COMBONIANUM – Spiritualità e Missione

Blog di FORMAZIONE PERMANENTE MISSIONARIA – Uno sguardo missionario sulla Vita, il Mondo e la Chiesa MISSIONARY ONGOING FORMATION – A missionary look on the life of the world and the church

FP.pt 11/2020 – A ÚLTIMA CHAMADA

Formação Permanente – português 11/2020

A ÚLTIMA CHAMADA
Contemplando o Céu, mais além das estrelas

A Porta da Fé, que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na sua Igreja, está sempre aberta para nós…” (Porta Fidei, 1)

À meia-noite ouviu-se um grito: Eis o esposo! Saí-lhe ao encontro!… Chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta. (Mateus 25,6.12)

O mês de Novembro inicia-se com a solenidade de Todos-os-Santos, seguida da comemoração dos Fieis defuntos. Estas celebrações dão uma tonalidade particular a este mês. Convidam-nos a cultivar a “Comunhão dos Santos”; a reflectir sobre a nossa suprema chamada, a da vocação universal à santidade; a contemplar a futura glória, objecto da nossa Esperança!

Se os anjos outrora convidaram os Apóstolos a baixarem os olhos para a terra, quando contemplavam Jesus elevado ao céu, hoje talvez nos convidassem a erguê-los! O nosso olhar tornou-se míope. Habituados à escuridão da terra, os nossos olhos terrenos, de toupeira, são incapazes de erguer-se para contemplar o Céu. Novembro, quando sol vai perdendo o seu vigor, a luminosidade diminuindo, a noite crescendo, a natureza perdendo vitalidade… é tempo propício para elevar ao Céu o olhar da Esperança!

Estas celebrações oferecem-nos uma janela por onde avistar mais vastos horizontes, ou uma clarabóia para admirar o céu estrelado. Melhor ainda, abrem-nos uma PORTA: “Eu vi uma porta aberta no céu e… uma voz disse-me: sobe até aqui…” (Apocalipse 4,1). Entremos pois por essa porta aberta. O Paraíso abre as suas portas permitindo uma visita! Uma ocasião a não perder!…

Permiti-me que partilhe convosco algo de tal “visita”!…

Todos iguais ou todos diferentes?

Primeira surpresa: o Céu é um maravilhoso e imenso mosaico da diversidade!

Eu vi uma grande multidão, que ninguém poderia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas” (Apocalipse 7,9). Não há “céus” diferentes para separar e evitar o “diverso”… numa eterna e monótona uniformidade! Mas um único para acolher e integrar a diversidade. Todas as diversidades: geográficas, temporais, raciais, culturais como também religiosas, convivendo alegremente, gratos pela riqueza da variedade que oferece uma contínua e perene novidade!

Surpresa ulterior: a riqueza de temperamentos e sensibilidades! Todas elas respeitadas. Todas elas purificadas.“Uma gota de divino existe em cada homem. Somos as folhas dessemelhantes de uma única árvore” (Cardeal Martini). Desaparecidas as sombras próprias de todo carácter (os seus limites, a outra face da moeda!), resplandece o seu lado luminoso! Finalmente “o lobo convive com o cordeiro” (Isaías 11,6).

Um exemplo? Vejo dois santos “nascidos para o céu” no mesmo dia, 30 de Setembro, de caracteres diametralmente opostos, a conviverem alegremente: S. Jerónimo, homem que fora rude, austero e irascível, e Santa Teresinha, toda ela feita de delicada sensibilidade!…

Repouso eterno?

Uma segunda surpresa: no Céu há azáfama, trabalha-se!…

O Céu não é lugar de ociosidade! Toda a gente trabalha! O “Patrão” é o primeiro a dar o exemplo: “O meu Pai trabalha sempre e eu também trabalho”, diz Jesus (João 5,17). E não é um trabalho “divino”, feito “desde o alto”; pelo contrário, muito humano, serviço humilde, feito de joelhos: “Quem vê a mim vê o Pai”, diz Jesus depois de ter lavado os pés aos seus discípulos. E que dizer do Espírito Santo, enviado para continuar a obra de Jesus?

