luther King quanto tempo duraria a luta contra a opressão racial, ele respondeu: “Não muito!”. Ele não queria dizer que terminaria em breve. Ele disse: “Não muito, porque o arco do universo moral é longo, mas tende para a justiça”. Poderíamos nos perguntar se voltaremos ao normal, mas acreditar na Páscoa significa acreditar que um dia tudo que oprime a humanidade será derrotado. E que mesmo agora podemos experimentar a alegria que virá.

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Questa voce è stata pubblicata il 16/04/2020 da in Atualidade eclesial, Atualidade social, Fé e Espiritualidade, PORTUGUÊS con tag , .

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San Daniele Comboni (1831-1881)

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Combonianum è stata una pubblicazione interna nata tra gli studenti comboniani nel 1935. Ho voluto far rivivere questo titolo, ricco di storia e di patrimonio carismatico.
Sono un comboniano affetto da Sla. Ho aperto e continuo a curare questo blog (tramite il puntatore oculare), animato dal desiderio di rimanere in contatto con la vita del mondo e della Chiesa, e di proseguire così il mio piccolo servizio alla missione.
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