COMBONIANUM – Spiritualità e Missione

Blog di FORMAZIONE PERMANENTE MISSIONARIA – Uno sguardo missionario sulla Vita, il Mondo e la Chiesa MISSIONARY ONGOING FORMATION – A missionary look on the life of the world and the church

5º Domingo da Quaresma (B)

5º Domingo da Quaresma (B)
João 12, 20-33


parabola del seminatore2

Referências bíblicas:
1ª leitura: «Concluirei uma nova aliança … e não mais lembrarei o seu pecado» (Jeremias 31,31-34)
Salmo: Sl 50(51) – R/ Criai em mim um coração que seja puro.
2ª leitura: «Aprendeu o que significa a obediência … e tornou-se causa de salvação eterna» (Hebreus 5,7-9)
Evangelho: «Se o grão de trigo que cai na terra morre, produzirá então muito fruto» (João 12,20-33)

Entre dois povos, entre duas Páscoas
Marcel Domergue

A hora da glória

O evangelho proposto hoje é desconcertante. De fato, quando os discípulos anunciam a Jesus que os Gregos desejam vê-lo, sua resposta parece absolutamente deslocada; é como se falasse de outra coisa. Busquemos descobrir a coerência deste texto. Para isso, notemos, em primeiro lugar, a insistência na geografia. O evangelista assinala que o episódio situa-se em Jerusalém, a cidade que mata os profetas, mas que é também a «metrópole dos povos». Lembra que Filipe é de Betsaida, fazendo questão de precisar ser esta uma cidade da Galiléia, «a Galiléia dos pagãos» (Mateus 4,15). Filipe, sendo galileu, está bem situado para servir de mediador entre Jerusalém e os Gregos, os estrangeiros. O texto assinala imediatamente que estes tinham vindo para a celebração da Páscoa. O quadro cultural e étnico está, portanto, muito bem delineado (os pagãos, a Galiléia, Jerusalém, a judaica). E o quadro temporal também: a Páscoa. Jesus vai anunciar que esta, de qualquer forma, é a última Páscoa da série que havia começado no Êxodo: «A hora chegou de o filho do homem ser glorificado.» É a hora em que os tempos se cumpriram e tudo o que o primeiro Êxodo significava e profetizava será desvelado. A Páscoa antiga não é suficiente para os Gregos, pois eles pedem outra coisa: ver a Jesus.

Eles, por aí, antecipam de qualquer forma a Hora que vem chegando e que irá revelar Jesus em toda a sua glória.

Como se tem repetido, o tema da glorificação comporta uma espécie de «publicidade»: a glória é a manifestação da verdadeira face de Deus, até aqui velada ou deformada. Por que esta deformação? Ela vem de uma mentira encastelada no fundo das nossas consciências, a mentira que o livro do Gênesis põe na boca da serpente: Deus, quer dizer o Ser que nos faz existir, não é amor, mas avareza, egoísmo. Os pagãos, todos os homens, vão agora fazer sua a verdade sobre Deus, verdade que vem dos Judeus e é precisamente por isso que o episódio se situa em Jerusalém. Deus vai receber, portanto, a sua devida glória. E isto se realiza pela glorificação do Cristo. Mas é aí que as coisas se complicam: a Glória do Pai e do Filho vai se manifestar pelo seu contrário, a ignomínia da cruz. Para o evangelista, ser levantado da terra significa a uma só vez estar suspenso na cruz, ser posto em evidência, exposto aos olhares de todos e conhecer uma «elevação» que coloca o Cristo acima de toda criatura. De modo implícito, temos a serpente de bronze, fonte de cura para todos os que levantam os olhos para ela (Números 21,8; João 3,14 e 19,37; Sabedoria 16,5-7; Zacarias 12,10). De toda forma, Jesus se fez serpente, figura dos nossos males e aflições. Por isso é que se fala de «cruz gloriosa». Mas por que seria necessário ter a glória de Deus vindo até nós sob o aspecto da decadência?

