COMBONIANUM – Spiritualità e Missione

Blog di FORMAZIONE PERMANENTE MISSIONARIA – Uno sguardo missionario sulla Vita, il Mondo e la Chiesa MISSIONARY ONGOING FORMATION – A missionary look on the life of the world and the church

19° Domingo do Tempo Comum (A)

19° Domingo do Tempo Comum (ciclo A)
Mateus 14,22-33


XIX-A

«Coragem! Sou eu.»
Marcel Domergue

A solidão de Jesus

Jesus acaba de fazer a multiplicação dos pães, sinal anunciador da Páscoa. Dará aí a sua carne e o seu sangue em alimento, para fazer viver a multidão. Todos comeram e ficaram satisfeitos. E nada mais pediram. O texto não fala sobre a reação dos discípulos. Teriam compreendido o significado deste pão inesgotável? Jesus, em todo caso, despede a todos: manda os discípulos para a outra margem e as multidões às suas aldeias. Como se nada houvesse acontecido. Jesus fica sozinho. Pois, de fato, não é o único a saber, o único a conhecer o segredo do que vai lhe acontecer em Jerusalém? Sua oração solitária faz pensar no que irá ocorrer no Getsêmani. Ali também estará só: os discípulos irão dormir. Nos dois casos, o conteúdo da sua oração deve ser idêntico. Ninguém está com ele para abrir o caminho da Passagem. Mas, enfim, se ninguém está ao seu lado é porque o mundo todo está nele. Alguns traços podem aclarar o conteúdo desta sua oração: parece estar dividido. Deseja a vinda desta hora, que é aquela para a qual veio ao mundo, mas ao seu desejo mistura-se a angústia (Lucas 12,49-50). Chega até a pedir que Deus lhe afaste este «cálice», mas, ao mesmo tempo, escolhe a «vontade do Pai». São aspectos que podem nos ajudar a compreender melhor o que significa a «Encarnação»; Jesus não é nenhum super homem; é o «Filho do homem» e compartilha conosco plenamente os nossos desejos e angústias e a necessidade de escolher, característica da nossa condição.

O vento e a água

No texto, os discípulos estão sozinhos na barca, navegando em águas hostis. Águas que, bem entendido, lembram o «grande abismo» de Gênesis 1. O vento está presente também aqui, neste encontro, mas não mais como um leve sopro, voando como um pássaro. Agora é um vento maléfico, é vento de tempestade que, além do mais, sopra no mau sentido. Navegamos, pois, nas águas da morte e os ventos parecem com freqüência nos serem contrários. Quanto a Deus, tudo leva a crer que esteja ausente: Jesus não está na barca. Assim a nave vai. E tudo se passa à noite, no reino das trevas. Jesus, simbolicamente, vai enfrentar esta figura do lado angustiante da condição humana. Com efeito, tudo o que temos de viver, tudo o que podemos empreender, até mesmo sendo bem sucedidos, é afetado pela marca da insignificância, pela perspectiva da morte, na Bíblia representada pelas águas profundas. Jesus vai ao encontro dos discípulos pisando firme sobre as águas mortíferas, aquelas mesmas que haviam destruído a humanidade, no mito de Noé, ou que haviam feito os Egípcios submergirem, no livro do Êxodo. Esta marcha sobre o «mar» é a figura da vitória do Cristo sobre a morte. Todo este capítulo 14 de Mateus é composto de antecipações pascais que vêm responder ao anúncio da decapitação de João Batista (versículos 9-12, imediatamente antes da nossa leitura). Nem o abismo nem o vento maléfico nem a morte terão a última palavra. A palavra do fim, a Palavra derradeira é ainda o próprio Cristo, vivo para sempre.

A aventura de Pedro e nossa aventura

Notemos que, à primeira vista, o Cristo não é reconhecido; os discípulos o tomam por um fantasma, como em Lucas 24,37, quando Jesus vem encontrá-los depois da Ressurreição. Como aconteceu tantas vezes, Jesus os encoraja: «Sou eu, não tenhais medo.» No fundo, podemos pensar neste medo de Deus que secretamente nos habita. Quanto à reação de Pedro, muitos julgam ser absurda, parece querer de fato tentar a Deus: «Vamos verificar. Se na verdade é ele, então, eu também andarei sobre a água; se não for, afundarei.» Mas penso que este texto vai muito mais longe: também nós, seus discípulos, temos de estar com ele em sua travessia da morte. «Se és tu (e sei que é), manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água.» Ali onde está o mestre, ali também deve estar o discípulo. «Aonde vou, tu me seguirás mais tarde…» (João 13,36, no limiar da Paixão). Em nosso relato, Pedro abraça a fé e esta fé o faz dominar as forças da morte. Mas eis que a força da tempestade (pensemos na prisão e na condenação de Jesus) toma posse do seu espírito e o medo substitui a fé. Instala-se a dúvida e Pedro afunda. Exatamente o que se passou no decurso da Paixão. No último momento, Jesus arranca Pedro do influxo das águas mortíferas. Isto tudo está escrito para nos fazer manter a confiança, até mesmo quando constatamos as nossas fraquezas ou mesmo em nossos eclipses de fé. Mais uma vez, o Cristo é que tem a última palavra. «Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus», dizem os discípulos no final da aventura: são as mesmas palavras da profissão de fé pascal.

