COMBONIANUM – Spiritualità e Missione

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É preciso parar os relógios e anunciar um ‘tempo para a criação’

“O Tempo para a Criação é a expressão da espiritualidade e da vontade coletiva de desfazer o nó do capitalismo e sua roda dentada”, defende a teóloga Nancy Cardoso Pereira. É preciso dar um “tempo para a Criação” e ser capaz de deixar o planeta viver sem a pressão do “tempo para o lucro”.
Extractos duma Entrevista de anos atras mas muito atual.

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IHU On-Line – Qual a importância de celebrarmos um “Tempo para a Criação”, conforme proposto pelo Conselho Mundial de Igrejas?

Nancy Cardoso Pereira – O tempo de criação não se refere a um tempo primeiro de origem-originária. O tema da campanha é “Time for Creation”, isto é “Tempo para Criação”, afirmando o caráter processual da vida em todas as suas dinâmicas e, de modo vital, as relações de relações – antigas e novas – de interação e de renovação entre seres vivos e ambiente. Essas relações têm sido pressionadas historicamente por um modelo econômico que calcula tempo e dinheiro na redução da natureza como matéria prima e na redução do trabalho em extração de mais-valia. O “Tempo para Criação” é, para mim, a expressão da espiritualidade e da vontade coletiva de desfazer o nó do capitalismo e sua roda dentada. Dar um “tempo para criação”, criar mecanismos de defesa e ser capaz de deixar viver o planeta sem a pressão do “tempo para o lucro”.

Hoje não se sustenta mais a ideia de que o crescimento da produção e a ampliação do consumo – equacionados na base do tempo-dinheiro – sejam sinônimos de bem-estar e de que todos os habitantes do planeta poderiam se beneficiar. A terra não respira e os trabalhadores e as trabalhadoras também são imersos na lógica do curto prazo. Por isso, hoje é preciso interromper os relógios e anunciar o “Tempo para Criação”.

IHU On-Line – Em um artigo recente (My People Shall Be as Trees: Commitment and Biblical Interpretations from Brazil, disponível em http://migre.me/1qto6), a senhora afirma que a fome da maioria e a destruição do planeta Terra são “necessidades de todos”, ou seja, grandes problemas de todos ainda a serem resolvidos. Como essas “necessidades” estão relacionadas? Quais as contribuições da teologia para abordá-las?

Nancy Cardoso Pereira – Nunca o mundo teve tanta capacidade de produção de alimentos! Mas a fome continua rondando 1 bilhão de pessoas no mundo. As grandes indústrias de alimentos continuam devorando terras, sementes e águas, fazendo fortuna para minorias do planeta. Os processos produtivos do agronegócio são extremamente destrutivos e não respondem às necessidades de todos e todas. Comemos mal e somos inundados pela lógica do “tempo para o lucro” do fast-food. O Tempo para a Criação é hoje um desafio para repensar os processos de alimentação e de retroalimentação dos seres e da humanidade.

Nem as respostas fáceis do controle populacional, nem as respostas mentirosas das saídas científicas controladas pelo mercado podem sustentar um compromisso corajoso com as fomes (da humanidade e do planeta). As estratégias capitalistas para mudança sob controle do mercado querem fazer passar o camelo pelo buraco da agulha…, aumentando o buraco da agulha. Mas, no espírito da Campanha da Fraternidade de 2010 , já sabemos que não dá pra servir a dois senhores: a integridade da terra e a rentabilidade do capitalismo.

Precisamos de um outro modelo de civilização. Uma outra estrutura agrária e agrícola é possível, que garanta soberania alimentar sem comprometimento dos ecossistemas.

IHU On-Line – Uma das datas chaves do Tempo para a Criação é o dia 4 de outubro, dia de Francisco de Assis, na tradição católica. Como podemos compreender, teologicamente, a pobreza voluntária e a relação com a natureza vividas por Francisco?