A imagem do Deus invisível

Se o conflito dos irmãos inimigos ocupa tanto espaço na Bíblia, é porque este é o drama maior da história humana. Cristaliza-se na hostilidade recíproca entre o judeu e o pagão. Esta hostilidade se concretiza na sujeição ou no assassinato do adversário, no ódio cego e no desprezo. Se a Bíblia permanece atual, é exatamente porque este litígio sangrento está longe de ter terminado: guerras, opressões, revoltas, são as matérias privilegiadas dos nossos jornais. Deus, que é a nossa origem e a nossa verdade, entra neste universo desapossando-se de todo o prestígio, de todo o poder; tomando o lugar das nossas vítimas. O Cristo dá a sua vida, manifestando com isso que Deus é dom de si mesmo e não vontade de dominação. Esta é a última verdade sobre Deus, a sua glória: Ele é Amor. Só podemos dizer que existimos de verdade na medida em que aceitamos ser criados à sua imagem e semelhança, ou seja, colocando os nossos passos nos passos do Cristo, que é «o ícone do Deus invisível». Olhando-O, estamos vendo o próprio Deus, assim como Ele é. Ao termo da nossa estrada criadora, não haverá mais conflito possível: Paulo repete não haver mais nem Judeu nem Grego. Esta é a hora da glória: os Gregos também são convidados a ver Jesus, a olhar para aquele que, juntos, todos temos transpassado. Se devemos extrair de tudo isso uma regra de conduta, podemos nos perguntar onde estão hoje os nossos Gregos? Onde, os nossos Judeus? Onde estão os que pregamos na cruz do nosso desprezo?

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O grão de trigo que morre e dá fruto
Enzo Bianchi

De acordo com o quarto Evangelho, Jesus, com o sinal da ressurreição de Lázaro, desencadeia a oposição dos sacerdotes do templo e dos fariseus, que decidem que ele deve morrer (cf. Jo 11, 1-54). Justamente Caifás, o sumo sacerdote no cargo, afirma que a morte de Jesus é uma coisa boa: “É melhor um só homem morrer pelo povo” (Jo 11, 50). Palavra subjetivamente homicida de Caifás, mas objetivamente profética, porque a morte de Jesus é dar a vida pelos outros, por toda a humanidade.

Jesus, portanto, ao se aproximar a festa da Páscoa, entra em Jerusalém em meio aos gritos que o proclamam como Aquele que vem em nome do Senhor e Rei de Israel (cf. Jo 12, 12-14), mas esse seu sucesso junto ao povo desperta a constatação dos fariseus: “Todo mundo (ho kósmos) vai atrás de Jesus, segue-o!” (Jo 12, 19). Agora, a decisão de condenar Jesus à morte foi tomada, e ele sente que o círculo dos inimigos se estreita ao seu redor, e que aquela Páscoa será a sua “hora” tantas vezes anunciada. Por outro lado, a afirmação dos fariseus encontra uma clara ilustração no pedido de alguns dos presentes em Jerusalém para a festa: alguns gregos, isto é, pertencentes aos gentios, não circuncidados e, portanto, pagãos. Eles querem conhecer Jesus, porque ouviram falar dele como mestre de autoridade e profeta capaz de operar sinais.

Então, eles se aproximam de um dos seus discípulos, Filipe (proveniente de Betsaida da Galileia, cidade habitada por muitos gregos, assim como seu nome é grego), e lhe pedem: “Queremos ver Jesus”. Mas isso não era algo fácil, porque encontrar pagãos, impuros, por parte de um rabino, não estava de acordo com a Lei e não respeitava as regras de pureza. Filipe, hesitante, vai informar isso a André, o primeiro chamado ao seguimento (cf. Jo 1, 37-40); depois, juntos, os dois decidem apresentar a demanda a Jesus. E como ele responde? O quarto Evangelho não diz, mas testemunha algumas palavras decisivas, uma verdadeira profecia que Jesus faz sobre aquela hora, a hora da sua paixão e morte, revelada como glorificação.