Tradução de Francisco O. Lara, João Bosco Lara e José J. Lara
http://www.ihu.unisinos.br

A barca da Igreja não foi feita para a calmaria, mas para a tempestade
Ermes Ronchi

Logo a seguir aos pães que trasbordavam das mãos e dos cestos, no Evangelho do passado domingo, Jesus «obrigou os discípulos», que gostariam de ficar ali, na relva, a alegrar-se com o sucesso, a «embarcar e a ir adiante para a outra margem» (Mateus 14,22-33). Tem de os obrigar, não querem ir para o outro lado do mar, é terra pagã, há o risco de serem repelidos, como já tinha acontecido. E, de facto, a barca foi batida pelas ondas, porque o vento era contrário. Um vento que não sopra de fora, mas de dentro dos doze, como resistência àquela viagem rumo aos estrangeiros.

«De madrugada, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar.» Não tem pressa: esperou três dias por causa de Lázaro, espera quase uma noite inteira de tempestade, três dias esperará para ressuscitar. Pelo contrário, apressa-se sempre quando à vista está a exaltação, a ovação. Pressa de se ir embora e de levar os discípulos. Porque o verdadeiro lugar dos crentes não está nos sucessos e nos resultados triunfais, mas numa barca no mar, mar aberto, onde mais cedo ou mais tarde, durante a navegação da vida, virão águas agitadas e vento contrário. Mas não serão deixados sós.

«Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas.» Ao convite de Jesus, Pedro, corajoso até à insconsciência, abandona todo o abrigo e caminha no vento e sobre as ondas. Sim, mas para onde? Irá verdadeiramente para Jesus quando o seguir, não seduzido por caminhar sobre as ondas, mas pelo seu caminhar rumo ao escândalo e à loucura da cruz.

Pedro irá atrás de Jesus não porque Ele sabe calar o vento, mas porque faz dalar tudo aquilo que em nós não é amor. Irá para o bom Samaritano na poeira dos caminhos do tempo, e não no brilho das águas miraculosas. Irá ao encontro do servo, não do milagreiro.

«Vem – disse-lhe Jesus», relata o Evangelho. Pedro, até ter olhos só para aquele rosto visível mesmo na noite, caminha sobre as águas. Quando volta o olhar para o vento, para as ondas, para o escuro, começa a afundar.

Se olho para o Senhor, se o escuto e vou para onde quer que seja, faço milagres. Olho para mim, para todas as dificuldades, e afundo-me. Se olho ao porque é que estou aqui, a quem me enviou, ninguém me detém. Se olho para a minha história acidentada, a dúvida bloqueia-me.

Pedro, em pleno milagre, duvida. Em pleno duvidar, acredita: «Senhor, salva-me!». Deus salva, aqui está toda a fé: Ele não é um dedo apontado, mas uma mão que te agarra. Um grito no vento. Basta um grito para atravessar o abismo entre Céu e Terra. Até que, no fim de cada nossa noite, o grito de medo se torne abraço entre o seu humano e o seu Deus.

Ermes Ronchi
http://www.snpcultura.org

O Senhor sempre nos diz: “Não tenham medo!”
Enzo Bianchi

Logo depois de ter saciado a multidão numerosa (cf. Mt 14, 13-21), Jesus ordena que os discípulos o precedam até a outra margem do lago da Galileia, enquanto ele se detém para despedir aqueles que o seguiram. Jesus está atento às relações humanas, e os gestos prodigiosos por ele realizados são sempre acompanhados pelo seu cuidado pelas pessoas com as quais ele se encontra.

Ao mesmo tempo, ele enraíza o seu agir em uma profunda relação de amor e de confiança com o Pai. Por isso, ele procura com determinação espaços e tempos de solidão para estar diante de Deus em absoluta gratuidade e para discernir a sua vontade sobre a sua própria vida: também neste caso, Jesus “subiu ao monte, para orar a sós”.

À noite, ele ainda está sozinho, enquanto o barco dos discípulos está em mar aberto à mercê do vento contrário e das ondas: o evangelista já entrevê o caminho da frágil barca da Igreja na história, jogada entre adversidades e tensões comunitárias… Mas ela não é abandonada pelo Senhor Jesus, que não só reza pela sua comunidade, mas também se faz misericordiosamente presente aos seus discípulos, aquele que “está com eles todos os dias até o fim da história” (cf. Mt 28,20).