Nancy Cardoso Pereira – “A irmã água, a qual é muito útil e humilde e preciosa e casta!”, cantada por Francisco de Assis, hoje está sequestrada pelas indústrias como Nestlé, Coca-cola e Suez. A irmã água, igualada na humildade e castidade de uma virgem, acaba sendo presa fácil dos projetos tempo-dinheiro. A dimensão de utilidade e preciosidade se expressa na forma da água-mercadoria e na privatização do que o capitalismo chama de “recursos hídricos” e que os movimentos populares e camponeses insistem em chamar de água: bem comum… sempre irmã! Desafiam-nos a poesia/profecia de vida de Dom Cappio, na defesa do Rio São Francisco, e na luta das mulheres da Via Campesina, na defesa da biodiversidade e da água na Bolívia ou em Uganda. Também na cantoria do Gogó da Comissão Pastoral da Terra – CPT que nos convida a “colher a água” e lembrar dos passarinhos: “Você ainda vai lembrar dos passarinhos / E dos bichinhos que precisam de beber / São dons de Deus, nossos irmãos, nossos vizinhos / Fazendo isso honrará a São Francisco”.

IHU On-Line – Diversos analistas afirmam que a crise climática é, no fundo, uma crise espiritual e ética, com graves implicações sociais. Como a senhora, a partir da teologia, analisa as mudanças climáticas? Perdemos nossa capacidade de “conviver”?

Nancy Cardoso Pereira – A crise climática é, no fundo, uma crise climática mesmo, comprometendo as condições objetivas e subjetivas de reprodução de todas as formas de vida. Nesse sentido, não há uma crise e outra. O que estamos aprendendo é que nossas formas de espiritualidade têm uma profunda conexão com a saúde do todo, dos sistemas de vida. Aprendi a orar assim com Ivone Gebara: “Graças a Deus, choveu no sertão. Graças a Deus, o milho brotou. Graças a Deus, o gado não morreu. Graças a Deus, estou curada. Deus, como chuva, milho, gado vivendo, cura… Deus, como esmola, ajuda, pão. Deus, como pedindo em mim, pedinte nos outros (as). Deus, como comida. Deus, como carência, sem omnipotência nem ciência… Deus, como trabalho, casa, companheiro… quebra minha solidão, grita comigo, suspira comigo, busca comigo”.

Nossa convivência com a natureza se dá no supermercado, disciplinada pela ordem das prateleiras, promoções e produtos. Ou consumimos a natureza na forma do turismo, no consumo da paisagem prêt-à-porter. Já nem estranhamos nossa alienação em relação à terra e às águas, ao território, ao planeta. Nosso corpo pessoal, desconectado do corpo social e do corpo do mundo, espera ser redimido pelas promessas do consumo num complexo mecanismo de alienações erótica, ecológica e econômica. Sem terra somos todos, as maiorias, e já nos acostumamos e aceitamos a racionalidade da propriedade privada como natural e essencial.

A crise espiritual e ética é também uma crise do modelo de apropriação do mundo pelas regras da propriedade privada que é antiética e idolátrica, porque coloca fora da história e da sociedade as legitimidades de posse do mundo. O desejo de conviver precisa se articular, então, com a ruptura da ordem da propriedade na afirmação dos direitos da terra e o direito dos povos. Esta outra convivência dos corpos sociais com o corpo do mundo está bem expressa no sumak kawsay e nos modos de vida – tradicionais e contemporâneos – dos povos indígenas. Esse desejo de conviver nesse sentido não é um chamado ao passado, um romantismo utópico, mas é fruto de lutas e consensos que vão sendo construídos a partir de outros modos de vida e relação.

http://www.ihuonline.unisinos.br/

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Questa voce è stata pubblicata il 18/08/2020 da in Atualidade social, PORTUGUÊS con tag .

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San Daniele Comboni (1831-1881)

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Combonianum è stata una pubblicazione interna nata tra gli studenti comboniani nel 1935. Ho voluto far rivivere questo titolo, ricco di storia e di patrimonio carismatico.
Sono un comboniano affetto da Sla. Ho aperto e continuo a curare questo blog (tramite il puntatore oculare), animato dal desiderio di rimanere in contatto con la vita del mondo e della Chiesa, e di proseguire così il mio piccolo servizio alla missione.
Pereira Manuel João (MJ)
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