Acima de tudo, Jesus diz que o pedido para o ver por parte dos pagãos é sinal e anúncio da hora que finalmente chegou, a hora em que o Filho do homem é glorificado por Deus. No início do Evangelho, em Caná, Jesus havia dito à sua mãe: “Minha hora ainda não chegou” (Jo 2, 4), e, em seguida, inúmeras outras vezes essa hora privilegiada é evocada como hora próxima, mas que ainda não chegou (cf. Jo 4, 21-23; 5, 25; 7, 30; 8, 20). Agora, diante desse pedido, Jesus compreende e, portanto, anuncia que sua morte será fecundo, fonte de vida inaudita: a sua glória será glória de Deus. Para expressar isso, Jesus recorre ao relato do grão de trigo que, para se multiplicar e dar fruto, deve cair na terra e depois apodrecer, morrer, caso contrário, permanece estéril e sozinho. Aceitando apodrecer e morrer, o grão multiplica sua vida e, portanto, atravessa a morte e chega à ressurreição.

Sim, parece paradoxal, mas – como Jesus esclarece – “quem se apega à sua vida, perde-a; mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna”, porque o apego à vida é o que impede de pôr a própria vida a serviço dos outros. Para Jesus, a verdadeira morte não é a física, aquela que os homens podem provocar, mas é precisamente a recusa de gastar e dar vida pelos outros, o fechamento estéril sobre si mesmo; ao contrário, a verdadeira vida é o ápice de um processo de doação de si.

A história do grão de trigo é a história de Jesus, mas também a do seu servo, que, justamente seguindo Jesus, conhecerá a paixão e a morte assim como seu Senhor, mas também a ressurreição e a vida para sempre. Não é só Jesus que será glorificado pelo Pai, mas também o discípulo, o servo que, seguindo o seu Senhor, se torna seu amigo. A esse respeito, com grande fé, um Padre do deserto chegava a afirmar com ousadia: “Jesus e eu vivemos juntos!”.

O que, então, Jesus promete aos pagãos para ver? Sua paixão, morte e ressurreição, seu abaixamento e sua glorificação, a cruz como revelação do amor vivido até o fim, até o extremo (cf. Jo 13, 1). A cada discípulo, proveniente de Israel ou dos gentios, no visível é dado ver o invisível; seguindo Jesus com perseverança, aonde quer que ele vá, é dado contemplar na sua morte ignominiosa a glória de quem dá a vida por amor.

De acordo com o quarto Evangelho, aqui é antecipada aquela convocação dos gentios, aquela reunião que acontecerá quando Jesus for elevado na cruz. Os profetas haviam anunciado a participação dos gentios na revelação feita a Israel, e esta hora está prestes a chegar, porque Jesus oferece a sua vida “para reunir os filhos de Deus que estavam dispersos” (Jo 11, 52).

João abre aqui uma lacuna sobre os sentimentos vividos por Jesus. Assim como os evangelistas sinóticos relatam a angústia de Jesus no Getsêmani (cf. Mc 14, 32-42 e par.), na hora que precede a sua captura, aqui também lemos sua confissão: “Agora sinto-me angustiado”. Sim, diante da sua morte, Jesus ficou perturbado, como já havia se perturbado e chorado diante da morte do amigo Lázaro (cf. Jo 11, 33-35). Mas essa angústia muito humana não se torna uma pedra de tropeço posta no seu caminho: Jesus é tentado, mas vence radicalmente a tentação com a adesão à vontade do Pai. De maneira diferente da narrativa presente nos sinóticos, mas profundamente em harmonia com ela, Jesus não quis se salvar daquela hora, nem ficar isento dela, mas permaneceu sempre fiel à sua missão de cumprir a vontade do Pai no caminho da humilhação, da pobreza, da mansidão e não através da violência, do poder, da dominação. Compreendemos, portanto, sua oração: “Pai, glorifica teu Nome”, isto é: “Pai, mostra que tu e eu, juntos, realizamos em mim a mesma vontade”.

Em resposta a tais palavras, eis uma voz do céu, a voz do Pai que testemunha o reconhecimento de Jesus como Filho amado, que revelou a glória de Deus em toda a sua vida e a revelará novamente na sua “hora”. De acordo com a inteligente interpretação da Carta aos Hebreus, Jesus, “nos dias de sua vida terrestre, dirigiu preces e súplicas, com forte clamor e lágrimas, àquele que era capaz de salvá-lo da morte. E foi atendido, por causa de sua entrega a Deus (eulábeia)” (Hb 5, 7). Essa submissão não é a rendição a um destino implacável, mas sim a adesão aos sentimentos do Pai, sentimentos de amor pelo mundo até lhe dar seu Filho unigênito (cf. Jo 3, 16).