Mudem, pois, de ideia os que pensam que o “repouso eterno” é justificação para o ócio. E fiquem descansados os que não aguentam “estar sem fazer nada”! Tal como vai o mundo, como poderíamos seguir adiante sem o auxílio do Céu? Não têm eles de atender continuamente aos nossos pedidos de ajuda? Enquanto o homem repousa Deus continua o seu trabalho, sem se cansar (Isaías 40,28; Salmo 127,2).

Deus é Criador não só porque “criou” mas porque cria continuamente, “fazendo novas todas as coisas” (Apocalipse 21,5). Deus continua a admirar a sua obra, experimenta a alegria de criar. Todo o Céu partilha desta felicidade de Deus que cria com o Poder da sua Palavra, sem renunciar à alegria infantil de modelar, com mãos de oleiro, o barro da terra. A plenitude do Ser comporta a pura Acção. Lá alcançaremos finalmente a harmonia entre ser e fazer, integrando em nós a acção de Marta e a contemplação da sua irmã Maria. Num feliz e perpétuo êxtase contemplativo e num pacífico e fecundo êxtase ativo!… “Sabes qual é a felicidade dos santos? É possuir a vontade satisfeita em todas as suas aspirações” (Santa Catarina de Sena).

Felicidade plena?

Uma terceira surpresa: a Felicidade do Céu não é uma “alegria descontraída”!

E como poderia sê-lo se é o lugar da Caridade perfeita? Como poderiam os nossos irmãos e irmãs alhear-se do nosso sofrimento e das nossas penas? E Deus sobretudo! A solidariedade de Cristo, a sua compaixão, as suas lágrimas (João 11,42) são emblemáticas. A Escritura não se coíbe de falar da “profunda tristeza de Deus” (Génesis 6,6). E São Paulo pede-nos que “não entristeçamos o Espírito de Deus” (Efésios 4,30), Ele que intercede por nós “com gemidos indescritíveis” (Romanos 8,26). Não é de admirar pois que certos videntes tenham ouvido Nossa Senhora falar da “tristeza” de Deus e de seu Filho, e a tenham visto “chorar”!… “A tristeza do nosso coração é a tristeza de Deus” (Tomás Merton).

O Céu é o “lugar” da Solidariedade extrema e da Caridade perfeita. A alegria no Céu será “total” quando for partilhada por todos, quando “Deus enxugar todas as lágrimas, e não houver mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor…” (Apocalipse 21,4). “Não penses que a felicidade celeste seja apenas individual. Não! Ela é participada por todos os cidadãos da Pátria, homens e anjos”. (Santa Catarina de Sena).

Prémio conquistado pelos nossos méritos?

Quarta surpresa: o Céu não é exclusividade dos “justos”!

O Céu não é o “salário” concedido unicamente aos justos que o teriam merecido pelas boas obras. Ficaremos talvez pasmados ao encontrar lá “certas” pessoas e ao abraçar, embaraçados, algum nosso “inimigo”! Porque Deus é Aquele que “come com os pecadores e senta-se à mesa com eles” (Marcos 2,15). A bondade de Deus tem grandes braços, que toma o que se dirige a ela” (Dante). Por isso para ir para o Céu “basta querer”, diz S. Tomás.

O Céu é Dom da generosidade divina. Ninguém o merece. “Todos foram justificados gratuitamente, por graça” (Romanos 3, 21-28). “Quando Deus premiará os nossos méritos – diz Santo Agostinho – não fará que coroar os seus dons”. Lá compreenderemos bem a desconcertante parábola de Jesus, dos trabalhadores convidados a trabalhar na Vinha que recebem todos a paga por inteiro. Parábola que teve uma aplicação eloquente no caso do “bom ladrão”, “contratado” ao último momento, que, sem trabalhar, foi o primeiro a receber o salário (Lucas 23,43). E os justos não se escandalizam deste comportamento divino, pelo contrário: “há mais alegria no Céu por um só pecador que se converte do que por noventa e nove justos” (Lucas 15,7).