De fato, eis que, com a chegada da manhã, “Jesus veio até os discípulos, andando sobre o mar”. Sim, Jesus é o Emanuel, o Deus-conosco, aquele que está sempre ao lado quando as ondas se levantam no meio da tempestade (cf. Sl 46,4), aquele que passa sobre o mar com passos invisíveis para nos guiar (cf. Sl 77,20-21) e nos conduz ao porto suspirado (cf. Sl 107,23-30). Mas nós sabemos reconhecer a sua presença e pôr a nossa fé nele?

Os discípulos estavam com Jesus no meio do mar na noite em que ele aplacara a violenta tempestade com a sua palavra (cf. Mt 8,23-27); mas agora, vendo-o avançando sobre as águas, ficam perturbados e, assolados pelo medo, gritam: “É um fantasma!”. Porém, Jesus imediatamente os tranquiliza com poucas palavras extraordinárias, que querem aplacar a sua perturbação interior e infundir a confiança nos seus corações: “Coragem, Eu sou” – o Nome impronunciável de Deus revelado a Moisés (cf. Ex 3,14) – “não tenhais medo!”.

São numerosos os medos que nos habitam, todos gerados pelo “medo-mãe”, o da morte: mas Deus desde sempre exorta os fiéis a não temerem, a habitarem com segurança nele, como nos testemunham abundantemente as Escrituras, desde o Gênesis (cf. Gn 15,1) até o Apocalipse (cf. Ap 2,10).

E esse convite é particularmente frequente nos lábios de Jesus, até ser dirigido pelo Ressuscitado às mulheres na aurora da ressurreição (cf. Mt 28,10), o evento que marca a vitória definitiva do amor sobre a morte.

A nossa resposta a tal exortação deveria consistir em uma fé sólida, em uma certeza íntima do amor do Senhor por nós, sem necessidade de prova alguma. Contudo, muitas vezes cedemos à tentação de exigir de Jesus um sinal tangível, como Pedro faz aqui: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água”. Na sua condescendência, Jesus lhe diz: “Vem!”, e eis que o impossível se torna possível graças à sua palavra que nos faz manter o olhar fixo nele, meta do nosso caminho.

Mas, assim que Pedro volta a dirigir a sua atenção para o vento impetuoso e cai vítima do medo, inevitavelmente começa a afundar. Então, só lhe resta a invocação sincera: “Senhor, salva-me!”, à qual Jesus responde prontamente agarrando-o pela mão.

Ao fazer isso, porém, não pode deixar de repreendê-lo: “Homem fraco na fé, por que duvidaste?”. É uma pergunta que força Pedro a fazer as contas com a incredulidade que o habita, uma pergunta que somos chamados a deixar ressoar também no nosso coração.

Afinal, pouco antes, Jesus havia dirigido a todos os discípulos uma interrogação semelhante: “Por que tendes medo, homens de pouca fé?” (Mt 8,26).

Enfim, quando Jesus sobe no barco, o vento se aplaca. Então, os discípulos se prostram diante dele, acompanhando o seu gesto de adoração com uma solene confissão de fé: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus”. Jesus se cala por enquanto, mas, mais adiante, esclarecerá o que significa e o que envolve o fato de ele ser Filho de Deus (cf. Mt 16,16.21).

Aqui, o seu silêncio é para nós uma pergunta: estamos dispostos a aderir a ele sem medo, crendo no seu amor (cf. 1 Jo 4,16)? Essa sólida confiança é a verdade de toda confissão de fé feita de palavras…

Tradução de Moisés Sbardelotto
http://www.ihu.unisinos.br

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Questa voce è stata pubblicata il 07/08/2020 da in O Pão do Domingo, PORTUGUÊS con tag .

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San Daniele Comboni (1831-1881)

COMBONIANUM

Combonianum è stato una pubblicazione interna di condivisione sul carisma di Comboni. Assegnando questo nome al blog, ho voluto far rivivere questo titolo, ricco di storia e patrimonio carismatico.
Il sottotitolo Spiritualità e Missione vuole precisare l’obiettivo del blog: promuovere una spiritualità missionaria.

Combonianum was an internal publication of sharing on Comboni’s charism. By assigning this name to the blog, I wanted to revive this title, rich in history and charismatic heritage.
The subtitle
Spirituality and Mission wants to specify the goal of the blog: to promote a missionary spirituality.

Sono un comboniano affetto da Sla. Ho aperto e continuo a curare questo blog (tramite il puntatore oculare), animato dal desiderio di rimanere in contatto con la vita del mondo e della Chiesa, e di proseguire così il mio piccolo servizio alla missione.
I miei interessi: tematiche missionarie, spiritualità (ho lavorato nella formazione) e temi biblici (ho fatto teologia biblica alla PUG di Roma)

I am a Comboni missionary with ALS. I opened and continue to curate this blog (through the eye pointer), animated by the desire to stay in touch with the life of the world and of the Church, and thus continue my small service to the mission.
My interests: missionary themes, spirituality (I was in charge of formation) and biblical themes (I studied biblical theology at the PUG in Rome)

Manuel João Pereira Correia combonianum@gmail.com

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