Eis que, então, Jesus pode gritar com convicção: “É agora o julgamento deste mundo. Agora o chefe deste mundo vai ser expulso, e eu, quando for elevado da terra”, como a serpente levantada por Moisés (cf. Nm 21, 4-9; Jo 3, 14), “atrairei todos a mim”. A “hora” finalmente chegou, a hora de Jesus, mas também aquela em que o mundo, com sua estrutura malvada, é julgado, e assim o príncipe deste mundo, o príncipe das trevas, o inimigo de Deus e da humanidade, é expulso.

Esse grito de Jesus é um grito de vitória: na luta entre o príncipe das trevas e o Filho de Deus, este último é vencedor e, elevado da terra sobre a cruz, atrai todos a si. Sim, justamente na cruz, no alto, Jesus será o vencedor do inimigo, o diabo, o pai da mentira, e, portanto, vencedor sobre o mundo de trevas que se opõe a Deus: sobre a cruz, revelou-se plenamente a glória de Deus e de Jesus.

Da cruz, “Jesus, o Nazareno, o Rei dos judeus” (Jo 19, 19) – título escrito em hebraico, grego e latim, as línguas de toda a oikouméne (cf. Jo 19, 20) – atrairá todos a si, judeus e gregos, que verão aquele que transpassaram e baterão em seus peitos (cf. Zc 12, 10; Lc 23, 48; Jo 19, 37 Ap 1, 7). Todo olho o verá, e aqueles que, vendo-o, aderirem a ele crendo no seu amor, serão salvos e conhecerão a vida eterna. Eis a verdadeira resposta para aqueles que queriam, e ainda hoje querem, “ver Jesus”.

Essa é a boa notícia da página de hoje do Evangelho, boa notícia especialmente para aqueles discípulos e aquelas discípulas que conhecem a dinâmica de cair na terra, do “apodrecer” no sofrimento, na solidão e no escondimento.

Em algumas horas de vida, parece que todo o seguimento se reduz apenas à paixão e à desolação, ao abandono e à negação por parte dos outros, mas, então, mais do que nunca, é preciso olhar para a imagem do grão de trigo que nos foi entregue por Jesus; mais do que nunca, é preciso renovar o fôlego da fé, para dizer: “Jesus e eu vivemos juntos!”.

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Questa voce è stata pubblicata il 17/03/2021 da in O Pão do Domingo, PORTUGUÊS con tag .

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San Daniele Comboni (1831-1881)

COMBONIANUM

Combonianum è stato una pubblicazione interna di condivisione sul carisma di Comboni. Assegnando questo nome al blog, ho voluto far rivivere questo titolo, ricco di storia e patrimonio carismatico.
Il sottotitolo Spiritualità e Missione vuole precisare l’obiettivo del blog: promuovere una spiritualità missionaria.

Combonianum was an internal publication of sharing on Comboni’s charism. By assigning this name to the blog, I wanted to revive this title, rich in history and charismatic heritage.
The subtitle
Spirituality and Mission wants to specify the goal of the blog: to promote a missionary spirituality.

Sono un comboniano affetto da Sla. Ho aperto e continuo a curare questo blog (tramite il puntatore oculare), animato dal desiderio di rimanere in contatto con la vita del mondo e della Chiesa, e di proseguire così il mio piccolo servizio alla missione.
I miei interessi: tematiche missionarie, spiritualità (ho lavorato nella formazione) e temi biblici (ho fatto teologia biblica alla PUG di Roma)

I am a Comboni missionary with ALS. I opened and continue to curate this blog (through the eye pointer), animated by the desire to stay in touch with the life of the world and of the Church, and thus continue my small service to the mission.
My interests: missionary themes, spirituality (I was in charge of formation) and biblical themes (I studied biblical theology at the PUG in Rome)

Manuel João Pereira Correia combonianum@gmail.com

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