No Céu entra-se só por Amor. Por isso a mística sufista muçulmana Rabia de Bassora (+ 801) dizia que, se pudesse, apagaria o inferno e queimaria o Céu para que todos amassem a Deus desinteressadamente, não por medo do inferno ou esperança do Céu!…

Conclusão?

Perdoai a minha ousadia. Esta minha “visão” é certamente deturpada pelo meu olhar míope e ofuscado. Uma mísera e nublada sombra da realidade, pois o Céu é a Grande Surpresa que Deus nos reserva! Que a Esperança dele ilumine a nossa “noite”, como iluminou a do falecido Cardeal Martin:

Deus quis que passássemos por esta ‘dura viela’ que é a morte e que entrássemos na escuridão… (porque) sem a morte nunca chegaríamos a fazer um ato de plena confiança em Deus. De fato, em cada escolha comprometedora, nós sempre temos ‘saídas de segurança’. Ao invés, a morte nos obriga a confiar totalmente em Deus. O que nos espera depois da morte é um mistério, que requer da nossa parte uma confiança total. Desejamos estar com Jesus, e expressamos esse desejo de olhos fechados, às cegas, colocando-nos totalmente nas suas mãos.”

Despeço-me com a “visão” que do Céu teve um olhar místico:

Finalmente compreendo o que é o Paraíso.
E de que é feita a sua Beleza, Natureza, Luz e Canto.
É feita de Amor.
O Paraíso é Amor.
É o Amor que tudo cria.
O Amor é a base sobre a qual tudo repousa.
O Amor é o ápice de donde tudo procede.
O Pai opera por Amor.
O Filho julga por Amor.
Maria vive por Amor.
Os anjos cantam por Amor.
Os bem-aventurados aclamam por Amor.
As almas são formadas por Amor.
A Luz existe porque é Amor.
O Canto existe porque é Amor.
A Vida existe porque é Amor”

(Maria Valtorta)

P. Manuel João Pereira Correia (comboniano)

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Questa voce è stata pubblicata il 31/10/2020 da in Artigo mensal, Cantinho pessoal, Fé e Espiritualidade, PORTUGUÊS, Vocação e Missão.

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San Daniele Comboni (1831-1881)

COMBONIANUM

Combonianum è stato una pubblicazione interna di condivisione sul carisma di Comboni. Assegnando questo nome al blog, ho voluto far rivivere questo titolo, ricco di storia e patrimonio carismatico.
Il sottotitolo Spiritualità e Missione vuole precisare l’obiettivo del blog: promuovere una spiritualità missionaria.

Combonianum was an internal publication of sharing on Comboni’s charism. By assigning this name to the blog, I wanted to revive this title, rich in history and charismatic heritage.
The subtitle
Spirituality and Mission wants to specify the goal of the blog: to promote a missionary spirituality.

Sono un comboniano affetto da Sla. Ho aperto e continuo a curare questo blog (tramite il puntatore oculare), animato dal desiderio di rimanere in contatto con la vita del mondo e della Chiesa, e di proseguire così il mio piccolo servizio alla missione.
I miei interessi: tematiche missionarie, spiritualità (ho lavorato nella formazione) e temi biblici (ho fatto teologia biblica alla PUG di Roma)

I am a Comboni missionary with ALS. I opened and continue to curate this blog (through the eye pointer), animated by the desire to stay in touch with the life of the world and of the Church, and thus continue my small service to the mission.
My interests: missionary themes, spirituality (I was in charge of formation) and biblical themes (I studied biblical theology at the PUG in Rome)

Manuel João Pereira Correia combonianum@gmail.com

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